Começa a repescagem com destaques da Mostra

Em dia com o rock, dramas poloneses e a negritude

Equipe Cineweb
4 VEZES NELSON MANDELA
Para comemorar o centenário de nascimento do líder sul-africano Nelson Mandela, a Mostra exibe quatro filmes ligados a ele. O documentário O estado contra Nelson Mandela e os outros (foto), que estreou no Festival de Cannes deste ano, resgata o Julgamento de Rivonia, que aconteceu entre 1963 e 1964, no qual Mandela e outros oito homens foram condenados à prisão perpétua.
Dirigido pelos franceses Gilles Porte e Nicolas Champeaux, o filme parte dos arquivos de áudio do julgamento histórico, com trechos selecionados a partir das mais de 250 horas de gravação - já que não foram feitas imagens - e usa-os como base para uma animação, assinada pelo francês Oerd, recriando o evento. Dessa maneira, o documentário permite que acompanhemos dia a dia no tribunal, os depoimentos e considerações.
As animações são intercaladas por depoimentos dos envolvidos, que ainda estavam vivos quando o filme foi feito, em 2017. Dos entrevistados, certamente a figura mais conhecida é Winnie Madikizela-Mandela, morta em abril passado, cuja trajetória também é tema de um documentário no festival. Ela foi casada com Mandela entre 1958 e 1996, e era sua esposa na época do julgamento e durante todo o período em que ele ficou preso (27 anos). Winnie (foto), dirigido por Pascale Lamche investiga a participação de Winnie no processo de libertação da África do Sul do apartheid.
Denis Goldberg, Ahmed Kathrada (morto pouco depois de sua participação aqui) e Andrew Mlangeni também estavam no banco dos réus, ao lado de Mandela, e comentam a história a partir dos seus depoimentos, que ouvem em cena. É uma estratégia sagaz dos diretores para recuperar a trajetória deles na prisão, no julgamento e na condenação dessas figuras-chave contra a segregação racial na África do Sul.
O filme encontra um equilíbrio entre o emocional e o político na construção de sua narrativa, que resgata a trajetória pessoal dos envolvidos, além de um momento conturbado da história do país. Outra figura importante é o promotor Percy Yutar, morto em 2002, cujo filho, David, reflete sobre o papel do pai e sobre questões bastante complexas em jogo naquele contexto. Conforme David aponta, a nomeação de seu pai como promotor-geral naquele momento serviu também para encobrir o antissemitismo do país.
Embora O Estado contra Nelson Mandela e os outros possa não trazer muita informação nova sobre o assunto, sua sensibilidade para as questões humanas, além das políticas, é reveladora.
O filme do veterano diretor americano também é abordado em Reconciliação, e traz Morgan Freeman no papel de Nelson Mandela e Matt Damon, como François Pienaar, capitão do time. O rugby era um esporte da elite branca na África do apartheid. Mandela viu nele a oportunidade da união de negros e brancos e por isso se aproximou da equipe, quando já era presidente. (Alysson Oliveira)

O ESTADO CONTRA MANDELA E OS OUTROS
 
CINESESC - 21/10/18 - 19:45 (Domingo)
CINE CAIXA BELAS ARTES SL 1 VILLA LOBOS - 22/10/18 - 13:40 (Segunda)
ESPAÇO ITAÚ DE CINEMA - FREI CANECA 1 - 23/10/18 - 13:30 (Terça)
CINESALA - 28/10/18 - 15:50 (Domingo)
ESPAÇO ITA⁄ DE CINEMA - FREI CANECA 3 - 30/10/18 - 21:40 (Terça)
 
RECONCILIAÇÃO: O MILAGRE DE MANDELA
 
MIS - MUSEU DA IMAGEM E DO SOM - 24/10/18 - 19:30 (Quarta)
CIRCUITO SPCINE LIMA BARRETO – CCSP- 25/10/18 - 17:00 (Quinta)
ESPAÇO ITA⁄ DE CINEMA - FREI CANECA 4 - 28/10/18 - 19:40 (Domingo)
CINESESC - 30/10/18 - 14:00 (Terça)
CIRCUITO SPCINE OLIDO - 31/10/18 - 15:00 (Quarta)
 
WINNIE
 
CINEARTE PETROBRÁS 2 -18/10/18 - 14:00 (Quinta)
ESPAÇO ITAÚ DE CINEMA - FREI CANECA 2 -19/10/18 - 18:00 (Sexta)
CINE CAIXA BELAS ARTES SL 1 - VILLA LOBOS - 20/10/18 - 13:40 (Sábado)
CINESESC - 22/10/18 - 15:30 (Segunda)
CINESALA - 27/10/18 - 18:50 (Sábado)
 
INVICTUS
 
VÃO LIVRE DO MASP - 27/10/18 - 19:30 (Sábado)

