Começa a repescagem com destaques da Mostra

MOSTRA 2018 - índios e culpas de guerra são o foco do dia

Equipe Cineweb
A premiada coprodução luso-brasileira Chuva é Cantoria na Aldeia dos Mortos, Prêmio do Júri na mostra Un Certain Regard de Cannes, o drama eslovaco O Intérprete, de Martin Sulik, o tunisiano Meu Querido Filho, de M. Ben Attia, e o delicioso Trem das Vidas ou a Viagem de Angélique, de Paul Vecchiali, estão entre as muitas atrações do dia. 
 
CHUVA É CANTORIA NA ALDEIA DOS MORTOS
Prêmio do júri na mostra Un Certain Regard, em Cannes, a coprodução luso-brasileira de nome poético é assinada pelo diretor português João Salaviza e a brasileira Renée Nader Messora. Na verdade, trata-se de uma obra semidocumental, acompanhando cenas da vida da aldeia de Pedra Branca, comunidade Krahô, no Tocantins, seguindo especialmente o adolescente Ihjãc (Henrique Ihjãc Krahô), que atravessa uma dramática passagem à vida da adulta.
Ihjãc perdeu seu pai e deve fazer um ritual para que seu espírito possa viajar em paz para a aldeia dos mortos. Mas, amedrontado por ouvir a voz do pai morto, o que é um sinal de que ele possa estar recebendo um chamado para tornar-se xamã, ele decide partir para a cidade – onde o mal-estar que sente é diagnosticado como hipocondria e ele não encontra tratamento, resposta ou compreensão.
De todo modo, esta viagem do rapaz ao mundo dos brancos retrata com clareza a disfunção vivida pelos índios nesse ambiente, em que não encontram lugar ou o devido respeito, já que suas referências não são conhecidas ou entendidas. Tudo isso transcorre, na história, com muita sutileza, nenhum discurso, diante da câmera atenta aos movimentos destes índios, que com certeza entregaram ao filme suas imagens, canções, modo de vida, compartilhando-os com os espectadores. Provavelmente, Darcy Ribeiro, se estivesse vivo, aprovaria esta aproximação respeitosa à cultura indígena que o filme promove. (Neusa Barbosa)

ÚLTIMA SESSÃO:
CINEARTE PETROBRÁS 1 - 25/10/18 - 14:00 - (Quinta)      

JULIA E A RAPOSA
Este segundo longa da argentina Inés María Barrionuevo surgiu a partir de imagens fragmentadas. “Tudo começou com a figura de uma mulher numa casa, algo que ficou comigo por muitos anos”, contou em entrevista ao Cineweb. A partir dessa ideia, a diretora, que também assina o roteiro, começou a criar outros momentos que juntaria no seu filme. “Meu roteiro acaba sendo construído a partir de pedaços que se conectam, se combinam. No caso desse filme, foram umas 13 versões até chegar à final.”
Julia (Umbra Colombo) é uma atriz de teatro que perdeu o marido há pouco, e se muda para uma antiga casa, na província de Córdoba, com a filha de 12 anos, Emma (Victoria Castelo Arzubialde). O inverno é rigoroso e o frio invade a casa e a vida delas. “É praticamente um filme de casa assombrada, pois a construção parece estar viva e oprimir as duas.” Para a construção da ambientação, muitas vezes escura e encoberta por uma névoa, Barrionuevo trabalhou com o diretor de fotografia Ezequiel Salinas. “É o nosso quarto projeto juntos, e temos uma parceria muito intuitiva. Nossas inspirações vieram do cinema polonês, para criar os tons frios, e do cineasta português Pedro Costa, especialmente do seu Casa de Lava, para criar os quentes”.
Outra influência da diretora é o trabalho do norte-americano John Cassavetes, principalmente Uma mulher sob influência, no qual a diretora e a protagonista foram buscar inspiração para os cabelos platinados de Julia. “Eu precisava de uma atriz que também fosse bailarina, que tivesse um trabalho de expressão corporal especial”.
Já a jovem que interpreta Emma havia trabalhado no longa de estreia da diretora, Atlântida. “Eu queria uma atriz mais forte, mas nos testes não encontramos nenhuma que agradasse. Acabei fazendo algumas mudanças no roteiro para que a personagem ficasse mais próxima dela, alguém mais terno”.
Julia e a raposa faz sua estreia latino-americana na 42a Mostra. Antes, foi exibido apenas no Festival de San Sebastián, com estreia na Argentina prevista para novembro. Barrionuevo aponta que está difícil fazer cinema em seu país, especialmente de forma independente. “As políticas neoliberais de direita dificultam a produção de filmes de baixo orçamento, mais artísticos. Resta-nos tentar as coproduções”. Atualmente, a cineasta trabalha num novo roteiro que, novamente, tem uma adolescente como protagonista, rebelando-se contra as recentes reformas do sistema educacional argentino. (Alysson Oliveira)

