Adanggaman

Ficha técnica

  • Nome: Adanggaman
  • Nome Original: Adanggaman
  • Cor filmagem: Colorida
  • Origem: Costa do Marfim
  • Ano de produção: 2000
  • Gênero: Drama
  • Duração: 90 min
  • Classificação: Livre
  • Direção: Roger Gnoan M'Bala
  • Elenco: Rasmane Ouedraogo

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Crítica Cineweb

28/06/2004

Não foram poucos os filmes que retrataram as infâmias praticadas durante a escravidão dos negros africanos. Seja nos Estados Unidos (Amistad), na França (Le Courage des Autres) e, mesmo no Brasil (Chica da Silva, Quilombo), diretores mostraram não apenas a revolta de povos inteiros, mas todo o contexto indiferente e violento da sociedade da época.

Agora é a vez do diretor da Costa do Marfim, Roger Gnoan M'Bala mostrar cruamente as relações entre diferentes tribos africanas do final do século XVII. Ele investe na reconstituição histórica a partir de um idílio amoroso entre uma guerreira amazona e um escravo, numa linha tênue entre o documental e o ficcional.

Tudo começa quando, em um vilarejo da costa oeste africana, Ossei se recusa a casar com a filha de um importante chefe tribal. Apaixonado por uma escrava, percebe que a única forma de se manter livre do arranjo do pai é fugir de sua casa. No entanto, Ossei é obrigado a voltar ao perceber que sua aldeia foi invadida pelo exército de amazonas de Adanggaman, uma espécie de imperador da região. Os que não foram assassinados são aprisionados e considerados escravos para servir ao tirano e serem vendidos aos brancos.

De fato, as práticas escravagistas tribais recriadas por M'Bala são ainda temas tabus, cerne de polêmicas mesmo nos livros de história. O francês Christian Richard percebeu essa controvérsia ao lançar, em 1983, o Courage des Autres. Apesar da participação do Instituto Africano de Estudos Cinematográficos, pôde sentir o mal-estar causado pela constatação do escravagismo gratuito, pré-existente no continente. Qualquer erro ao tratar do tema, portanto, pode ser fatal.

No entanto, M'Bala mostra em seu filme uma excelente discussão sobre o assunto, se apoiando em uma forte e instigante trama. Mais do que isso, o diretor explora os recursos que possui de forma acertada, principalmente na qualidade das cenas, do jogo de câmera e nos excelentes diálogos, em que o simbolismo e a metáfora aparecem com força. Nesse sentido, ele soube utilizar as passagens sem jamais ser decorativo. Pontos que agregam valor ao filme, exorcizando a idéia de ser apenas um trabalho exótico.

E quem espera um final feliz de Adanggaman terá suas expectativas negligenciadas. A mutilação secular do continente não poderia ser dimensionada em um romance. Mesmo assim, o diretor dá voz aos desesperados e dominados; idéias de liberdade que afloram daqueles que sofreram e aos seus descendentes que trazem a história como herança. Por isso, a dedicatória deve ser e é enfática: "Aos negros que sofreram com as correntes e aos seus filhos e netos que carregam as cicatrizes."

Rodrigo Zavala


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