Cold Mountain

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Crítica Cineweb

10/02/2004

Adaptações literárias são o habitat natural do diretor Anthony Minghella, o premiado cineasta de O Paciente Inglês. Cold Mountain é, portanto, um projeto feito à sua imagem e semelhança e Minghella sai-se muito bem, apesar dos rumores sobre as não-indicações ao Oscar para si mesmo e para o seu filme (não obstante as sete outras) terem ofuscado uma discussão mais serena sobre os méritos deste seu novo trabalho.

Como é normal numa adaptação - ainda mais, a de um caudaloso livro de 428 páginas -, o roteiro condensa personagens e enxuga situações, dando fluência visual a um épico que prima pela lentidão e o detalhismo no papel. Essa redução, contudo, não trai a natureza dos personagens nem a essência da história.

Os puristas que tiverem lido o livro de Charles Frazier poderão ressentir-se da relativa suavização de algumas passagens, particularmente em algumas escolhas de Inman (Jude Law, indicado ao Oscar), o protagonista. No livro, Inman procura a vingança contra alguns de seus inimigos de maneira mais deliberada do que no filme. Mas esta é a acusação máxima que se poderá fazer contra o roteiro - que ele atenua algumas partes. A introdução de um interesse romântico do perverso chefe da Guarda Estadual, Teague (Ray Winstone) por Ada pode até não ser necessária ao andamento da narrativa, mas com certeza lhe adiciona um tempero que cairá bem junto à maioria do público.

Inman é, afinal, o herói deste relato épico, sobre um soldado sulista que deserta e volta para casa, enfrentando circunstâncias particularmente adversas, no final da Guerra da Secessão. Do outro lado do país, na Cold Mountain do título, na Carolina do Norte, sua amada, Ada Monroe (Nicole Kidman), empreende sua própria jornada de sofrimento e superação. Nascida fina e intelectualizada, filha de um pastor liberal (Donald Sutherland), ela se vê sozinha em plena guerra, tendo que aprender, da noite para o dia, como administrar uma fazenda e tirar da terra o próprio sustento. Sua salvação vem sob a forma de Ruby (Renée Zellweger, indicada ao Oscar), uma caipira esperta que se torna exatamente a ajuda dos céus de que Ada precisava. Inman, por sua vez, encontra apoio em alguns estranhos providenciais: a velha criadora de cabras (Eileen Atkins) e a jovem viúva, Sara (Natalie Portman), as mais impressionantes, o pastor degenerado (Philip Seymour Hoffman), o mais ambíguo. Se há um grande acerto inegável neste filme é a seleção de elenco, que não poderia ser melhor, nem mais apropriado, nos menores papéis.

É fácil entender a atração de Minghella por esta história. Como em O Paciente Inglês, ele tem a chance de trabalhar com um romance forte e de trabalhar de maneira especial as questões do tempo e da distância que obstaculizam o encontro desse par. O grande trunfo é o minimalismo, ou seja, explicitar como de tão pouca convivência Ada e Inman souberam construir tanto amor.

Neusa Barbosa


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