UM BURACO NA CABEÇA
Dirigido pelo polonês Piotr Subbotko, beira a comédia melancólica e estranha do finlandês Aki Kaurismaki. No entanto, faltam aqui alguns elementos cômicos para que se chegue realmente ao gênero da comédia, e o que se vê é um drama um tanto frio sobre um ator que volta para casa, encontrando a mãe doente e um desconhecido ocupando seu lugar.
Chudy (Bartlomiej Topa) é um ator que viaja com sua companhia de teatro pelo país até a volta para a casa, deparando-se com a mãe no leito de morte, e Andrzejek (Andrzej Szeremeta) ocupando o seu lugar. Esse novo rapaz é um sujeito estranho e de poucas palavras, o que acaba incomodando ainda mais o protagonista.
Subbotko, que também assina o roteiro, cria uma espiral de desconfiança e competição velada entre Chudy e Andrzejek, que nem sempre parece compreender o que está acontecendo. Mas o que tanto disputam? A atenção da mãe moribunda? Da mulher (Sandra Korzeniak), que está sempre por perto? Nesse drama claustrofóbico, o que sobressai é a melancolia dos personagens, constantemente frustrados com suas vidas e o mundo que os cerca. (Alysson Oliveira)

MIS - MUSEU DA IMAGEM E DO SOM - 18/10/18 - 15:00 (Quinta)
CIRCUITO SPCINE OLIDO - 19/10/18 - 19:00 (Sexta)
CIRCUITO SPCINE LIMA BARRETO - CCSP - 20/10/18 - 17:00 (Sábado)
CINEARTE PETROBRÁS 2 - 29/10/18 - 21:20 (Segunda)
ESPAÇO ITAÚ DE CINEMA - FREI CANECA 5 -30/10/18 - 17:50 (Terça)

ROSAS SELVAGENS
As rosas selvagens do título desse drama polonês até existem – e a protagonista do longa, Ewa (Marta Nieradkiewicz), ganha um dinheiro colhendo-as. Mas o sentido que a roteirista e diretora Anna Jadowska emprega aqui é bem mais metafórico, relacionado à maternidade e à posição da mulher numa sociedade fortemente patriarcal e religiosa.
O longa começa com Ewa saindo do hospital e reencontrando a mãe e os dois filhos pequenos. Aos poucos, descobre-se que seu marido, Andrzej (Michał Żurawski), trabalha longe, mas logo regressará para a primeira comunhão da filha maior. Jadowska constrói a narrativa a partir de climas e da investigação emocional de suas personagens. O retorno do marido é uma ruptura na vida da protagonista, que parecia seguir sem grandes percalços, mas foi transtornada por uma complicação romântica.
Ewa está secretamente envolvida com um adolescente, Marcel (Konrad Skolimowski), mas a volta do marido enseja uma ameaça de escândalo e impõe que ela tome uma decisão.
Há algo, num primeiro momento, de punitivo na trajetória de Ewa. Ela precisa passar por um calvário – algumas cenas lembram o russo Sem amor, embora num ambiente menos gélido – para que possa tentar encontrar uma redenção. Jadowska tem uma maneira um tanto austera e distanciada de filmar o drama de sua personagem, o que nem sempre se revela a melhor escolha.
De qualquer forma, a fotografia, assinada por Malgorzata Szylak, ressalta o contraste entre o campo onde são cultivadas as rosas e a claustrofobia emocional da vida de Ewa. A interpretação de Nieradkiewicz é delicada e precisa e, por isso mesmo, ressente-se que o filme, durante boa parte, não seja muito generoso com sua personagem. (Alysson Oliveira)

CIRCUITO SPCINE OLIDO -18/10/18 - 15:00 (Quinta)
CINEARTE PETROBRÁS 2 - 25/10/18 - 21:00 (Quinta)
ESPAÇO ITAÚ DE CINEMA - AUGUSTA ANEXO 4 27/10/18 - 14:00 - Sessão: 835 (Sábado)  
CINESESC                                18/10/18 - 21:15 - (Quinta)
ESPAÇO ITAÚ DE CINEMA POMPÉIA 1         22/10/18 - 21:00 - (Segunda)
ESPAÇO ITAÚ DE CINEMA - AUGUSTA SALA 1 29/10/18 - 14:00 - (Segunda) 


