Olga

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Crítica Cineweb

16/08/2004

Poucas adaptações foram tão aguardadas como Olga, o livro-reportagem do jornalista Fernando Morais, lançado em 1985, que já vendeu mais de 600 mil exemplares no Brasil. A obra lançou uma luz sobre a vida de Olga Benario, a militante comunista alemã e companheira do líder Luís Carlos Prestes. Quase 20 anos depois da primeira edição, a história chega às telas dirigida por Jayme Monjardim.

Para aqueles que conhecem o livro, Olga é uma história política com uma relação amorosa como pano de fundo. Na verdade, o amor entre Olga e Luís Carlos Prestes é quase uma conseqüência natural da relação entre duas pessoas que tinham os mesmos ideais. Quem for apresentado à Olga Benario apenas pelo filme, verá uma história de amor com uma pincelada política. Nas mãos da roteirista Rita Buzzar e de Jayme Monjardim nunca há espaço suficiente para detalhar o ideal político que unia o casal militante. Foi a escolha do diretor para tornar a história mais vendável para o grande público acostumado com o formato televisivo.

A Olga real, interpretada por Camila Morgado, é uma alemã judia rica que abandona a vida de regalias na casa dos pais para se dedicar à militância política no PC alemão. Em 1935, na Rússia, recebe a missão de se passar por mulher de Luís Carlos Prestes (Caco Ciocler) que voltava clandestinamente de seu exílio para o Brasil. O que era para ser uma mentira com data de validade, acabou se transformando em paixão autêntica, e a agente comunista resolveu ficar no Brasil ao lado de Prestes e ajudá-lo na sua tentativa de derrubar a ditadura de Getúlio Vargas.

O plano não deu certo e Olga e Prestes acabaram presos. Mesmo grávida, foi deportada para a Alemanha nazista onde a aguardava o mesmo destino de milhões de judeus. Na Alemanha ela deu à luz Anita Leocádia, com quem ficou por catorze meses. Depois disso, perdeu o contato com a criança que foi entregue à mãe de Prestes. Já a Olga do filme é uma sonhadora que pensa em ver o mundo transformado num paraíso igualitário.

Seguindo a cartilha que deu certo em suas novelas e minisséries, como Terra Nostra e A Casa das Sete Mulheres, Monjardim opta pela estética televisiva. São closes, planos fechados, música incessante e exagerada ditando as emoções do momento. Há problemas no desenvolvimento de personagens e nas interpretações sempre teatrais.

Por outro lado, há a competente direção de arte, de Tiza de Oliveira, e a cenografia, de Gilson Santos e Érika Lovisi, que recriam diversos países da Europa em estúdios e locações no Rio de Janeiro. As cenas no campo de concentração são de um realismo arrebatador.

O diretor fez uma aposta alta - cerca de R$ 8 milhões foram gastos no orçamento do filme, que sobem para R$ 12 milhões, segundo as mais recentes estimativas, se computados os gastos com a campanha de marketing. Se o sucesso na bilheteria vier como se espera, a próxima etapa da carreira do filme é muito clara: conquistar a indicação para representar o Brasil no Oscar, confiando tanto nos indiscutíveis valores técnicos da produção quanto no irresistível apelo que têm mostrado as histórias sobre o Holocausto em Hollywood.

Alysson Oliveira


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