ESPAÇO ITAÚ DE CINEMA - AUGUSTA SALA 1 - 25/10/18 - 14:00 (Quinta)
ESPAÇO ITAÚ DE CINEMA - FREI CANECA 1 - 30/10/18 - 17:30 (Terça)
CINESALA - 31/10/18 - 21:40 (Quarta)

ALMOFADA DE ALFINETES
Num primeiro momento, Almofada de alfinetes pode parecer uma versão de Carrie, A estranha escrita por Mike Leigh e dirigida por Sofia Coppola. Mas a roteirista e diretora inglesa Deborah Haywood, em seu primeiro longa, é dona de um estilo próprio e bastante seguro para se deixar levar por influências. Aliás, se for para pensar em parentesco cinematográfico, é bom ir colocando aí também uma boa dose de Todd Solondz e sua descrença cínica e melancólica na humanidade. Meninas malvadas também conta.
As personagens de Haywood dividem-se em dois grupos claros, as boas e ingênuas – a mãe e filha Lyn (Joanna Scanlan) e Iona (Lily Newmark) –, e as más – praticamente todas as demais. As duas primeiras acabam de mudar-se para uma nova cidade, vão começar uma nova vida e estão repletas de expectativas. A garota espera fazer muitas amigas na escola, mas sua inocência atrapalha tudo. Sem tino para o trato social, ela se torna o alvo favorito de bullying de um trio de garotas, lideradas por Keeley (Sacha Cordy-Nice).
Conhecer Lyn talvez explique um pouco do comportamento de Iona. A relação delas é, no mínimo, disfuncional. E a garota possivelmente nunca teve outro modelo social em quem se espelhar. Possivelmente, ela nunca teve outra pessoa em sua vida senão a mãe. Mas sem que Lyn saiba, sua filha começa a conhecer os meninos e descobrir sua sexualidade e o desejo. A mãe, no entanto, não chega ao mesmo nível de maldade e opressão da mãe de Carrie, até porque Haywood, que também é autora do roteiro, trabalha num outro tom. Há algo de cômico aqui, mas a diretora subverte todas as expectativas que ela mesma cria, levando o filme para caminhos inesperados.
Almofada de alfinetes não é um filme fácil de se ver, embora visualmente seja um deleite em sua composição de imagens, na direção de arte, de Francesca Massariol, e fotografia, assinada pela inglesa Nicola Daley. Quando a vida de Iona chega no limite do suportável, a garota sonha, imagina-se filha de uma comissária de bordo linda, ao contrário de Lyn, que é manca e corcunda. Nesses momentos de delírio, o filme toma voos de imaginação delicados e inventivos, sem, no entanto, nunca abrir mão da atmosfera claustrofóbica e tóxica em que vivem mãe e filha. É como se nem em seus devaneios a garota conseguisse liberdade completa. (Alysson Oliveira)

CINESALA - 25/10/18 - 16:00 (Quinta)
RESERVA CULTURAL - SALA 1 - 28/10/18 - 15:40 (Domingo)

O INTÉRPRETE
Coprodução entre Eslováquia, República Tcheca e Áustria, o filme do eslovaco Martin Sulik, igualmente co-roteirizado por ele, aborda temas como culpa, revanche e reconciliação num contexto tanto pessoal quanto sócio-político.
A história tira grande proveito de uma dupla refinada de atores, o ator e diretor tcheco Jiri Menzel (diretor de Trens Estreitamente Vigiados, 1966), e do austríaco Peter Simonischek (visto em Toni Erdmann). Menzel interpreta Ali Ungar, um idoso intérprete aposentado, que viaja da Eslováquia à Áustria em busca do oficial nazista que ordenou a morte de seus pais, judeus.
Ao chegar a Viena, Ungar é informado de que o oficial morreu, encontrando em seu apartamento seu filho, Georg (Simonischek). O primeiro contato não promete, mas finalmente esta dupla inusitada irá reunir-se, por iniciativa de Georg, em busca deste passado sujo de seu pai. É uma espécie de road movie, repleto de momentos bem-humorados para quebrar o clima pesado – sem perder de vista, no entanto, a história séria que se procura revelar. O duelo entre o rígido Ungar e o irônico Georg se sustenta ao longo do filme, que resgata memórias mal-resolvidas da Europa na II Guerra e põe em primeiro plano relações paternas e expiação de culpas. Filme sólido e bom, sobre tema nunca menos do que relevante. (Neusa Barbosa)

CINE CAIXA BELAS ARTES SL 1 VILLA LOBOS - 25/10/18 - 17:40 - (Quinta)
CINEARTE PETROBRÁS 1                    30/10/18 - 20:50 -  (Terça)

