Hellboy [2004]

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Crítica Cineweb

26/07/2004

Quem se julga conhecedor de quadrinhos não pode deixar de se referir a Dark Horse como uma das editoras mais importante das últimas duas décadas. Referência no mercado pelo respeito aos direitos de seus criadores, a empresa conseguiu contratar os maiores talentos da indústria, atraídos pela convicção de que não verão seus trabalhos diluídos ou prostituídos. Um dos raros casos em que a liberdade criativa está além da idéia comercial.

 

Um bom exemplo do incentivo que se dá aos autores, pode ser visto com o caso de Mike Mignola, que demonstrou um talento muito característico em sua criação Hellboy. Seu estilo obscuro cria uma identidade própria e uma atmosfera única para sua criação, admirada por fãs do mundo inteiro, porém pouco conhecida no Brasil. Apesar de argumentos e temas não muito originais, o personagem traz uma série de elementos literários, criado livremente por uma mescla de drama, fantasia e terror.

 

Basicamente se trata de um anti-herói, na forma de um demônio trazido à Terra em uma experiência nazista. É isso mesmo. No começo do filme (baseado com extremo cuidado no comic Seed of Destruction), presenciamos o experimento dos alemães (conhecidos aqui também por sua fixação pelas ciência ocultas). Liderados pelo monge russo imortal Rasputin, em 1944, o exército de Hitler abre um portal para uma dimensão desconhecida, onde estão aprisionados os Deuses do Caos. No entanto, o experimento não dá certo, graças a intervenção de soldados americanos.

 

Em meio à catástrofe que se torna o evento, matando aparentemente Rasputin, um pequeno monstro consegue passar pelo portal. Aí vemos pela primeira vez o personagem, ainda um inofensivo e pequeno demônio vermelho. Embora os americanos queiram matá-lo, o professor Bruttenholm (John Hurt), expert em paranormalidade, decide criá-lo como filho.

 

Não deixa de ser evidente nestes primeiros 15 minutos a grande influência do escritor H.P. Lovecraft. Conhecido pelos mais eufóricos como mestre do indizível, o escritor americano teve uma importância incontestável na literatura fantástica mundial. Suas obras influenciaram escritores como Stephen King, Clive Barker e, ao que parece aqui, Mignola. Ponto muito bem captado pelo diretor Guillermo Del Toro. As abundantes referências aos famosos "Mitos de Cthulhu" provam essa inspiração, principalmente nas criaturas e fenômenos paranormais encontrados no desenrolar da história.

 

Após apresentação do passado dos personagens, o filme chega aos dias atuais, quando Hellboy é um funcionário do FBI, num centro de investigação paranormal, combatendo o mal e defendendo ao humanidade. Com esse trabalho, torna-se natural encontrar Rasputin, que não apenas está vivo, mas planejando o apocalipse por meio dos mesmos Deuses do Caos que iria trazer para esta dimensão, há 60 anos. Para detê-lo, Hellboy contará com a ajuda de um homem-peixe telepata, Abe Sapien (corpo de Doug Jones e voz de David Hyde Pierce), e a pirocinética Liz Sherman (Selma Blair).

 

O importante ressaltar aqui é o cuidado do diretor Guillermo del Toro ao preservar a visão original do autor, não apenas na forma gráfica como na narrativa, respeitando a personalidade pitoresca dos personagens e suas relações. Porém, a melancolia sempre presente nas histórias em quadrinhos, como alegam tanto os fãs, deu lugar a um sentimentalismo barato, que desmerece um pouco o trabalho dos atores.

 

Há quem diga que Hellboy não é um HQ de ação, e sua adaptação para um filme do gênero sacrifica certos elementos, como ritmo e tom, nas mãos frenéticas de Del Toro. Estilo que pode ser visto em seu filme Blade II, tal como os seus erros. Apesar de entreter, os efeitos especiais são pouco realistas e o roteiro é fraco, dando ao filme um ritmo irregular. Graças também, claro, ao argumento pouco original do próprio HQ.

 

Outro ponto importante na análise do filme é o desconhecimento de grande parte do público brasileiro sobre a história do personagem. Afinal, devido à escolha da Dark Horse Comics, liberdade criativa além da idéia comercial, a audiência de seus produtos é limitada. Esse é o preço. Muito diferente do que acontece com suas rivais DC e Marvel, com seus amplos investimentos em distribuição e publicidade. Um filme essencialmente para fãs.

Rodrigo Zavala


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