Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças

Ficha técnica

  • Nome: Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças
  • Nome Original: Eternal Sunshine of the Spotless Mind
  • Cor filmagem: Colorida
  • Origem: EUA
  • Ano de produção: 2004
  • Gênero: Drama, Comédia
  • Duração: 108 min
  • Classificação: 14 anos
  • Direção: Michel Gondry
  • Elenco: Jim Carrey, Kate Winslet

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Crítica Cineweb

19/07/2004

Com um dos títulos mais complicados e improváveis, vem um dos melhores filmes do ano. Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças é mais um roteiro de Charlie Kaufman, o homem que inventou Quero Ser John Malkovich e Adaptação, entre outros. Portanto, lá vem uma boa dose de originalidade, em um roteiro criativo e com uma estrutura que mais parece um labirinto em forma de espiral. Perto de Brilho Eterno, os demais filmes dele mais parecem obras do neo-realismo.

Em mais um dia aparentemente comum em sua vida, Joel (Jim Carrey) acorda e vai pegar o trem para o trabalho. Enquanto está na plataforma, decide que vai matar o dia de trabalho e pega o trem para Montauk. Lá ele conhece Clementine (Kate Winslet), uma bela estranha que lhe chama a atenção. Os dois fazem várias coisas bobas que casais fazem quando estão apaixonados. É visível que existe um grande potencial para dar tudo certo entre o casal. Por isso, é meio desorientador quando, após os créditos, ela passa por ele três dias depois agindo como se nunca tivessem se conhecido.

E, na verdade, nunca se conheceram mesmo - pelo menos na cabeça de Clementine. Joel descobre que sua amada utilizou os serviços da Lacuna Inc, uma empresa especializada em apagar a memória das pessoas. Não tudo, apenas aquilo que é indesejado. Clementine deletou Joel por completo de seu cérebro. Numa atitude de vingança radical, ele procura pela mesma empresa, para fazer o mesmo procedimento: apagar ela de sua memória.

Joel terá sua mente mapeada pelo Dr Howard Mierzwiak (Tom Wilkinson) que marcará todos os pontos onde há indícios de Clementine e depois, à noite, enquanto ele dorme, Stan (Mark Ruffalo) e Patrick (Elijah Wood, o eterno Frodo de O Senhor dos Anéis) irão à casa do paciente e usando um apetrecho que mais parece uma touca de cabeleireiro terminarão o serviço. Tudo daria certo, não fosse pelo fato de Joel mudar de idéia no meio do procedimento. Ele percebe que ainda há muitas lembranças boas de sua ex-namorada e não quer perdê-las.

Misturando um humor afiado com muita melancolia e algumas questões existencialistas, o roteiro de Kaufman vai sendo construído - e confundindo o espectador - aos poucos. Nada é o que parece ser, e tudo no fim faz sentido. Cena a cena, o filme vai se auto-referindo, mostrando a importância do evento anterior. É impossível e desnecessário resumir a história cronológicamente porque, no fundo, a relação entre Joel e Clementine não tem fim nem começo.

E apesar de toda essa complicação, o que mais funciona no roteiro é o seu teor emocional. Kaufman já é um veterano em entrar na cabeça das pessoas - basta dar uma olhada em Quero Ser John Malkovich, em que boa parte da história acontece dentro do cérebro do ator. Mas aqui, ele vai além discutindo temais mais filosóficos. Embora Joel e Clementine tenham indas-e-vindas reais e imaginárias, o que fica mais em evidência é a necessidade que o ser humano sente de companhia, de amar e se sentir amado.

Carrey mais uma vez mostra que pode ser muito mais ator do que suas comédias-pastelão requerem. Ele faz um Joel melancólico, depressivo e perdido na vida. O completo oposto do personagem de Kate. Clementine é cheia de vida, extrovertida, algo selvagem. Não é à toa que os dois acabam se apaixonando de novo e de novo - afinal, como dizem, os opostos se atraem. Mas o mais interessante é ver Carrey num papel à la Kate Winslet e vice-versa.

O time de coadjuvantes, a maioria funcionários da Lacuna Inc., também trabalha construindo os personagens à medida que o roteiro avança. O destaque fica para Kirsten Dunst (a Mary Jane de Homem-Aranha) que tem um papel pequeno, mas fundamental para a conclusão da trama. A fotografia de Ellen Kuras (constante colaboradora de Spike Lee) que acentua os tons frios e a inspirada trilha sonora de Jon Brion (Embriagado de Amor) só acentuam a melancolia da história.

O diretor francês Michel Condry já é um veterano dos filmes de Kaufman. Seu primeiro longa foi Natureza Quase Humana - lançado diretamente em home vídeo no Brasil - que teve roteiro do mesmo escritor. O cineasta mostra segurança, principalmente quando trabalha com um material tão complexo.

O título do filme vem de uma estrofe do poema "Eloisa to Abelard", de Alexander Pope, de uma parte em que Eloisa lamenta o trágico final de seu romance. Ela diz que um amante tem de fazer diversas coisas, como amar, odiar, arrepender-se, até dissimular, mas nunca esquecer-se. E é isso que o filme prova - que a memória dolorosa de qualquer experiência ainda é melhor do que nunca ter experimentado.

Alysson Oliveira


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