Amor Sem Fronteiras

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Crítica Cineweb

23/03/2004

A reflexão artística dos cineastas quando se trata de tragédias reais é geralmente vista com suspeita por parte da crítica e do público. E a dúvida sempre é bem-vinda ao se falar de produções não-documentais, que levam o espectador a uma via única de lágrimas e um silencioso sentimento de impotência ao término da sessão. Afinal, na tentativa de romancear dramas genuínos, roteiristas não poupam recursos para descrever acintosamente o sofrimento das vítimas, sejam elas quem forem.

No entanto, a habilidade de entremear ficção e realidade ao ponto em que a parede entre ambas desapareça, sem perder a emoção e as belas imagens, ainda é uma qualidade rara entre os diretores. Um bom exemplo do gênero veio em 2001 do Irã: o sensível A Caminho de Kandahar, de Mohsen Makhmalbaf. Poucas produções conseguiram alcançar um nível tão grande de qualidade como a do cineasta iraniano, que mostrou a sangue quente o pesadelo das mulheres afegãs sob o jugo obscurantista do Talebã. Mais do que belo, foi necessário.

No outro lado encontramos filmes como Amor sem Fronteiras. O romance banal e superficial entre os protagonistas Sarah Jordan (Angelina Jolie) e Nick Callahan (Clive Owen) serve como pano de fundo para retratar o drama dos refugiados de guerra, seja na África, no Camboja ou na Chechênia. Assim, o filme ganha a pretensão de mostrar como Ocidente tem sido escandalosamente omisso frente ao caos social causado por políticas humanitárias grosseiramente errôneas e devaneios acadêmicos de cientistas sociais.

Dividido como um drama em três atos, a produção mostra as três viagens de ajuda humanitária realizadas por Sarah, que deixa sua confortável vida em Londres para se dedicar pessoalmente a empreitadas sociais internacionais. Em meados da década de 80, vai à África distribuir alimentos e remédios aos refugiados de guerras tribais - onde conhece e se apaixona platonicamente pelo benfeitor Nick, que cuida dos acampamentos. Nos anos 90, parte em busca de Nick, que está no Cambodja, ajudando as vitimas do Khmer Vermelho. E finalmente, no final da década de 90, para a Chechênia, onde rebeldes mantêm Nick como prisioneiro.

E é nesse contexto tão trágico que o diretor Martin Campbell (A Máscara do Zorro, 007 Contra GoldenEye) cria a principal falha do filme. Se o seu objetivo foi mostrar o sofrimento humano em diversos lugares do mundo, a inclusão de uma forçada trama romântica soa barata, pois os recursos simplórios utilizados para isso traem a mensagem inicial. Na pior das hipóteses, o filme pretendia ser um drama romântico, desenvolvido em um nebuloso marco de organizações mundiais de ajuda humanitária. Qualquer que seja o caso, os ideais dos personagens ficam muito jogados e irrelevantes, frente ao óbvio sofrimento real mostrado na tela.

Exemplo claro se dá quando Sarah visita a Etiópia junto a Nick. É evidente que estamos assistindo a dois consentidos atores milionários dentro de uma multidão de famintos, carente das mais básicas necessidades humanas. Isto é, simplesmente parece não ter existido qualquer trabalho com os atores para descolar a idéia de que vemos uma modelo e uma espécie de Indiana Jones do Terceiro Setor tentando salvar milhares de pessoas. Nesse ponto, chega a ser constrangedor - para não dizer ofensivo - uma reconstituição da famosa foto de Kevin Carter (ganhadora do prêmio Pulitzer em 1993), na qual um abutre espreita um criança faminta no sul do Sudão.

Angelina Jolie, que há muito não recebe um papel razoável, mais uma vez se envolve em uma produção irregular e deficiente. Uma situação infeliz, pois como se viu em Gia - Fama e Destruição e Garota Interrompida, o que não falta é beleza e potencial.

Rodrigo Zavala


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Comentários:
  • 11/11/2010 - 14h52 - Por Marciana Ameiii o filme muitoo bom,um filme muito enteressante de se ver ,fome,miséria,problemas sociais.
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