Peixe Grande E Suas Histórias Maravilhosas

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Crítica Cineweb

17/02/2004

É raro uma grande produção hollywoodiana nos últimos tempos colocar tanta imaginação em movimento. Trata-se de uma fábula, reino ideal de Tim Burton, que já criou Edward Mãos de Tesoura e Ed Wood. Johnny Depp, que estrelou essas duas produções, aliás, teria se sentido muito à vontade aqui, no papel do jovem Edward Bloom, que é interpretado com toda a convicção e simpatia por um inspirado Ewan McGregor.

 

Mais raro ainda é que uma poderosa parafernália de maquiagem e efeitos especiais seja acionada para conjurar a presença de habitantes de uma mitologia de outros tempos, como gigantes, bruxas de olho de vidro e uma cidade-fantasma perdida numa curva do caminho. Um material que não parecia mesmo talhado a outro diretor. É, certamente, o filme mais emotivo de Burton - talvez porque não se trate de material originalmente escrito por ele (John August, o roteirista de Vamos Nessa, adapta o livro de Daniel Wallace). Sendo assim, fica um pouco mais domada a tendência burtoniana à esquisitice por ela mesma, colocando-se este retrato fiel da excentricidade a serviço de uma (ótima) história, que versa sobre a arte de contar e recontar a própria biografia.

 

No centro de tudo está um tremendo contador de histórias, Edward Bloom (Albert Finney), como um caixeiro-viajante que já rodou mais do que o mundo inteiro com sua imaginação. Quem não tem muita paciência com suas lorotas é justamente seu filho jornalista, William (Billy Crudup). Adepto da objetividade a qualquer preço, Will não agüenta mais ouvir do pai como um grande peixe inalcançável engoliu e depois devolveu sua aliança de casamento; seu encontro com um gigante e com um bando de sereias; sua experiência numa cidade-fantasma; seu enfrentamento com uma bruxa capaz de enxergar como cada um irá morrer (Helena Bonham Carter); seu trabalho num circo comandado por um meio-lobisomem (Danny DeVito). Por isso, rompe com o pai e passa anos sem falar com ele, até que Edward fica doente e sua mãe (Jessica Lange) o chama de volta.

 

É um filme sobre o poder da imaginação e sobre a capacidade de instaurar cor e luz numa vida opaca. Isso sem discurso ou pieguice, embora francamente sentimental e com uma direção de arte das mais competentes. A seqüência final evoca e homenageia Fellini. Se alguém tinha dúvidas sobre a maturidade de Burton como diretor, este filme serve como tira-teima.

Neusa Barbosa


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