A Soma de Todos os Medos

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Crítica Cineweb

29/01/2003

Após os atentados de 11 de setembro do último ano nos Estados Unidos, Hollywood parece rever seus conceitos sobre mudanças em roteiros e engavetamento de produções polêmicas. A Soma de Todos os Medos já estava pronto naquele dia fatídico e teve seu lançamento adiado, mas nada foi mudado. Apesar da história original de Tom Clancy ter como vilões terroristas islâmicos, no roteiro final a culpa fica mesmo com velhos conhecidos da comunidade do Mal, neonazistas enlouquecidos. Mera coincidência.

A atualidade do filme está na paranóia que ronda mente e coração de cada americano nestes dias de incertezas, um ataque com "bomba suja", mistura de explosivos comuns com material radioativo. Medo mais que justificável. Apesar dos inúmeros acordos para o desarmamento nuclear, ainda existem arsenais perdidos, em mãos de desconhecidos ou máfias diversas.

O presidente Fowler (James Cromwell, de Babe - O Porquinho Atrapalhado), homem de inteligência mediana e que pauta suas decisões quase que apenas pelo noticiário da rede de televisão CNN, está preocupado com o novo presidente russo, Nemerov (Ciáran Hinds), alçado ao poder após a morte súbita de seu antecessor, um alcóolatra - embora os créditos finais afirmem, esta não é mera coincidência, Yeltsin serviu de modelo. Neste meio tempo, um grupo de fanáticos liderados por um bilionário austríaco, Dressler (Alan Bates), planeja colocar o nazismo no topo da ordem mundial e para tanto prepara um atentado aos EUA.

A CIA recebe sinais de que algo gigantesco está para acontecer e como toda a cúpula do governo americano acredita que o perigo vem da Rússia, as investigações começam pelo caminho errado. Aí surge o agente Ryan (Ben Affleck, em papel que já foi de Harrison Ford e Alec Baldwin), historiador especializado em Rússia e, principalmente, profundo conhecedor da personalidade do novo presidente russo. E também o único que percebe que o perigo está em lugares mais obscuros do que as salas do Kremlin. E sua esperança é convencer o diretor da agência (Morgan Freeman) a escutá-lo e conseguir mudar os rumos da investigação e evitar a III Guerra Mundial.

Com orçamento de US$68 milhões de dólares, o filme ficou em primeiro lugar entre os lançamentos, arrecadando US$ 31 milhões já no primeiro final de semana de exibição nos EUA. O que prova que o povo americano, completamente traumatizado, preferiu varrer o medo para baixo do tapete e tentar encontrar no cinema respostas para o que vem acontecendo no país. É de se imaginar o silêncio e a apreensão durante a cena de explosão da bomba no estádio de futebol de Baltimore durante a final do campeonato. Perigo real que nem a catarse numa sala de projeção é capaz de afastar.

Cineweb-14/6/2002

Ana Vidotti


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