Na Companhia do Medo

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Crítica Cineweb

03/03/2004

São poucos os atores que conseguem fugir de uma certa maldição pós-Oscar. Após receberem o prêmio, vários deles acabam mandados para o limbo dos intérpretes que não conseguem mais acertar um filme. Exemplos não faltam na história recente do cinema. Os mais notórios são Gwyneth Paltrow e Cuba Gooding Jr., mas que estão bem acompanhados de Angelina Jolie, Julia Roberts, Helen Hunt, Tommy Lee Jones, só para citar alguns. A caminho de ampliar a lista, está a bela e talentosa Halle Berry. Em seu primeiro trabalho como protagonista após o prêmio, Na Companhia do Medo, a atriz não tem a menor chance de mostrar o seu potencial, acima de tudo, por culpa de um roteiro confuso e nada original que investe em batidos clichês.

Halle é Miranda Gray, uma renomada psiquiatra que trabalha em um manicômio judiciário. Ela leva uma vida tranqüila ao lado do marido mais velho (Charles S. Dutton), que também é o diretor da instituição. Numa noite chuvosa, enquanto deixa o trabalho, é obrigada a pegar um desvio na estrada. Próximo a uma ponte, algo estranho acontece. No momento seguinte, Miranda acorda assustada e percebe estar no seu local de trabalho. Com a diferença de que não é mais uma psiquiatra, mas uma paciente trancada numa cela.

Até este momento, o filme consegue segurar um suspense razoável. Miranda é acusada de ter enlouquecido e matado o marido e, por isso está presa. No entanto, ela não se lembra de nada. Para provar a sua inocência, conta com a ajuda de Peter Graham (Robert Downey Jr.), seu ex-colega de trabalho e amante potencial.

Apesar da premissa intrigante, a partir de seu segundo ato, quando Miranda está presa, o filme se perde por completo, guiado por diversos clichês comuns no gênero e usados à exaustão em diversas produções recentes. Até a sofisticada fotografia de Matthew Labatique (que também fotografou Réquiem Para um Sonho) em tons de azul e prata é deixada de lado em favor de uma estética mais simplista. Assim como a história, abandonando o lado psicológico e apelando para o sobrenatural.

Absurdos é que não faltam. Nunca uma psiquiatra seria internada na instituição onde trabalhou, nem um xerife investigaria um crime em que a vítima e o principal suspeito são seus melhores amigos.

Não é só Halle que é desperdiçada em Na Companhia do Medo. O longa é dirigido pelo francês Matthieu Kassovitz, que já provou seu talento no contundente O Ódio e no ótimo thriller Rios Vermelhos. A idéia dos produtores Joel Silver e Robert Zemeckis era juntar o faro comercial deles com a sensibilidade artística de um cineasta europeu. Mas não funciounou. O filme é terror hollywoodiano puro, da pior linhagem, apelando para explicações tão óbvias quanto risíveis, algo digno de um Todo Mundo em Pânico.

O filme marca a volta de Downey Jr. a uma grande produção desde 2000, quando fez Garotos Incríveis. Mais um desperdício. No papel de um médico simpático, ele não tem muito o que mostrar. Embora seja de vital importância à Dra. Gray, ele está reduzido a um quase acessório. Assim como a bela música do The Who, 'Behind Blue Eyes', usada nos créditos finais.

Alysson Oliveira


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