Diário de uma Paixão

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Extras

Cenas excluídas
Contos de Diários de uma Paixão
Rachel Adams - Teste de Seleção
Nicholas Sparks - Uma história simples bem contada
Locações do filme
Nick Cassavetes - Tudo em Família


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

03/08/2004

Se carreira de cineasta fosse semelhante a um campeonato de futebol, a de Nick Cassavetes estaria empatada. Até o momento, ele fez um filme interessante (De Bem Com a Vida), um muito bom (Loucos de Amor), outro ruinzinho (Um Ato de Coragem) e um quarto bem ruim, o recente Diário de uma Paixão.

Vendido como um drama romântico à antiga, Diário de uma Paixão é um dramalhão romântico à antiga - no pior sentido da expressão - que pega em cheio no coração dos mais sensíveis, que devem assistí-lo acompanhados de uma boa caixa de lenços. O roteiro é inspirado em um romance de Nicholas Sparks - publicado no Brasil como O Caderno de Noah - e como os outros filmes baseados em livros desse autor (Uma Carta de Amor e Um Amor Para Recordar) , é uma história romântica até a medula, que pretende fazer as pessoas chorarem - e até consegue. Não que isso seja uma qualidade.

De todos os livros de Sparks que chegaram às telas, O Caderno foi o que mais demorou. Foram sete anos, três diretores (entre eles Steven Spielberg) e inúmeros atores, como George Clooney e Ashley Judd. E acabou indo parar nas mãos de Cassavetes. Não deixa de ser um exercício de imaginação pensar qual seria o resultado se fosse feito por Spielberg - afinal, esse é um material bem distante da obra do cineasta.

Nos anos 40, Allie (Rachel McAdans) é uma jovem rica e minada, que durante as férias de verão conhece Noah Calhoun (Ryan Gosling), o romântico rapaz pobre da madeireira local. Apesar de uma resistência inicial, ela acaba se envolvendo com ele. Para desespero dos pais, principalmente da mãe, que quer um futuro melhor para filha, um noivo que esteja a sua altura. A história caminha a passos largos para o clichê do gênero.

Enquanto isso, no tempo presente, Duke (James Garner) um simpático velhinho lê um caderno de recordações para uma amiga (Gena Rowlands) na cliníca de idosos. Ele conta a história do jovem casal. Ela, que sofre de Mal de Alzheimer, vai se envolvendo com a narrativa e fica encantada com aquele amor.

Parecem duas histórias distintas? Não há o que temer - afinal, Diário de uma Paixão é resultado do cinemão norte-americano, e nenhuma ponta ficará solta. Até o final desse vale de lágrimas de quase duas horas tudo será juntado e muito bem explicado, para que a platéia não fique com nenhuma dúvida.

À ainda bela Gena Rowland - mãe de Nick com o falecido cineasta John Cassavets - resta o ingrato papel da idosa doente, a quem só resta ficar supresa com cada página do caderno de Duke. Já o jovem casal, formado por Gosling e Rachel tenta encher a tela de energia e romance, mas isso nunca acontece - tudo é previsível demais, e eles não têm a química necessária. Cabe a Joan Allen e Sam Shepard interpretar a mãe da noiva e o pai do noivo, respectivamente - mas a eles pouco resta nessa história tão sem sal - apesar do excesso de lágrimas.

Não haveria mal nenhum Cassavetes ter feito um drama romântico, se tivesse estilo e personalidade. Seu filme mais parece uma novela das seis, chata e arrastada, que tem a fácil tarefa de fazer chorar. Ironicamente, ele é filho de um dos cineastas mais radicais dos anos 1970, John Cassavetes, um autêntico representante da contra-cultura, que provalmente se envergonharia desse filme.

Quem sabe Nick ainda não encontre um roteiro não-filmado de seu pai, como foi o que aconteceu com Loucos de Amor, que apesar de datado é uma deliciosa história de amor neurótica e complicada. Afinal ainda dá tempo de salvar o campeonato, ou melhor, a carreira e o nome da família.

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