III Paulínia Festival de Cinema

Primeiro dia anima no curta e no documentário e decepciona na ficção

Neusa Barbosa

O primeiro dia competitivo do Paulínia Festival de Cinema foi dividido por emoções diferentes. De um lado, a empolgação pela qualidade do curta nacional Tempestade, animação em tom mais sombrio que confirma o talento e a perícia técnica de César Cabral (criador do criativo e premiado Dossiê Rê Bordosa), e do documentário Leite e Ferro, olhar feminino emotivo e empenhado da realizadora Cláudia Priscilla sobre a situação de presas com seus bebês recém-nascidos numa unidade temporária para essas mães em situação de risco.
 
Já o primeiro longa de ficção da competição As Doze Estrelas, de Luiz Alberto Pereira (diretor de Tapete Vermelho) decepcionou muito. O roteiro, do próprio diretor, não tem pé nem cabeça e nem consegue amarrar uma série de sketches envolvendo uma dúzia de atrizes – algumas muito talentosas, como Djin Sganzerla, Sílvia Lourenço, Leona Cavalli, Rosane Mulholland, Cláudia Mello e Débora Duboc -, uma novela sobre os signos do zodíaco e um astrólogo (Leonardo Brício) que lhe serve como consultor.
 
Aparentemente, a intenção de As Doze Estrelas é ser uma comédia. Mas nada funciona bem, nem mesmo se consegue compreender qual é mesmo a função do astrólogo, que visita uma a uma as atrizes, que devem pertencer a um dos signos e comportar-se de acordo com seus supostos atributos.
 
Numa coletiva, o diretor informou que, por enquanto, o custo do filme atingiu R$ 3,2 milhões (obtidos, em parte, inclusive em Portugal, onde se passou um dia da filmagem). Mas ainda não tem distribuidor, o que não preocupa o cineasta. “Não tenho e nem estou pensando muito nisto. Também, se for para ter um distribuidor que for fazer alguma palhaçada, distribuo eu mesmo”. Pereira esclareceu que falava de problemas com a distribuição de seu filme anterior, Tapete Vermelho.

Deixe seu comentário:

Imagem de segurança