Mulheres Perfeitas

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Crítica Cineweb

26/07/2004

Em meados dos anos 1980, Richard Oznowicz já era bastante conhecido pelo público não apenas pelos seus filmes, mas por emprestar a voz e dar vida a ninguém menos que mestre Yoda (Guerra nas Estrelas) e Miss Pigg (Muppet's). Mas, seria um absurdo reduzir sua popularidade a isso. Suas comédias mordazes, como Os Safados, Nosso Querido Bob, A Pequena Loja dos Horrores, são exemplos de um grau de inteligência refinado e superior do que se via - e ainda se vê - no cinema comercial.

Ao acompanhar seu trabalho, é notável o apreço que possui pela comédia burlesca, que se soma a uma aguda sátira social de temas pouco vistos nas comédias contemporâneas. Assim, tornou-se cada vez menos provável que Frank Oz, como é conhecido, realize alguma genérica comédia romântica. No entanto, seu último trabalho, Mulheres Perfeitas, apesar da divertida idéia sobre a "guerra dos sexos", se aproxima mais do filão comercial do que propriamente de seus filmes anteriores.

A trama mostra a decadência profissional de Joanna (Nicole Kidman, sempre bela), afastada do cargo de CEO de uma importante rede de televisão americana. Como resultado de sua demissão, a protagonista entra em colapso nervoso, o que obriga seu marido Walter (Mathew Broderick) a mudar-se para uma aprazível cidade: Stepford. Lá esperam ter uma vida tranquila, longe da histeria constante das grandes metrópoles.

No entanto, em pouco tempo de estada na cidade, percebem que a as mulheres da comunidade seguem atitudes de aparência e comportamento muito parecidas. Todas parecem ser perfeitas demais para serem verdadeiras. E o que justamente Walter quer é que sua esposa seja mais dócil e menos cínica, como suas vizinhas. Quando aparece a chance, ele deverá saber o que fazer. Suspense.

Ainda que esteja baseada no romance de Ira Levin The Stepford Wives (previamente adaptada ao cinema em 1975), este filme possui um foco muito diferente. Longe do suspense que propõe o livro, Oz converteu a história em uma comédia para enfatizar sua mensagem feminista, atualizando os conflitos entre homens e mulheres.

O grande problema nessa escolha está justamente na deficiência da adaptação do roteiro, que não tem fôlego para levar nem uma coisa nem outra. Por melhores que sejam suas intenções, Oz não encontrou novidades na trama. A metáfora do controle masculino é por demais transparente e a mensagem social é extremamente pobre. Não há suspense, pois o filme é previsível e o humor se rende a um punhado de piadas, que não sustentam a comédia.

Mesmo o elenco, apesar dos grandes nomes, como Glenn Close, Chistopher Walken e Nicole Kidman, fica aquém do esperado. Com um desempenho apenas funcional, vê-se que o roteiro nada exige de suas capacidades dramáticas. O que falar então da presença de Mathew Broderick como marido de Joanna? Sem carisma, possui uma aparência muito juvenil e fora do perfil exigido pelo personagem (o vice-presidente de um grande conglomerado de comunicação). Salva-se aí, a presença secundária de Bette Midler, como uma histérica amiga de Joanna e um dos principais alvos da comunidade para ser "domesticada".

No final da sessão, fica a impressão de um filme que não deu certo. Apesar de boas sacadas, o humor trivial e pouco trabalhado torna o conteúdo muito pobre para deliciar o espectador. Algumas partes confusas na história também não cooperam para qualquer mudança de opinião. Espera-se apenas que o sexagenário Oz continue a primar pela inteligência refinada e superior em suas novas produções e relegue a Mulheres Perfeitas o rótulo de exceção.

Rodrigo Zavala


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