INFILTRADO NA KLAN
Spike Lee caiu como uma bomba criativa, no melhor sentido, na competição em Cannes 2018 – de onde saiu com o Grande Prêmio do Júri – com esta história extraordinária, incrivelmente inspirada em fatos reais e retratada com toda garra, estilo, contundência e engajamento pelo diretor de Faça a Coisa CertaMalcolm X e outros petardos.
Baseado no livro do policial Ron Stallworth, o enredo deflagra a incrível história do próprio, o primeiro tira afro-americano de um departamento em Colorado Springs que bolou, nos anos 1970, uma ousada infiltração em nada menos do que a proscrita, mas nunca extinta, Ku Klux Klan. Falando por telefone com sua seção local, Ron (John David Washington, filho de Denzel Washington) convence esse ninho do extremismo branco, que odeia negros e judeus na mesma medida, de que ele é um deles – usando todo aquele vocabulário intolerante e odioso que faz a turma do capuz branco sentir-se em casa.
Evidentemente, Ron, um negro de cabelão afro, nunca poderia comparecer pessoalmente às reuniões do Klan para tornar-se um novo sócio. A saída é infiltrar um colega branco e que, por coincidência, é judeu, Flip (Adam Driver). Parece mentira mas aconteceu – a vida é sempre mais louca do que a ficção.
Em muitos sentidos, Infiltrado na Klan é uma declaração de guerra contra a América trumpista atual, evidentemente um fruto de tudo aquilo que o filme retrata e que renasceu agora, numa versão ainda pior. Até alguns personagens são os mesmos, no caso, David Duke (Topher Grace), que já era líder do Klan naqueles dias e continua por aí – não por acaso, elogiando Donald Trump (que também vai aparecer no final) e Jair Bolsonaro .
Lee está em grande forma aqui, compondo um filme que lança mão de tudo, imagens reais, antigas e recentes – como os conflitos de 2017 em Charlotteville -, uma participação de Alec Baldwin bem no começo, encarnando um político de extremíssima direita (ele que interpreta Trump no humorístico Saturday Night Live), trechos de filmes como O Nascimento de uma Nação e ...E o Vento Levou (imagine-se para que comentários). Além disso, ao longo da narrativa, alterna suspense (muitas vezes você se pega com o coração na boca pelo perigo que correm os dois policiais infiltrados no ninho da serpente) e, curiosamente, bastante humor. Humor na medida certa, onde cabe. A mão de Lee está muito, muito boa aqui. (Neusa Barbosa)

CINESESC                                18/10/18 - 21:15 - (Quinta)
ESPAÇO ITAÚ DE CINEMA - FREI CANECA 1   19/10/18 - 19:10 - (Sexta)
ESPAÇO ITAÚ DE CINEMA POMPÉIA 1         22/10/18 - 21:00 - (Segunda)
CINESALA                                26/10/18 - 18:40 - (Sexta)

ESPAÇO ITAÚ DE CINEMA - AUGUSTA SALA 1 29/10/18 - 14:00 - (Segunda)


VERÃO 

Filmado num belíssimo branco e preto (fotografia de Vladislav Opeliants) . o filme do russo Kirill Serebrennikov concorreu à Palma de Ouro em Cannes 2018, reconstituindo a batida roqueira dos anos 1980, em Leningrado, de Mike (Roman Bylk), Victor (Teo Yoo) e sua turma.
Os dois – personagens verídicos - foram protagonistas de uma onda roqueira local, que se nutria na veia com as maiores influências do rock ocidental – Lou Reed, The Clash, Bob Dylan, T-Rex, Joy Division, Blondie, tudo valia. Nascido em 1955, Mike era uma espécie de estrela do clube local, seguido por uma legião de fãs. Ao seu lado, sempre a mulher e musa Natasha (Irina Starshenbaum) – em cujas memórias, aliás, o filme é inspirado. E o próprio Mike apadrinha o novato Victor, mais lírico e seu admirador, e que termina compondo um triângulo amoroso (platônico?) com Natasha.
Muito bem-filmado, cheio de licenças poéticas – como os diversos momentos do “não aconteceu assim, mas poderia ter sido”, em clipes que incorporam diversos efeitos visuais, num trem, num ônibus, etc. -,Verão desenha diversos outros personagens secundários com personalidade, os amigos, parceiros, fãs, colaboradores dos roqueiros, o que contribui para que o filme componha uma espécie de retrato de geração – assim como fez, 18 anos atrás, o chinês Jia Zhang-ke em seu sublime Plataforma, embora se tratem de filmes muito diferentes.  
Essa liberdade de reimaginar, visualmente, passagens de uma história calcada em fatos reais afasta o trabalho de Serebrennikov de uma proposta muito documental, sintonizando mais na liberdade sensorial, sensual, de atitude e pensamento que caracteriza a própria juventude. Antes de mais nada, seu filme é sobre isso, sobre esse curto e intenso verão que é o estado de ser jovem, trazendo para as plateias fora da Rússia uma também aguda crítica à repressão e burocracia da era soviética. O que, certamente, cai sob medida para comentar a atual onda repressivo-conservadora que envenena o mundo todo.  (Neusa Barbosa

RESERVA CULTURAL - SALA 1               18/10/18 - 16:40 - (Quinta)
CINESALA                                19/10/18 - 19:30 - (Sexta)
ESPAÇO ITAÚ DE CINEMA - FREI CANECA 1   21/10/18 - 17:20 - (Domingo)
RESERVA CULTURAL - SALA 1               28/10/18 - 19:20 - (Domingo)

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