Em Carne Viva

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Crítica Cineweb

22/04/2004

Meg Ryan procura se reinventar, depois de atravessar um turbilhão pessoal que incluiu um rumoroso caso extraconjugal com Russell Crowe (nas filmagens de Prova de Vida, 2000), seguido pelo divórcio do marido de vários anos, Dennis Quaid - ator que, depois da separação, tomou um surpreendente novo ímpeto na carreira.

Não foi o mesmo que ocorreu com Meg, que parece ter pago sozinha o preço do escândalo - talvez por ter ousado contrariar na vida real a imagem de boa moça das telas, verdadeira Doris Day dos tempos modernos. Por toda esta bagagem, curiosamente, é que a atriz de 42 anos revela-se apropriada para o papel da protagonista deste suspense, que explora os limites do perigo e do desejo - e de como eles se articulam tão de perto às vezes.

Não é material original de Jane Campion que nutre a história - ela adapta o livro de Susanna Moore. Mas com certeza a diretora-roteirista neozelandesa trilha território conhecido, aquela situação existencial que Caetano Veloso descreveu um dia assim: "A gente não sabe nunca onde colocar o desejo". Campion explora o mistério da psique feminina diante da sexualidade, aqui contando com um contexto de solidão e risco mortal.

Um assassino em série, especializado em desmembrar os corpos de mulheres jovens, está à solta em Nova York. Um pedaço da última vítima apareceu na lixeira do prédio em que mora a professora de literatura Frannie Averey (Meg). Uma quarentona urbana típica - independente na carreira, insegura no amor, insatisfeita em ambos. Passa a vida oscilando entre casos com homens complicadíssimos e o flerte à distância com alunos da escola secundária em que leciona.

O laço afetivo mais consistente de Frannie é uma meia-irmã, Pauline (Jennifer Jason Leigh), de comportamento muito mais liberal, mas que também não vai muito bem nos relacionamentos amorosos. De repente, surge na vida de Frannie um vínculo com o policial Giovanni Malloy (Mark Ruffalo), investigador dos assassinatos em série. Acontece que ele pode ser o assassino, por causa de um detalhe do conhecimento da professora.

Na pele desta mulher sedenta de paixão, Meg Ryan arrisca-se bem mais longe do que as heroínas adocicadas de Sintonia de Amor (1993) e Mensagem para Você - inclusive mostrando-se num muito rápido e pudico nu. Como toda mudança, há o risco de o público não aceitar. Ou ficar pensando como seria o filme, se protagonizado por Nicole Kidman, como era previsto (no final, Nicole ficou só na produção executiva). Mas quem não se abalar por isto, pode encontrar várias qualidades neste trabalho - embora não seja o melhor de Jane Campion. A parte final, especialmente, deixa bastante a desejar.

Neusa Barbosa


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