Leis da Atração

Ficha técnica


Avaliação do leitor

PéssimoRuimRegularBomÓtimo 0 votos

Vote aqui


País


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

21/06/2004

A comédia romântica hollywoodiana é um gênero que passa por uma crise séria. E Leis da Atração, de Peter Howitt, não é a produção que dará novo fôlego ao gênero. Fazer um filme desses, protagonizado por advogados é, no mínimo, um desafio, ao qual o cineasta não respondeu à altura. Na verdade, tudo nesse longa incorpora os piores clichês do cinemão americano, aqueles que todo mundo já viu um milhão de vezes e por isso perderam a graça e o charme.

Desde os créditos iniciais, com imagens de Nova York sempre apressada, que nunca pára, já é possível 'adivinhar' qual caminho o filme vai tomar. Audrey Woods (Julianne Moore) é a melhor advogada especialista em divórcio, fria e calculista, que nunca perdeu um caso - isso é repetido à exaustão. Porém, antes de entrar numa audiência, mostra que não é tão confiante assim, trancando-se no banheiro e devorando, feito louca, um pacote de doces.

Depois de recomposta, parte para o ataque. A vítima do dia é Daniel Rafferty (Pierce Brosnan), outro integrante do time dos melhores advogados especialistas em divórcios que nunca perderam um caso - isso também é repetido ad nauseam. Aparentemente é possível haver mais do que um único melhor-advogado-especialista-em-divórcio na mesma Nova York - e Audrey nunca ouviu falar dele. Os dois se encontram na corte, há o inevitável choque inicial, mas a platéia desde o início sabe de uma coisa que eles levarão infindáveis 87 minutos para aceitar: foram feitos um para o outro.

Quando nos créditos de filme constam os nomes de cinco roteiristas -principalmente quando esse filme não é um épico-histórico de quatro horas mas uma comedinha romântica corriqueira - boa coisa não está por vir. A principal 'batalha' entre Audrey e Daniel é o divórcio entre duas celebridades, um roqueiro e uma estilista, que disputam o castelo do casal na Irlanda.

Tentando se desvencilhar de sua persona 007, Brosnan investiu em um gênero - como ator e produtor executivo - em que suas limitadas táticas de interpretação não funcionam. Aqui ele não conta com o 'irresistível charme' de James Bond que consegue todas as mulheres, e é difícil acreditar que alguém o levaria a sério num tribunal. Ele não tem mesmo aquele timing para a comédia romântica. Afinal nem todo mundo é Cary Grant.

Mas de todos os vexames de Leis da Atração, o maior é ter Julianne Moore no elenco. Quando ela aceitou participar deste filme devia estar sob o mesmo transe em que estava quando fez Evolução, em 2001. Esse é o tipo de papel que qualquer atriz em começo de carreira pode fazer, não requer prática, nem tampouco habilidade. Uma talentosa atriz que brilhou recentemente em filme como As Horas e Longe do Paraíso merece e pode muito mais. Ao menos um roteiro inteligente.

O diretor Peter Howitt já havia feito outras comédias românticas que exploravam outros clichês, inclusive aquele que reza que Gwyneth Paltrow deve fazer papel de inglesa e forçar um sotaque britânico - vide De Caso com o Acaso-, mas isso com certo charme. Agora, ele tenta provar aquela velha lei segundo a qual 'os opostos se atraem', mas, parece que não notou que seus protagonistas são idênticos, não têm nada de opostos. Talvez esteja na hora de Hollywood rever as leis da atração - ou as leis da comédia romântica mesmo.

Alysson Oliveira


Deixe seu comentário:

Imagem de segurança