O Dia Depois de Amanhã

Ficha técnica


Avaliação do leitor

PéssimoRuimRegularBomÓtimo 2 votos

Vote aqui


País


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

25/05/2004

Um estudo realizado pelo Departamento de Defesa dos Estados Unidos pintou um cenário aterrador sobre o futuro do planeta. Enquanto grande parte do hemisfério norte estará sob a neve, com temperaturas siberianas, o hemisfério sul será assolado por epidemias, chuvas torrenciais e guerras que irão dizimar grande parte da população mundial. Tudo isso causado pelo gradual aquecimento global.

Nem mesmo ambientalistas mais radicais poderiam pintar um quadro tão tenebroso para os próximos 20 anos. Mas nada que a indústria cinematográfica não possa aproveitar para mais um dos tão caros filmes-catástrofes americanos. E uma boa prova do que poderá ocorrer caso as suposições do relatório sejam verdadeiras está na mais nova produção de Roland Emmerich, diretor de filmes como Stargate, Godzilla e Independence Day.

O princípio dominante de O Dia Depois de Amanhã parece ser mesmo o de destruição em massa e coletiva. Emmerich já o tinha experimentado com Independence Day, ao sugerir uma invasão alienígena que romperia fronteiras, criando uma nova civilização a base da cooperação mútua. Muito embora se perceba um ufanismo exacerbado em sua produção de 1996, os espectadores se encantaram com a excelente produção de seu trabalho. A qualidade do produto final era superior à dos filmes da época, mostrando um diretor competente e obcecado por efeitos especiais.

Em seu mais recente trabalho, a história se repete. Quando tenta mostrar um mundo em completa transformação, Emmerich não mede esforços para criar uma atmosfera sombria, sem abusar do sensacional ou de clichês emocionais. Tudo é como vai acontecer, não importa quem sofra, não importa quem morra - não há salvação.

Tudo começa quando o climatologista Jack Hall (Dennis Quaid) descobre que uma grande calota de gelo se partiu na Antártida. Com a salinidade do mar reduzida pelo derretimento do gelo polar, as correntes que levam água quente para o hemisfério norte param. Com isso, todo o tipo de mudança climática começa a acontecer, levando o planeta a mais uma era glacial.

Enquanto um horda de migrantes vai em direção ao Sul, Hall enfrenta as mais terríveis intempéries para buscar seu filho em Nova York, antes que ele e seu grupo de amigos morra de fome e frio. Essa esperança de salvá-lo dá ao filme um dos poucos ingredientes positivos, já que a impotência perante os acontecimentos é plena.

O Dia Depois de Amanhã pode ser visto como uma obra que segue três preceitos básicos: informação, educação e entretenimento. A informação se baseia na questão do aquecimento global; a educação no fato de que é preciso fazer algo antes de que isso ocorra - além da percepção de que os americanos fizeram com grande acerto a lição de casa sobre efeitos especiais. Resta o entretenimento, que se reflete na diversão trazida por Emmerich durante pouco menos de duas horas.

O filme também traz uma fina ironia aos próprios americanos, mostrados muitas vezes como os grandes vilões sobre tudo aquilo que se vê. O Protocolo de Kyoto é apenas um dos assuntos discutidos na trama. Mas, um dos fatos mais cômicos da produção pode ser visto na tentativa desesperada de americanos de cruzar a fronteira do México. Ilegalmente, é claro.

Rodrigo Zavala


Deixe seu comentário:

Imagem de segurança