MEU QUERIDO FILHO
O drama do tunisiano Mohamed Ben Attia aborda o tema da cooptação de jovens para as fileiras dos grupos extremistas islâmicos com grande sensibilidade e sutileza. Acompanha-se a vida familiar do casal de classe média formado por Riadh (Mohamed Dhrif) e Nazli (Mouna Mejri), que têm um único filho, Sami (Zakaria Ben Ayyed). O rapaz, que está se submetendo a exames do ensino médio, está sofrendo de crises de enxaqueca, preocupando os pais. Riadh, no momento, também se prepara para uma aposentadoria, em breve. Tudo na vida destes pais gira em torno de suas expectativas em torno do filho, que nunca deu problemas em casa.
Repentinamente, no entanto, o rapaz desaparece sem deixar vestígios. Os pais, desesperados, o procuram, sem êxito, nem pista alguma. Afinal, desenha-se a possibilidade de que ele possa ter viajado à Turquia em segredo, rumo a um desses grupos fanáticos na Síria, como o Estado Islâmico, recrutado pela internet. Riadh, então, junta suas economias e parte em busca do filho, numa viagem às cegas e cheia de perigos. Um drama comovente e intenso.
(Neusa Barbosa)

ESPAÇO ITAÚ DE CINEMA - FREI CANECA 2   25/10/18 - 19:20 - (Quinta)
ESPAÇO ITAÚ DE CINEMA - AUGUSTA SALA 1 28/10/18 - 17:40 - (Domingo)

TREM DAS VIDAS OU A VIAGEM DE ANGÉLIQUE
O diretor francês Paul Vecchiali, convidado de honra da Mostra em 2017, elabora, neste novo trabalho, um delicado e fascinante quebra-cabeças em torno de uma personagem feminina, Angélique (Astrid Adverbe). Como o título já avisa, a protagonista será vista, preferencialmente, a bordo de um trem, mudando-se suas companhias e conversas, um recurso que permite que descubramos seus anseios mais profundos em relação ao amor e à sexualidade, uma parte de seu passado e suas amizades.
O tom destes encontros – entre os quais inclui-se o próprio Vecchiali, interpretando o pai de um jovem (Pascal Cervo) apaixonado por Angélique – varia bastante, num diapasão que vai da comédia à paixão e ao drama mais intenso. É o tipo de filme que funciona particularmente pela disponibilidade de entrar nesta experiência, já que a trama em si é fragmentada e variável. Mas é, afinal, uma pequena joia deste veterano diretor, um jovem no espírito aos 88 anos, que já nos deu Noites Brancas no Píer e O Ignorante, entre tantos outros. (Neusa Barbosa)

ESPAÇO ITAÚ DE CINEMA - AUGUSTA ANEXO 4 25/10/18 - 20:10 - (Quinta)
CINEARTE PETROBRÁS 2                    26/10/18 - 21:40 - (Sexta)
ESPAÇO ITAÚ DE CINEMA - FREI CANECA 5  29/10/18 - 15:15 - (Segunda)
CINESESC                                30/10/18 - 17:50 -  (Terça)
MIS - MUSEU DA IMAGEM E DO SOM          31/10/18 - 15:00 - (Quarta)


HUMBERTO MAURO
O documentário Humberto Mauro, do sobrinho-neto do pioneiro diretor mineiro, André Di Mauro, teve sua première mundial no mais recente Festival de Veneza. Reúne imagens de diversos filmes realizados por Mauro, recriando através da montagem seu universo de inspirações, especialmente vindas da natureza – “o progresso é antifotogênico”, costumava dizer o diretor de Lábios sem Beijos (1930), Ganga Bruta (1933) e O Descobrimento do Brasil (1936).
Também se incluem participações de Mauro como ator, como em O Canto da Saudade (1952), em que ele interpreta o “coronel” Januário, numa cena em que disputa uma candidatura política que tem um evidente paralelo com este momento de campanha eleitoral (certas coisas parece que não mudam nunca).
Uma das costuras sonoras do filme, que não inclui depoimentos, vem de algumas entrevistas do próprio Mauro, como uma, saborosa, realizada pelo crítico e cineasta Alex Viany.
O resgate deste passado instigante do cinema brasileiro vibra como uma evocação da paixão criativa do pioneiro cineasta, que bem pode inspirar todos aqueles que acreditam que “cinema é cachoeira”, como ele dizia. (Neusa Barbosa)

ESPAÇO ITAÚ DE CINEMA - FREI CANECA - 25/10 - 15:50 (quinta)
CINEARTE PETROBRÁS 2 – 25/10 – 15:50 (quinta)


