Sem Notícias de Deus

Ficha técnica


Avaliação do leitor

PéssimoRuimRegularBomÓtimo 0 votos

Vote aqui


País


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

22/04/2004

Não é de hoje que o céu e o inferno estão em guerra. Nessa comédia digida pelo espanhol Augustín Díaz Yanes, os dois mundos lutam pela alma de um boxeador decadente que está a um passo de entrar na marginalidade. Para ganhar a batalha, são enviados dois anjos: Lola Nevado (Victoria Abril), vinda do céu e Carmen Ramos (Penélope Cruz), vinda do inferno.

Lola, uma cantora do paraíso, que outrora conheceu a fama e enfrenta uma perda de seus fãs, se disfarça de mulher do boxeador Manny (Demián Bichir, de Sexo, Pudor e Lágrimas), enquanto Carmen se faz passar por prima do rapaz. Enquanto isso, os gerentes-operacionais do céu Marina D'Angelo (Fanny Ardant) e do inferno (Gael Garcia Bernal) vão dando as instruções aos seus enviados, pois para ambos é muito importante conseguir ficar com o boxeador. Só não pergunte o porquê, pois isso o filme nunca explica direito.

Apesar do começo e da idéia promissora, esta comédia caminha para um desfecho convencional e mal explicado. Só depois de quase uma hora de filme, o diretor e roteirista parece notar que ele precisa de uma boa razão para que a alma do rapaz seja tão importante para o paraíso e o inferno. Mais aí já é tarde demais, e o filme não consegue mais se sustentar. Por culpa disso, diálogos e situações inspiradas perdem a graça e tornam-se cada vez mais banais.

Deixando tudo mais complicado - e não complexo, como pretendia - Yanes começa a jogar referências teológicas, filosóficas, cinematográficas e musicais a esmo. Com isso, Sem Notícias de Deus tenta ao mesmo tempo divertir e fazer pensar. Acaba até sendo engraçado em alguns momentos, mas nunca provoca discussões. Porém, o diretor merece crédito por sua criação visual. O paraíso é fotografado em preto-e-branco numa Paris dos anos 30 de um filme romântico. Já o inferno é mais superpovoado do que o extinto Carandiru.

O roteiro foi concebido para as duas atrizes e elas estão perfeitas em seus papéis. Penélope até consegue se sair bem meio masculinizada (e isso tem uma explicação, uma das poucas coisas que convencem no filme), principalmente quando não precisa falar inglês - ou seja, quando está na Terra, porque a língua oficial do inferno é o inglês. Victoria, que como sempre mostra um timing perfeito para a comédia, canta, dança e dá um show. Nos papéis dos chefões do céu e do inferno, Fanny e Bernal estão praticamente desperdiçados, limitados a meros coadjuvantes.

Sem Notícias de Deus foi indicado a onze Goyas (o Oscar espanhol), entre eles melhor filme, diretor, atriz (Victoria) e ator coadjuvante (Bernal), mas não ganhou nenhum.

Alysson Oliveira


Deixe seu comentário:

Imagem de segurança