O Outro Lado da Rua

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Crítica Cineweb

24/05/2004

Este primeiro filme de Marcos Bernstein chega às telas carregado de ótimas credenciais, não só as suas, como co-roteirista de Central do Brasil e Terra Estrangeira, mas também de um elenco de monstros sagrados, como Fernanda Montenegro, Raul Cortez e Laura Cardoso.

Atriz mítica, Fernanda Montenegro contém sua presença poderosa na tela, confinando-a aos limites de Regina, a protagonista sexagenária. Sozinha num apartamento de Copacabana, bairro cheio de idosos, ela mora apenas com o cachorro. No dia-a-dia, pouco rompe a estreiteza de seus contatos humanos, mantidos ainda mais enxutos por sua opção (nunca explicada) em não mais falar com o ex-marido, que vive com o filho. No máximo, às vezes vai buscar o neto na escola, entregando-o na porta do apartamento que ela nunca visita.

Nos contornos de credibilidade definidos por Fernanda, essa Regina nunca parece menos do que humana, por mais exóticas que pareçam suas opções. Espiã habitual da vida alheia com um inseparável binóculo, com a desculpa de um mandato como informante ocasional da polícia, uma noite ela julga ver um vizinho do prédio da frente (Raul Cortez) assassinando a própria mulher com uma injeção.

Aí começa a grande história de sua vida e do filme. Regina enfrenta o descrédito do delegado, que não encontra provas contra o juiz Camargo - o suposto assassino. Então, ela mesma toma as rédeas da investigação, envolvendo-se com o objeto de sua suspeita.Gradativamente, o filme afasta-se deste registro que remete a Janela Indiscreta, de Hitchcock, tornando-se uma espécie de Não Amarás (de K. Kieslowski).

O filme é corajoso ao apresentar dois protagonistas septuagenários nessa situação amorosa, enfrentando o preconceito geral contra o amor na terceira idade - e, como todos os preconceitos, ridículo. E a história mergulha mais fundo na densidade das escolhas e na inevitabilidade das opções. É um filme simples, mas não simplista. E nisso residem a sua grande dignidade e atração.

Neusa Barbosa


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