Bem-Vindo à Selva

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Crítica Cineweb

01/04/2004

Pode-se falar muita coisa sobre Bem-vindo à Selva. O espectador pode chegar à conclusão, ao fim da sessão, que se trata apenas de um amontoado de clichês, um punhado de cenas de ação, ao lado de atuações medianas e um roteiro pobre. De fato, esse tipo de classificação acompanha grande parte dos filmes do gênero, muito similares uns aos outros, previsíveis e que abusam de situações improváveis, como por exemplo, a invencibilidade do protagonista.

No entanto, o caso aqui se torna um pouco mais complexo. Não se pode afirmar que a performance dos atores seja mediana. A trama em si, não pede isso ao elenco, que apenas deve possuir certo carisma para encantar o público alvo: os adolescentes. The Rock, Seann William Scott e Rosario Dawson possuem cada um seu atrativo particular, muito bem explorado no filme. Mesmo o veterano Christopher Walken, que se tornou ídolo teen americano, chamado até de "rei do cool", depois de protagonizar Weapon of choice, clipe do músico Fatboy Slim, mostra que pode falar com qualquer público.

The Rock, por exemplo, interpreta Beck, um especialista em resgates arriscados, capaz de vencer um time inteiro de futebol americano desarmado. Com essas notórias qualidades, é contratado por um mafioso em uma arriscada missão: salvar o apatetado Travis (Scott) que enfrenta problemas para encontrar um tesouro valioso no coração da Amazônia. Explora-se aí o que o público quer ver, os músculos de The Rock e a capacidade humorística de Scott.

Quando chega à floresta, no Brasil, Beck se depara com o vilão Hatcher (Walken), que domina a região empregando trabalhadores no garimpo. Como está interessado nas descobertas de Travis, ele não permite que Beck siga seu plano. Paralelamente a isso, Mariana (Dawson), participante de um grupo rebelde ao poder de Hatcher, chama a atenção por seus evidentes atributos físicos e consciência social. Ela também quer obter o tesouro para salvar seu povo oprimido pelo vilão. Sem dúvida o desenrolar da história é previsível e contém todos os ingredientes de um filme de ação bastante banal.

No entanto, são os pequenos detalhes que dão a Bem-vindo à Selva sua chance de salvação. Apesar da indiscutível vacuidade da trama, o filme possui inúmeras qualidades técnicas e em seu roteiro, que está bem longe de ser pobre. As seqüências aéreas, a fotografia, o fato de as pessoas realmente falarem português no Brasil (tudo dublado, obviamente), golpes genuínos de capoeira, a idéia politicamente correta de falar sobre a degradação humana dos garimpeiros, e uma série de boas piadas, dão a ele tudo o que precisa para se tornar interessante e divertido.

Além disso, o filme conta também com certas surpresas agradáveis, como a aparição relâmpago de Arnold Schwarzenegger, em uma transparente alusão ao que chamamos de "passar o bastão" (como se entregasse o papel de paladino das produções de ação para The Rock). Outro ponto positivo para o filme é a ponta de luxo do ator escocês Ewen Bremner (Trainspotting), com seu sempre muito bem-vindo humor, quase caricato. E é justamente o ator que recebe The Rock na floresta. Não poderia ser melhor sua recepção.

Rodrigo Zavala


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