ERA UMA VEZ EM NOVEMBRO
O filme Era uma vez em novembro, do polonês Andrzej Jakimowski, é exibido na Mostra em um momento muito oportuno para os brasileiros, que guarda muita semelhança com a situação política e econômica da Polônia em 2013, quando o filme é situado. Lá, como cá, a população é vítima de uma grave crise econômica e vê ascender uma força fascista que prende eliminar fisicamente aqueles que não se identificam com seus ideais violentos de extrema direita. É a história se repetindo como farsa.
Na Polônia acossada pelos nazifascistas, o jovem Marek (Grzegorz Palkowski) e sua mãe (Agata Kulesza), uma professora desempregada, tentam encontrar um lugar para morar, durante o rigoroso inverno. Eles e muitos poloneses vítimas da crise foram despejados de suas casas e procuram proteção nos poucos abrigos e em prédios e locais públicos abandonados e invadidos. E precisam resistir contra manifestantes de extrema-direita que tentam desalojá-los com paus, pedras e fogo. A polícia cruza os braços e deixa que façam o trabalho sujo.
Intercalando cenas documentais das manifestações da época, impressionantes pelo gigantismo e pela violência, o diretor, também autor do roteiro, insere na história um cão vira-lata, adotado pela mãe, e que se perde durante as várias mudanças da família.
O cão perdido, a família desabrigada e as relações sociais esgarçadas compõem o retrato de uma sociedade excludente, que procura exterminar a herança de bem-estar herdada do antigo regime comunista.
Aliás, o drama do próprio cão, que perpassa todo o filme, é responsável por fortalecer o compromisso humanista desses personagens derrotados. Eles não abandonam o animal, mesmo colocando a vida em risco para resgatá-lo e protegê-lo em um país enlouquecido pelo ódio político.(Luiz Vita)

ESPAÇO ITAÚ DE CINEMA - FREI CANECA 4 - 25/10 - 17:40 (quinta)
CINEARTE PETROBRÁS 2 - 31/10 - 14:00 (quarta)


EU NÃO ME IMPORTO SE ENTRARMOS PARA A HISTÓRIA COMO BÁRBAROS
O título do novo longa do romeno Radu Jude, “Eu Não me Importo se Entrarmos Para a História Como Bárbaros”, precisa vir entre aspas porque é uma citação de uma fala no Conselho do Ministros, em 1941, quando de um massacre na Romênia que visava uma limpeza étnica. Com 140 minutos, esse é um filme complexo e sofisticado que parte de uma metalinguagem para investigar o estado das coisas do mundo contemporâneo – e é assustador como o Brasil de 2018 se parece com a Romênia daquela época. 
“Eu não me importo...” dialoga com Hannah Arendt, Walter Benjamin (especialmente com suas Teses sobre a filosofia da história), Karl Marx, Elie Weisel, Isaac Babel, Leni Riefenstahl, Steven Spielberg, Teoria Crítica, entre outras pessoas e temas, mas nada disso faz do filme intransponível ou cifrado, muito pelo contrário, porque o que está em jogo na sua trama é a disputa pela narrativa da História. Essa é uma comédia mordaz e cínica sobre os tempos de desilusão e niilismo (para não falar do obscurantismo) em que vivemos.
O filme, também escrito por Jude, começa com a atriz Ioana Iacob num museu militar, explicando que ela é uma atriz, e está nesse longa representando uma diretora de teatro, Mariana Marin (homônima da poeta dos anos de 1980) que deve montar um espetáculo que leve ao público um episódio da história romena. Ela está fazendo uma pesquisa para encenar o massacre de 1941, no qual Ion Antonescu ordenou a execução de 10 mil judeus, capturados em Odessa pelas tropas romenas.
Obviamente é um assunto espinhoso, que o governo e o próprio povo romeno não têm interesse em revisitar, mas, conforme a produção da peça avança, Mariana percebe uma certa perversidade e prazer que as pessoas têm em presenciar – nem que seja de maneira encenada – a destruição. Quando judeus são executados, o público sente claramente prazer, e a protagonista fica indignada com a incapacidade das pessoas de simpatizarem com os oprimidos.
Antonescu foi preso, julgado e executado por seus crimes de guerra, em 1946, mas ele e seus atos fazem parte da História, e isso é impossível negar. Jude questiona, ironicamente no filme (talvez por isso a metalinguagem com que o diretor abre o longa seja importante) a capacidade da arte em iluminar as disputas da História. O espetáculo de Mariana é, de certa forma, anódino e frustrante para ela, uma vez que o efeito que surge é o contrário do esperado. Dessa maneira, é impossível não pensar (mais uma vez) em Benjamin vendo o filme, mais especificamente em sua frase: “Nunca houve um monumento de cultura que também não fosse um monumento da barbárie.” “Eu não me importo...” é, enfim, um monumento de cultura e barbáries – mas, especialmente sobre a barbárie que nos assola. (Alysson Oliveira)

ÚLTIMA SESSÃO

ESPAÇO ITAÚ DE CINEMA - FREI CANECA 5 - 25/10/18 - 20:45 (Quinta)


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