Intervenção Divina

Ficha técnica

  • Nome: Intervenção Divina
  • Nome Original: Intervention Divine
  • Cor filmagem: Colorida
  • Origem: França
  • Ano de produção: 2002
  • Gênero: Drama
  • Duração: 100 min
  • Classificação: 14 anos
  • Direção: Elia Suleiman
  • Elenco: Elia Suleiman, Manal Khader

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Crítica Cineweb

23/03/2004

O filme palestino Intervenção Divina, de Elia Suleiman, causou surpresa no Festival de Cannes/2002, onde venceu o Grande Prêmio do Júri e da Federação Internacional dos Críticos. Por seu humor cáustico, o filme lembra a contundência do melhor cinema da antiga Iugoslávia para abordar temas políticos candentes. Suleiman, que também atua no filme, enfileirou uma sucessão de esquetes, em boa parte sem diálogos mas dotados de uma eloqüência poderosa na imagem, que lembra muito o estilo de Jacques Tati, só que num registro completamente diferente.

Estes esquetes mostram uma série de conflitos, a princípio singelos, entre vizinhos, em torno de situações corriqueiras, como jogar lixo no quintal alheio ou estacionar carros na porta da garagem de alguém. Em nenhuma das disputas, todas entre palestinos, se procura uma saída pacífica. A alternativa é sempre o confronto, a agressão, aquilo que numa delegacia brasileira ganha o nome muito apropriado de "desinteligência". Daí, um arremessa de volta os sacos de lixo jogados pelo vizinho, o outro arranca a placa do carro que parou na sua porta e por aí vai. Em outras palavras, Suleiman também não se furta a fazer uma autocrítica do espírito belicoso de seus próprios compatriotas, uma mensagem velada de que eles também estão fazendo sua parte na manutenção do atual estado de guerra contra os judeus.

Quando os israelenses entram em cena, é de se esperar que a temperatura suba muito. Os soldados judeus são, é claro, impiedosamente ridicularizados em seu apego à burocracia, à hierarquia e ao seu recurso a uma força armamentista crescente. A seqüência mais audaciosa mostra um grupo de soldados israelenses, com armas pesadas, executando uma coreografia, como se seus atos não passassem de um show. Uma bela jovem palestina (Manal Khader) coloca-se em carne e osso no lugar do alvo que eles miram, voando e desviando-se magicamente da quantidade insana de projéteis que se acumulam à sua volta.

Neusa Barbosa


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