Brasília consagra longa mineiro "Arábia"

Festival de Brasília dá a largada à sua 50ª edição

Neusa Barbosa

 Realizando sua 50ª. edição a partir desta sexta (15-9), o Festival de Brasília do Cinema Brasileiro consolida uma trajetória de afirmação de sua identidade, como o festival de recorte mais político do Brasil, e também de uma admirável sobrevivência - inclusive aos desmandos da ditadura militar, que causaram sua interrupção entre 1972 e 1974. Caso se tivesse podido seguir à risca o calendário, a 50ª. edição teria sido há dois anos atrás, já que a primeira Semana do Cinema Brasileiro, como era chamado o evento, realizou-se em 1965.

De todo modo, o festival idealizado pelo crítico e professor Paulo Emílio Salles Gomes não só subsistiu como cresceu para transformar-se num dos mais definidores espaços para realização e debate do cinema brasileiro, a partir do epicentro do Cine Brasília, obra de Oscar Niemeyer que prossegue como a sede principal do festival.

 Na noite inaugural, a reforçada programação de um ano de comemorações incorpora uma homenagem a Nelson Pereira dos Santos, a quem será entregue a medalha que leva o nome de Paulo Emílio – marco da relevância da imensa obra de Nelson, luminar do Cinema Novo, autor de clássicos como Rio Zona Norte e Vidas Secas, que também foi professor da UnB da qual se originou o germe do festival.
 
Além da homenagem, serão exibidos o longa Não devore meu coração (fotos), ficção de Filipe Bragança (A alegria) que focaliza amores e conflitos na fronteira entre o Brasil e o Paraguai, ao lado de três curtas: Festejo muito pessoal, de Carlos Adriano, lembrando igualmente Paulo Emílio (que nele comparece num raríssimo registro fílmico); Quando Márcio Virou Estrela, de André Luiz Oliveira, em memória do diretor e produtor Márcio Curi, morto em novembro de 2016; e Nelson Filma, de Luiz Carlos Lacerda, homenagem a Nelson Pereira dos Santos.
 
Entre as mostras, além das competitivas de longa e curta-metragens, várias outras encorpam a programação. Caso de 50 Anos em Cinco Dias, reunindo nove longas e nove curtas marcantes da história do festival, como A hora e a vez de Augusto Matraga, de Roberto Santos, O padre e a moça, de Joaquim Pedro de Andrade, e Santo Forte, de Eduardo Coutinho. A curadoria desta mostra esteve a cargo de uma comissão da Associação Brasileira de Críticos de Cinema (Abraccine).
 
A mostra Terra em Transe (cujo título lembra o também cinquentenário clássico de Glauber Rocha) reúne cinco documentários inéditos sobre temas candentes da realidade brasileira, caso de Operações de garantia da lei e da ordem, de Júlia Murat e Miguel Antunes Ramos, explorando os vieses da cobertura midiática das manifestações de 2013, e Escolas em luta, de Eduardo Consonni, Rodrigo T. Marques e Tiago Tambelli, sobre o movimento secundarista paulistano que reagiu a uma tentativa do governo estadual de fechar 94 escolas com ocupações desses locais, em 2016.
 
Outra mostra paralela de olho em questões contemporâneas, Esses corpos indóceis, reúne sete títulos entre ficções e documentários, como Baronesa, de Juliana Antunes (vencedora da mostra Tiradentes), tematizando a vida de mulheres da periferia de Belo Horizonte, acuadas pela pobreza e a violência; Meu corpo é político, de Alice Riff, retratando quatro militantes LGBT da periferia de São Paulo; e Antes do fim, de Cristiano Burlan, que reúne Jean-Claude Bernardet e Helena Ignez para viver uma história em torno de um pacto de suicídio.
 
No encerramento do festival, no domingo (24-9), a atração será Abaixo a Gravidade, novo trabalho de Edgard Navarro, diretor de Eu me Lembro, vencedor de diversos prêmios em Brasília em sua edição de 2005.
 
Competição de longas e curtas
 
Nove filmes concorrem ao Troféu Candango na categoria longa-metragem e outros 12 competem na categoria de curta-metragem, alinhando tantos nomes já conhecidos como novos despontando no cenário.  
 
Abaixo, a lista dos concorrentes nas duas categorias:
 
Mostra competitiva de longa-metragem
 
·         ARÁBIA, de Affonso Uchoa e João Dumans, MG
·         CAFÉ COM CANELA, de Ary Rosa e Glenda Nicácio, BA
·         CONSTRUINDO PONTES, de Heloisa Passos, PR
·         ERA UMA VEZ BRASÍLIA, de Adirley Queirós, DF
·         MÚSICA PARA QUANDO AS LUZES SE APAGAM, de Ismael Cannepele, RS
·         O NÓ DO DIABO, de Ramon Porto Mota, Gabriel Martins, Ian Abé, Jhesus Tribuzi , PB
·         PENDULAR, de Julia Murat, RJ
·         POR TRÁS DA LINHA DE ESCUDOS, de Marcelo Pedroso, PE
·         VAZANTE, de Daniela Thomas, SP
 
Mostra competitiva de curta-metragem
 
·         A PASSAGEM DO COMETA, Juliana Rojas, SP
·         AS MELHORES NOITES DE VERONI, Ulisses Arthur, AL
·         BAUNILHA, Leo Tabosa, PE
·         CARNEIRO DE OURO, Dácia Ibiapina, DF
·         CHICO, Irmãos Carvalho, RJ
·         INOCENTES, Douglas Soares, RJ
·         MAMATA, Marcus Curvelo , BA
·         NADA, Gabriel Martins , MG
·         O PEIXE, Jonathas de Andrade, PE
·         PERIPATÉTICO, Jessica Queiroz, SP
·         TENTEI, Laís Melo, PR
·         TORRE, Nadia Mangolini, SP

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