Começa a repescagem com destaques da Mostra

Mostra - A luz no fim do túnel

Alysson Oliveira

 Como bem definiu a diretora da Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, Renata de Almeida, a 42a edição do evento deve servir como “uma luz no fim do túnel” para um ano tão conturbado social e politicamente. Essa nota de esperança está bem ilustrada no pôster e vinheta do evento, assinados pela multi-artista Laurie Anderson, a partir de uma instalação dela mesma e Huang Hsin-Chien, Chalkroom, que poderá ser visitada no novo anexo do Cinesesc. Neste ano, a Mostra conseguiu assegurar para sua programação os longas premiados nos três principais festivais do mundo. De Berlim, vem o romeno Não me toque (foto), de Adina Pintilie; de Cannes, Assunto de Família, do japonês Hirokazu Kore-eda, que também receberá o Prêmio Humanidade; e de Veneza, o mexicano Roma, de Alfonso Cuarón, que será exibido no encerramento e também deverá fazer parte da programação da repescagem.

 
Os novos trabalhos de algumas das principais diretoras e diretores da atualidade também terão presença assegurada no evento, que acontece entre 18 e 31 de outubro, como é o caso de Nuestro Tiempo, do mexicano Carlos Reygadas; A casa que Jack construiu (foto) de Lars von Trier (cuja obra ganha uma minirretrospectiva); Vidas duplas, de Olivier Assayas; Cafarnaum (Grande Prêmio do Júri, em Cannes), de Nadine Labaki; O hotel às margens do rio e Grass, ambos de Hong Sangsoo; Imagem e palavra, do veterano Jean-Luc Godard; 3 faces, de Jafar Panahi, ganhador do prêmio de roteiro, no Festival de Cannes, e que será homenageado com o Troféu Leon Cakoff; e A favorita (Vencedor do Grande Prêmio Especial do Júri e da Copa Volpi de Melhor Atriz para Olivia Colman no Festival de Veneza), do grego Yorgos Lamthimos, que será exibido na sessão de abertura (17-10) para convidados, e, depois, em outras duas sessões na programação.
 
A seleção de longas brasileiros apresenta diversas produções premiadas em festivais no país e no exterior, como Los silencios (foto), de Beatriz Seigner, exibida em Cannes, e ganhadora do prêmio de direção no Festival de Brasília, em setembro; Tinta Bruta, de Filipe Matzembacher e Márcio Reolon, ganhador do Teddy Award, no Festival de Berlim; e outros que fazem sua première mundial na mostra, como os novos trabalhos de Jorge Furtado (Rasga coração, a partir da famosa peça homônima de Oduvaldo Vianna Filho), Paulo Sacramento (O olho e a faca), e Tata Amaral (Sequestro relâmpago).
 
Em homenagem ao centenário de nascimento do líder sul-africano Nelson Mandela, a Mostra exibe quatro títulos: os documentários O estado contra Nelson Mandela e os outros (foto), sobre o julgamento histórico dos ano de 1960, que resultou na condenação à prisão perpétua de 9 homens; Reconciliação: O milagre de Nelson Mandela, que explora a transição do apartheid à democracia; Winnie, sobre a ex-mulher do líder, morta no início deste ano, e, por fim, a ficção Invictus, de Clint Eastwood, que mostra como o rugby serviu para unir os povos da África do Sul nos anos de 1990.
 
Outro homenageado é o filósofo Karl Marx, cujo bicentenário de nascimento é comemorado neste ano. Para celebrar a data, a Mostra apresenta uma seleção de sete filmes que, de maneiras peculiares, lidam com o pensamento e teorizações do pensador alemão. O grande destaque é a rara série alemã Oito horas não são um dia, de Rainer Werner Fassbinder, que tem como protagonista uma família de fabricantes de ferramentas. Estão na programação também Trabalhos ocasionais de uma escrava, de Alexander Kluge; Marx Reloaded, de Jason Barker; e Um dia na sepultura de Karl Marx, de Peter von Bagh.

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