O Buquê

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Crítica Cineweb

23/03/2004

Logo nos créditos inciais, descobre-se que O Buquê não é um filme, mas sim uma fantasia, como intitula a diretora Jeanne Labrune. Esta comédia dramática francesa tem tudo que se espera de uma boa comédia dramática francesa: verborragia, diálogos inusitados e ótimos. E, claro, uma certa preocupação político-social, além de contar com excelentes atuações. Na época do lançamento do longa na França, a cineasta declarou sua preferências por fantasias.

Em uma manhã qualquer, Catherine recebe um telefonema de Emmanuel Kirsch, um ex-namorado com quem não fala há uns quinze anos. Na frente da mulher, o marido Raphaël oscila entre o ciúme e o ar blasé, mas na verdade está sendo consumido pela curiosidade de saber quem é o tal homem. Ele insiste em confundir Kirsch com o filósofo alemão Emmanuel Kant, mas é uma sábia amiga, que confessa fingir saber filosofia, que esclarece a confusão.

Enquanto isso, querendo se desculpar pelo inesperado telefonema, Kirsch decide levar um buquê de flores para a ex-namorada. Acaba deixando-o com os vizinhos, que se encarregam de armar um mal entendido envolvendo a todos. Um simples buquê de flores se transforma numa boa desculpa para a diretora brincar com os relacionamentos humanos e as possibilidades da vida.

O que facilmente poderia cair em uma comédia de erros banal, nas mãos da diretora Labrune se transforma em um simpático filme, com diálogos vigorosos e uma inspirada teia de relacionamentos e desencontros. Mesmo ao entrar em assuntos sérios, como problemas de ordem internacional, como a miséria e fome na África, e divagações filosóficas sobre existencialismo, O Buquê não perde o bom humor. É impossível não se divertir com diálogos como quando o marido diz "Seremos pobres, mas felizes", e a mulher rebate "Nem todo pobre é feliz".

Com tanto falatório, o principal trunfo nas mãos da diretora é o elenco escolhido a dedo, e com rostos bem conhecidos no Brasil. Sandrine Kimberlain (Betty Fischer e Outras Histórias) e Jean-Pierre Darroussin (Marie-Jo e Seus Dois Amores) formam o casal neurótico. Ela adora fazer análises psicológicas das pessoas, principalmente de seu marido, a quem acusa de ter "frustrações com as quais não consegue lidar".

Dominique Blanc (O Pornógrafo) foi indicada ao Cesar de atriz coadjuvante no ano passado por seu trabalho como Edith, a amiga de Raphaël preocupada com as aparências, mas que no fundo é uma boa alma. E também destaca-se Mathieu Amalric (Alice e Martin) no papel do estressado chefe de Raphaël, que vive falando da necessidade das pessoas serem flexíveis, mas que é um tremendo teimoso mimado.

O longa foi escrito pela diretora com a colaboração de Richard Debuisne, que no filme faz o papel de Kirsch, e também foi roteirista de Detetive, de Godard, entre outros. Jeanne Labrune também foi roteirista de diversos filmes, entre eles Vatel, dirigido por Rolland Joffé, e estrelado por Gérard Depardieu, Uma Thurman e Tim Roth.

Alysson Oliveira


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