Festival do Rio consagra "As boas maneiras"

Novos talentos do Brasil e da Itália na ordem do dia do Rio

Neusa Barbosa, do Rio
 Novos trabalhos de jovens diretores brasileiros e um instigante drama italiano são algumas das boas atrações deste feriado. Confira:
 
O animal cordial
Curta-metragista premiada, por títulos como A Mão que Afaga, Gabriela Amaral Almeida estreia com segurança no formato longa, compondo um eletrizante huis clos de terror psicológico. Dentro do ambiente de um restaurante fino que sofre um assalto, começa a desdobrar-se um alucinante jogo de poder e de morte, a partir da reação inusitada do proprietário (Murilo Benício). Ali dentro, empregados como o cozinheiro (Irandhir Santos), a garçonete (Luciana Paes), clientes (Ernani Moraes, Jiddu Pinheiro e Camila Morgado) e ladrões ficam confinados, submetidos à tensão de acontecimentos que não conseguem controlar, o que dispara comportamentos cada vez mais bizarros – mas que seguem a lógica de uma sociedade que costuma expressar suas regras de dominação das maneiras mais duras, sempre que as oportunidades se apresentam. Não é filme para embalar o sono dos justos nem para atender a suscetibilidades. E a diretora mostra que veio ocupar um espaço numa nova geração de diretoras que explora gêneros que não eram até aqui considerados coisa de mocinha, como Juliana Rojas (que apresentou neste festival seu instigante e premiado As Boas Maneiras, codireção com o parceiro habitual Marco Dutra).
 
Última sessão: quinta (12), Kinoplex São Luiz 1, 21h30
 
Gabriel e a Montanha
Diretor revelado pelo pujante longa Casa Grande (2014), Fellipe Barbosa voltou-se para o docudrama neste perfil revelador de um amigo de infância, Gabriel Buchmann, premiado na Semana da Crítica do Festival de Cannes. O filme foca em sua aventura por diversos países da África, ao longo de um ano, realizando um impressionante mergulho na realidade local, vivendo entre pessoas simples, não se comportando como um turista tradicional. João Pedro Zappa interpreta o protagonista interagindo com uma série de pessoas reais que passaram pela vida de Gabriel, no Quênia, Tanzânia, Zâmbia e Malawi – onde ele morreu, depois de uma perigosa escalada ao monte Mulanje, em 2009.  
O fato de se conhecer o destino do personagem, longe de tirar a graça de assistir ao filme, adiciona mais urgência de conhecer sua história, porque é indiscutível que a interpretação de Zappa consegue trazer de volta à vida esta que deve ter sido uma pessoa muito especial. Caroline Abras interpreta Cristina, a namorada de Gabriel, que percorreu com ele uma parte de suas muitas estradas.
 
Quinta (12), Roxy 2, 18h45
Sábado (14), Reserva Cultural Niteroi 4, 21h40
Domingo (15), Kinoplex São Luiz 1, 21h30
 
A Ciambra
Premiado na Quinzena dos Realizadores do Festival de Cannes, este drama italiano de Jonas Carpignano traça um retrato devastador do atavismo das relações sociais na Calábria. Num lugar onde a pobreza e a falta de oportunidades são gritantes, numa comunidade de origem cigana todos os homens dedicam-se ao roubo, a serviço dos “italianos”, como são chamados os mafiosos locais.
Nesse caldo de cultura, o garoto Pio (Pio Amato), de 14 anos, está no limiar da vida adulta. Seu modelo é o irmão mais velho, Cosimo (Damiano Amato), que não o deixa, por enquanto, participar dos roubos de carro e desmanches a que se dedica. Quando a polícia faz uma de suas costumeiras incursões pelo bairro, Pio decide que é hora de tornar-se homem e responsabilizar-se pelo sustento da mãe e irmãs. É nesse processo que vai deparar-se com escolhas que não esperava, envolvendo a lealdade a seu amigo africano Aiyva (Koudous Seihon).
Um dos aspectos mais instigantes deste filme é o retrato desta comunidade de refugiados africanos, mostrada com inteireza e humanidade, compartilhando o destino de todos os discriminados do mundo.
 
Quinta (12), Estação Net Botafogo 1, 19h
Sexta (13), Reserva Cultural Niteroi 2, 18h50
Sábado (14), Roxy 1, 14h
Domingo (15), Estação Net Ipanema 2, 21h30

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