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Crítica Cineweb

11/03/2004

Baseado num conto de Philip K. Dick (1928-1982) - o mesmo autor das fontes de Blade Runner e Minority Report -, o diretor John Woo criou esta história, onde as artes dominadas pelo antigo rei dos filmes de ação de Hong Kong dão claros sinais de não dar conta dos aspectos mais sutis de sua origem. Há tempos transplantado para Hollywood, Woo não tem boa mão para a ficção científica. Seu habitat são as lutas coreografadas em câmera lenta, a adrenalina das perseguições. É disso que ele nutre o filme, traindo sua veia existencial, apta a explorar o desconforto diante da civilização fundada na tecnologia.

Verdade que o protagonista não ajuda - mas isso não é desculpa. Um Ben Affleck cada vez mais monotom interpreta o engenheiro Michael Jennings, engenheiro cibernético que inventa sistemas de última geração. Um emprego bem-pago e perigoso na mesma proporção. Por conta do segredo industrial, cada vez que termina um trabalho, Michael é submetido a uma arriscada operação de apagamento parcial de sua memória recente, detalhe que transforma sua vida pessoal num zero absoluto - exceto pelo amigo Shorty (Paul Giamatti, talento desperdiçado aqui), parceiro que vigia para que o amigo não vire um vegetal.

A missão mais perigosa da vida de Michael começa no dia em que ele aceita alguns milhões de dólares em troca de entregar três anos de sua vida a um misterioso projeto da empresa Allcom, comandada por James Rethrick (Aaron Eckart). Cumprido o prazo, o engenheiro está na rua novamente. Mas ao invés do dinheiro depositado em sua conta, recebe um papel, assinado por ele mesmo, onde abre mão de todo o pagamento, e um envelope. Dentro dele, dezenove objetos. Entre eles, uma chave, um jogo de bolinhas de metal, um passe de ônibus e um papelzinho coberto de números.

Já seria bastante complicado Michael ter de descobrir a utilidade de sua pequena coleção. Mas ele começa a ser perseguido por um bando de homens que não escondem a intenção de executá-lo. A partir daí, sempre com a ajuda do dedicado Shorty, ele vai tentar esclarecer o quebra-cabeças de seu passado, em que teve um papel fundamental a cientista Rachel Porter (Uma Thurman).

Daria para montar uma outra coleção com os furos do roteiro, uma autêntica peneira de absurdos. Podia ao menos ser divertido. Não é.

Neusa Barbosa


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