De Repente 30

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Crítica Cineweb

16/08/2004

Tal qual sua personagem que, num passe de mágica, salta dos 13 para os 30 anos, Jennifer Garner faz sua transição definitiva de protagonista da série de TV Alias para estrela de cinema, nessa comédia que é uma reciclagem de velhos clichês, mas que funciona bem durante boa parte do tempo, graças ao talento da atriz para comédias.

O roteiro parte da idéia, já explorada em outros filmes, da criança que sonha em ser adulta e vê seu desejo se realizar. O exemplo mais recente é Uma Sexta-Feira Louca (2003), mas o filme mais famoso com esse tema ainda é Quero Ser Grande (1988), com Tom Hanks.

Nos idos de 1987, Jenna é uma adolescente desajeitada que sonha em ser descolada e andar na companhia das meninas mais populares da escola. Estas, por sua vez, estão apenas interessadas em usar a garota para que ela faça os seus deveres de casa. Aliás, esse é o único motivo para que o grupinho aceite ir à festa de treze anos de Jenna.

O único amigo de verdade é Matt, um gordinho de bom coração que sonha em ser fotógrafo. Durante a festa tudo dá errado, e graças a um pacotinho de pó mágico, Jenna tem seu sonho realizado: se transforma em uma mulher de 30 anos (Jennifer), linda e bem sucedida. O problema é que dentro de sua cabeça ela ainda é a menininha de treze anos. A situação se complica quando Jenna percebe que a mulher na qual ela se transformou não tem nada a ver com a adolescente que um dia foi. Ela passa a levar uma vida muito mais sofisticada - o que não é ruim -, mas também se tornou mesquinha e falsa - o que é muito pior.

Agora Jenna é editora de uma revista feminina comandada por Richard Kneeland (Andy Serkis, o ator por trás do personagem computadorizado Golum da série O Senhor dos Anéis). A publicação enfrenta sérias dificuldades e Jenna é a única que pode salvá-la - ou afundá-la de vez. No melhor dos clichês da comédia romântica, a jornalista descobre que Matt (Mark Ruffalo) se transformou em um excelente fotógrafo, e que também perdeu uns quilinhos, e ficou bem mais atraente do que quando era adolescente.

O roteiro da dupla Josh Goldsmith e Cathy Yuspa utiliza o mesmo tipo de humor de seu primeiro trabalho, Do que as mulheres gostam, mas desta vez contam com uma protagonista bem mais talentosa e menos egocêntrica do que Mel Gibson no filme anterior. Graças aos mais de 56 milhões de dólares acumulados por esse filme só nos EUA, Jennifer é um dos nomes mais quentes do momento em Hollywood.

Além disso, também prova que pode abrir um filme sozinha - tanto que sua personagem Elektra, de O Demolidor, vai ganhar a sua própria série. Em De Repente 30 ela comprova que possui muito talento, além de toda a habilidade física que exibiu em Alias. Jennifer demonstra um timing certeiro para a comédia, principalmente quando encarna a menina desajeitada de 13 anos no corpão da mulher de 30.

A trilha sonora é uma verdadeira festa retrô para aqueles que achavam que os anos 1980 não deviam ter acabado - se é que algum dia chegaram ao fim. De Madonna ao "Thriller", de Michael Jackson - com direito a coreografia Moonwalker -, e todos aqueles hits que fizeram a alegria de muitos naquela época. "Tainted Love", do Softcell, e "Ice Ice Baby", de Vanilla Ice , vão garantir boas vendas do CD - não só para os mais nostálgicos.

Claro que nesse tipo de filme não há muito o que inventar em matéria de roteiro e direção. O final, apesar de ser previsível, não é o máximo do clichê - poderia ser pior. À medida em que os roteiristas optaram por uma saída um pouco mais pé-no-chão elevam o filme para um patamar um pouco acima da média do gênero. De Repente 30 é um filme-pipoca do bem.

Alysson Oliveira


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