Festival do Rio consagra "As boas maneiras"

Festival do Rio destaca documentários sobre Henfil e Callado

Neusa Barbosa, do Rio
 Uma segunda-feira recheada de documentários sobre figuras inspiradoras da nossa história artística: o cartunista e escritor Henfil e o escritor e jornalista Antônio Callado. Confira os detalhes:
 
Henfil
Para quem não sabe quem foi Henrique de Souza Filho, o Henfil (1944-1988), é difícil explicar. Mas o documentário assinado por Ângela Zoé dá conta de recuperar uma parcela da energia criativa desse cartunista, jornalista e escritor mineiro que foi um verdadeiro farol de irreverência e lucidez no meio das trevas da ditadura militar instalada em 1964.
Sem dar bola para a doença que o consumiu a vida toda – a hemofilia -, ele brilhou desenhando personagens incríveis, como o Fradim, Caboco Mamadô, Ubaldo, o Paranoico, Bode Orellana, Zeferino e a Graúna. Desenhando nas páginas do Pasquim, escrevendo na Istoé a coluna de Cartas à Mãe, dirigindo um filme (Tanga – Deu no New York Times) ou simplesmente escrevendo cartas a amigos como Jaguar, Ziraldo e Tárik de Souza, ele deixou atrás de si o rastilho de um cometa rebelde e lúcido.
Além de relembrar momentos-chave dessa trajetória única, o filme acompanha um movimento de redescoberta do artista por uma série de animadores jovens, que se empenham em transformar em animação um pouco desse universo lúdico profundo que Henfil foi capaz de invocar e ainda tem tanto a nos dizer – uma iniciativa que é mostrada no final do documentário. Pior é que o filme nos lembra a falta que nos faz esse incansável perturbador do sono dos autoritários e imbecis.
 
Segunda (9), Espaço BNDES, 12h30.
Sexta (13), Ponto Cine, 18h.
 
Callado
Jornalista e escritor de primeira linha, o niteroiense Antônio Callado (1917-1997) pautou sua vida e sua obra por uma marca de talento e coerência. Autor de ficções densas sobre a realidade brasileira, como Quarup, Bar Don Juan e Reflexos do Baile, além de obras jornalísticas como O Esqueleto da Lagoa Verde  e Vietnã do Norte, ele foi um intérprete raro dos sonhos e vícios do país, além de um observador arguto de realidades além da nossa, tudo isso através de um texto burilado pela precisão e a beleza do estilo.
Ouvindo amigos como Carlos Heitor Cony, sua filha, Tessy Callado, a viúva, Ana Arruda Callado, o crítico literário Davi Arrugucci e vários outros, somando-se a um material de arquivo que inclui diversas entrevistas do próprio personagem, o filme de Emília Silveira não só resgata uma porção significativa de sua vida como delineia a importância de sua passagem – e a absoluta ressonância de sua obra hoje, lembrada numa roda de escritores, muitos deles jovens, que rediscutem passagens de seus livros fundamentais, como Quarup.
 
Segunda (9), Espaço BNDES, 18h.
Terça (10), Ponto Cine, 14h.

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