"Homens que jogam" vence Olhar de Cinema de Curitiba

"Djon África" abre 7º Olhar de Cinema de Curitiba

Neusa Barbosa, de Curitiba
Começa nesta quarta (6-6) e prossegue até 14 de junho o 7º Olhar de Cinema - Festival Internacional de Curitiba. Da seleção, de responsabilidade dos curadores Antônio Junior, Marisa Merlo, Aaron Cutler, Carla Italiano, Eduardo Valente e Carol Almeida, constam 156 filmes de 46 países, que estão distribuídos entre as nove mostras do festival. O filme de abertura é a coprodução luso-brasileira Djon África, primeiro longa de ficção dos documentaristas Filipa Reis e João Miller Guerra.
 
Enquanto a mostra Foco homenageia a artista experimental Janie Geiser, que estará em Curitiba durante o festival, com vários programas de curtas e uma conversa ilustrada; a mostra Olhar Retrospectivo traça um paralelo entre as obras de Jean Rouch e Djibril Diop Mambéty, e a competitiva apresenta uma seleção potente em representação e linguagem.
 
Exibições Especiais
 
Na mostra Exibições Especiais, o Olhar de Cinema traz a Curitiba filmes que se destacaram nos festivais nacionais. Da Mostra Tiradentes, chega o vencedor da Mostra Aurora Baixo Centro, de Ewerton Belico e Samuel Marotta. Outros filmes estiveram na seleção de mais de um festival, como Camocim, de Quentin Delaroche, que passou tanto por Tiradentes quanto pelo Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, assim como Diários de Classe, de Maria Carolina e Igor Souza, ou O Nó do Diabo, filme de terror episódico dirigido por Ian Abé, Gabriel Martins, Jhésus Tribuzi e Ramon Porto Mota.
 
Outro destaque da seleção é o Programa de Curtas: Cinema, Memória, Elegia, Resistência, que une quatro curtas-metragens que evocam grandes nomes do cinema mundial como Alfred Hitchock, Charles Chaplin, Stanley Donen/Gene Kelly, e Straub-Huillet. O curtas são assinados por Deborah Stratman, Jean-Marie Straub, Carlos Adriano e pelo trio Guy Maddin, Evan Johnson e Galen Johnson.
 
Olhares clássicos
 
Uma das grandes atrações é a seleção de filmes clássicos restaurados. Neste ano, a curadoria apresenta um programa especial, com curtas-metragens da pioneira Alice Guy-Blanché. A diretora francesa, considerada a primeira mulher a dirigir e roteirizar filmes de ficção, tem em sua filmografia mais de mil títulos, mas acabou apagada pela História e recebe agora um resgate de sua obra. O Programa de curtas Alice Guy-Blaché inclui oito curtas-metragens, entre eles os filmes O Cair das FolhasA Fool and His Money e Mixed Pets.
 
Vários outros clássicos fazem parte da programação. Para começar, estão a co-produção méxico-cubana Santo contra Cérebro do Mal, de Joselito Rodríguez, e sua trama com gângsters e lavagem cerebral e o longa-metragem ScarfaceA Vergonha de uma Nação, de Howard Hawks. Também estarão presentes a comédia O Terror das Mulheres, escrita, dirigida e protagonizada pelo comediante Jerry Lewis, e O Baile dos Bombeiros, terceiro longa para cinema dirigido por Milos Forman, que concorreu ao Oscar de Melhor Filme em Língua Estrangeira em 1969. A diretora belga Chantal Akerman também é lembrada com Os Encontros de Ana, uma jornada melancólica em busca do sentido do viver.
 
Não falta um clássico do cinema de terror, A Noite dos Mortos-Vivos, do mestre George A. Romero, ao lado de um dos mais importantes filmes brasileiros: O Bandido da Luz Vermelha, de Rogério Sganzerla. Outro nome brasileiro é Ozualdo Ribeiro Candeias, com seu longa-metragem A Opção ou As Rosas da Estrada e o curta Senhor Pauer.
 
Outros Olhares
 
A mostra Outros Olhares busca um diálogo entre filmes recém estreados, ainda inéditos, ou que já possuem uma trajetória internacional em festivais e mostras recentes.
 
