Laurel Canyon - Rua das Tentações

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Crítica Cineweb

11/03/2004

Frances McDormand tem uma certa magia, capaz de hipnotizar a todos, independente do filme em que atua. Ela consegue se apaixonar de tal forma por seu papel que é impossível não simpatizar por sua personagem, mesmo que ela esteja na pele de uma mulher egoísta, como é o caso de Jane, de Laurel Canyon - Rua das Tentações.

Vagamente baseada na vida da cantora Joni Mitchel, Jane é uma espécie de anti-Elaine, papel de Frances em Quase Famosos (2000), uma mãe meio reprimida e repressora que só embaraçava seu filho diante das garotas. Desta vez, a personagem vive constrangendo seu rebento, mas pelo motivo totalmente oposto. Ela é uma bem-sucedida produtora musical, de espírito livre e liberal, que não se importa em convidar o filho para fumar um baseado, nem fazer jogos sexuais com o namorado 16 anos mais novo na frente da nora.

O filho em questão é Sam (Christian Bale), que pretende se instalar na mansão da mãe em Laurel Canyon - uma badalada rua de Los Angeles onde moram artistas, boêmios e ricaços -, junto com a noiva, Sara (Kate Beckinsale). O que eles não contavam era com o fato de que Jane, o namorado Ian (Alessandro Nivola) e sua banda também estariam lá. O casal é obrigado a dividir o espaço e a mãe liberada acaba exercendo uma forte influência sobre Sara, mudando a vida e a relação dos noivos.

O que a princípio parece ser um filme sobre os bastidores do mundo da música, acaba se transformando em um drama sobre relacionamento sexuais e familiares. Em seu terceiro longa, a diretora e roteirista californiana Lisa Cholodenko acerta durante a maior parte do tempo. Embora o longa teime em se transformar em um novelão carregado de clichês, ela mantém uma atmosfera envolvente, graças ao eficiente trabalho dos atores.

O par Bale e Kate constrói seus personagens com complexidade. Ele, um residente de psiquiatria tão neurótico que poderia ser um de seus pacientes, enquanto sua noiva, que trabalha em uma dissertação sobre o genoma das drosófilas, é uma espécie de mosca, zanzando pelos cômodos da casa e sendo influenciada por quem estiver mais perto. Por isso, não são de se estranhar as drásticas transformações pelas quais Sara passa ao longo do filme.

Uma história que tem como pano de fundo a indústria da música não pode deixar de ter uma trilha sonora de primeira. Com clássicos de Steely Dan, Roxy Music, T-Rex, Lou Reed e Elvis Costello, entre outros, Laurel Canyon tem tudo para se transformar em cult, uma espécie de Boogie Nights da indústria fonográfica.

Alysson Oliveira


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