Benjamim

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Videoclipe de "Alegria", dirigido por Monique Gardenberg


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Crítica Cineweb

30/03/2004

A única unanimidade indiscutível neste filme, baseado no romance de Chico Buarque de Holanda, é a atriz- revelação Cléo Pires, a filha de Glória Pires e Fábio Jr. que estreou com a força de um furacão. Morena, miúda, sensual e fotogênica, Cléo assume um duplo papel com impressionante naturalidade e contornos psicológicos ambíguos dignos de uma musa nelsonrodriguiana. Ela é Castana Beatriz, fantasma do passado do ator de comerciais Benjamim (interpretado na velhice por Paulo José). No tempo presente, ela vive a jovem Ariella, funcionária de uma imobiliária e casada com um policial (Guilherme Leme) aleijado depois de um tiroteio.

A fixação amorosa de Benjamin pela moça, que em sua cabeça é a imagem viva da Castana que ele perdeu tragicamente no passado, é a parte consistente da história, amparada pela interpretação sólida de um Paulo José como sempre impecável. O mesmo não se pode dizer do Danton Mello que interpreta Benjamim na juventude. Ainda assim, não está nas interpretações a falha do filme e sim no roteiro e na direção.

Um bom exemplo é o envolvimento de Castana Beatriz na militância política clandestina no período da ditadura militar, que entra na história de sopetão, prejudicando a credibilidade de um detalhe que é fundamental a todo o desenrolar da trama e está no centro da obsessão e da culpa de Benjamim em relação a esta mulher. Há também exageros no uso da trilha sonora, com a música sempre no volume máximo, apesar da boa escolha dos temas do período retratado, nos anos 60 - Um Homem, Uma Mulher, de Francis Lai, Years of Solitude, de Astor Piazzolla, e Ne Me Quittes Pas, de e com Jacques Brel, entre outras. Nessas horas, em que ficam expostas essas fragilidades ocasionais do roteiro e alguns excessos de tom, o filme rema contra si mesmo.

Ainda assim, não lhe faltam qualidades e não será a menor delas abordar a temática da repressão da ditadura e a violência impune de grupos paramilitares e policiais que faziam e fazem justiça com as próprias mãos. É muito bom ver temas como esses lembrados com a devida veemência.

Neusa Barbosa


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