Entre os destaques está Algumas Perguntas, co-produção Uruguai/Alemanha dirigida por Kristina Konrad, que esteve em Berlim e que, em suas quase quatro horas de duração, encontra um caminho para investigar a ditadura militar no Uruguai, que durou 20 anos. Por meio de entrevistas de rua com vários tipos de pessoas, busca reações à lei da anistia e as marcas deixadas pelo próprio regime ditatorial.
 
Sobre espaços e realidades, a narrativa construída pela oposição entre fotografias antigas recém descobertas e aquilo que estas imagens não mostram de A Nação Morta, de Radu Jude, dialoga com a poesia observativa de Kazuhiro Sôda, que expõe o definhar de Ushimado, antigo vilarejo japonês, em Minatomachi.
 
Questões sociais urgentes marcam presença em Para Além de Nós, de Anna Marziano, que por meio da música, do cinema e da literatura fala sobre violência doméstica, e Um Abraço na Sororidade, de Irene Lusztig, que faz com que mulheres reencenem e respondam ao movimento feminista dos anos 1970.
 
Outro destaque é o diretor russo Rustam Khamdamov. Mantendo suas longas pausas, ele volta às telas com o longa O Saco sem Fundo, inspirado no conto de Ryūnosuke Akutagawa "Dentro de um Bosque”, obra que também serviu de inspiração ao clássico Rashomon, de Akira Kurosawa.
 
Novos Olhares
 
Os longas-metragens com maior radicalidade em suas propostas estéticas estão na mostra Novos Olhares. Uma exposição serve de palco para o estudo das modificações culturais ocasionadas pela globalização em Expo Lío’92, de Maria Cañas, e filmes inacabados argentinos são o ponto de partida de A Película Infinita, de Leandro Listorti.
 
Smetak, de Simone Dourado, Nicolas Hallet e Mateus Dantas, busca desvendar o músico suíço radicado na Bahia Walter Smetak. Os longas Mãe Preta, de Khalik Allah; Nossa Loucura, de João Viana, e Por Detrás da Cortina, de Messaline Raverdy, completam a seleção da mostra.
 
Mirada Paranaense
 
Dedicada a apresentar ao público um panorama da produção local, nesta edição a Mirada Paranaense tem em sua seleção o documentário Euller Miller Entre Dois Mundos, de Fernando Severo, que acompanha o jovem indígena da etnia Kaiwá ao deixar sua aldeia, nos arredores de Dourados (MS), para cursar odontologia em uma universidade pública de Curitiba
 
Entre os curtas selecionados para a mostra local, questões urgentes e atuais se misturam. [Des]prendidas, de Ana Esperança e Fábio Allon, fala sobre a discriminação racial tomando como ponto de partida a estética negra. Acima da Lei, de Diego Florentino, aborda a operação montada na cidade de Curitiba para receber o ex-presidente Lula, recentemente condenado à prisão.
 
Questões de gênero também estão presentes nos curtas Lui, de Denise Kelm, e Primavera de Fernanda, de Débora Zanatta e Estevan de la Fuente.
 
Pequenos Olhares
 
Dedicada a crianças e adolescentes, com sessões voltadas a diversas faixas etárias, a mostra Pequenos Olhares é um espaço aberto para os jovens espectadores viverem a experiência do festival.
 
O clássico da animação Túmulo dos Vagalumes, de Isao Takahata, foi o longa-metragem escolhido para esta edição. A programação inclui ainda programas de curtas com temas infanto-juvenis unindo o imaginário ao político.
 
Todos os detalhes do evento podem ser encontrados no site do evento: www.olhardecinema.com.br.  

 
SERVIÇO
 
7º Olhar de Cinema – Festival Internacional de Curitiba
De 6 a 14 de junho
Locais: Shopping Nova Batel (Cineplex Batel), Shopping Crystal (Espaço Itaú de Cinema), SESC Paço da Liberdade, Centro Cultural SESI Heitor Stockler de França
Ingressos para os filmes: R$ 12 (inteira) e R$ 6 (meia)
Os ingressos já podem ser adquiridos nas bilheterias dos cinemas.
As demais atividades são gratuitas e sujeitas à lotação da sala ou inscrição prévia.
Site: http://olhardecinema.com.br
Facebook: facebook.com/olhardecinema
Twitter: twitter.com/Olhardecinema_
Instagram: instagram.com/olhardecinema

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