Bellocchio e versão restaurada de "Lavoura Arcaica" fecham repescagem

"O nascimento de uma nação" e a homenagem a Manoel de Oliveira

Equipe Cineweb

 O nascimento de uma nação
 
O filme de estreia do ator Nate Parker nasceu de uma vontade tanto de resgatar uma história necessária do passado dos EUA – a violenta rebelião de escravos de 1831, liderada por Nat Turner – do ponto de vista de artistas negros, quanto de desafiar a narrativa dominante e racista da história norte-americana, eternizada pelo clássico de 1915 de David W. Griffith, de cujo título Parker apropriou-se, provocativamente, aqui.
Tudo isso, mais a violenta reação do ano passado ao “Oscars so White” – pela ausência de atores e diretores negros da disputa do prêmio em 2015 – repercutiu para reforçar os holofotes sobre o trabalho de Parker, que saiu consagrado do Festival de Sundance, em janeiro, com uma dupla premiação: Grande Prêmio do Júri na competição de filmes norte-americanos e Prêmio do Público.
A estrada para o Oscar 2017 parecia, então, segura. Até que ressurgiu na mídia a obscura história de um estupro na vida de Nate Parker, em seu passado como estudante universitário – um caso policial que envolvia o co-autor do argumento deste filme, amigo de Parker, Jean Celestin, e que teve idas e vindas na justiça, com absolvição de Parker, condenação e posterior liberação de Celestin e culminou no suicídio da vítima em 2012.
Independente da responsabilidade de Parker no lamentável episódio, a história respinga sobre o filme porque justamente o que deflagra a rebelião de escravos que retrata é o estupro de duas escravas, uma, a mulher de Turner, Cherry (Aja Naomi King), e a de seu melhor amigo, Esther (Gabrielle Union).
Evidentemente, neste momento, será difícil separar a biografia do realizador da trajetória de seu filme. Falando em termos puramente cinematográficos, o filme é potente, tem interpretações seguras, mas o diretor de primeira viagem embarca com muita sofreguidão nos excessos de um tom novelesco para um filme que se pretende uma crônica de vingança. Ganharia muito se se esmerasse mais profundamente em oferecer um contexto mais amplo à transformação deste pastor informal em líder de rebelião, inserindo mais nuances em seu processo de tomada de consciência. (Neusa Barbosa)
 
ESPAÇO ITAÚ DE CINEMA AUGUSTA 1 – 2/11 – 20:40 
 
 Cartas da guerra
Tal como a literatura do português António Lobo Antunes (que lhe serve de base), Cartas da Guerra não é um filme fácil, mas, ao mesmo tempo, é uma experiência recompensadora. Sua narrativa é construída a partir das cartas que Antunes, então um jovem médico, enviou à sua primeira mulher, Maria José, quando estava em Angola, entre 1971 e 1973, nas guerras coloniais. Dirigido e roteirizado por Ivo Ferreira, o longa foi exibido em competição no Festival de Berlim.
António (Miguel Nunes) é um médico militar em serviço a leste de Angola. Como é aspirante a escritor, escreve cartas quase diárias à sua mulher, grávida, que ficou em Portugal. Essas mensagens, conhecemos pelas vozes em off, lidas uma a uma. O que então se desenha não é apenas uma história de amor e saudade, mas fragmentos de um tenebroso passado colonial português.
Dessa forma, a perspectiva pessoal de um médico-soldado ganha a dimensão de uma experiência nacional, da perpetuação de uma memória histórica de uma guerra assustadora – tanto para os jovens soldados enviados para a então colônia, mas especialmente para os angolanos. Tudo isso é visto pelos olhos do narrador, numa bela fotografia em preto e branco, assinada por João Ribeiro, o mesmo de Os Maias, que de certa forma registra um passado que ficou para trás, mas não o suficiente para não ressoar no presente.
Ferreira, em seu roteiro coescrito com Edgar Medina, consegue a grande proeza de se apropriar do escritor Lobo Antunes e transformá-lo no seu personagem, e não numa mera adaptação de um trecho da vida de um homem famoso. O diretor sabe como fazer uma adaptação sem se prender à expectativa do original. É uma estratégia arriscada mas, bem-realizada – como é o caso aqui – traz profundidade ao filme e acaba de vez com a expectativa de uma biografia lato sensu. Talvez o romance Os Cus de Judas, que o escritor publicou em 1979, esteja mais próximo da “biografia” do que este filme.   
Há todo um grupo de colegas oficiais. Como o superior, um capitão a quem o protagonista entrega o primeiro capítulo de um livro que está escrevendo, ou um major que o procura para diagnostique uma doença – “qualquer doença, há tantas no mundo”, apenas para que possa ser dispensado e voltar para casa. Este personagem é interpretado por Ricardo Pereira – conhecido também por participar de algumas novelas no Brasil, como A Regra do Jogo.
Quando Ferreira retrata a experiência coletiva dos militares, aproxima-se de Além da Linha Vermelha, de Terrence Malick – a relação dos portugueses com a natureza também parece ecoar a dos militares do filme americano. O longa talvez custe um pouco a acostumar o seu público com as cartas lidas pela mulher do personagem. Quando, finalmente, isso acontece o resultado é impressionante, e sua força, descomunal. (Alysson Oliveira)
 
CINE CAIXA BELAS ARTES  S/1 Villa Lobos - 02/11/16 - 21:10
 
 O cinema, Manoel de Oliveira e eu
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O diretor João Botelho presta homenagem sentimental, digna da alma lusitana, ao mestre Manoel de Oliveira em O cinema, Manoel de Oliveira e eu, documentário que enriquece a seleção da Mostra, responsável por tornar conhecido no Brasil o trabalho do diretor português, morto em 2015, aos 106 anos de idade e 80 de cinema.
Discípulo de Oliveira, com quem trabalhou, o próprio Botelho faz a narração do filme, dando a devida dimensão ao homenageado e à sua obra. “Precisamos encolher Manoel de Oliveira ou alargar Portugal”, diz o diretor, citando frase do colega João César Monteiro, destacando a importância do legado do cineasta e o espaço que deve ser dedicado à sua obra.
Botelho destaca cenas de alguns filmes da obra prolífica de Oliveira, como Non ou a Vã Glória de Mandar, Amor de perdição e Aniki-Bóbó, que comprovam o apuro técnico e o rigor de seu método de trabalho. Ele dizia, segundo Botelho, que para cada situação havia  apenas uma posição de câmara, “um único ponto de vista, a moral de cada um.” E não abria mão de suas escolhas: “Filmo aquilo em que acredito, procuro sempre a verdade.”
Para atingir seus objetivos, aproveitava os poucos recursos de que dispunha e driblava as dificuldades com inventividade. “Se não há dinheiro para filmar a carruagem, filmo apenas a roda, mas filmo bem a roda.”
Botelho deixou para o final uma surpresa: anexou ao filme um curta- metragem que ele próprio dirigiu a partir de um argumento que Oliveira não teve tempo de filmar, a “A rapariga das Luvas”. Mudo, em preto e branco, o filme segue as regras estéticas do mestre e a mesma veia trágica de Camilo Castelo Branco, que Manoel admirava ao extremo. (Luiz Vita)
 
ESPAÇO ITAÚ DE CINEMA - FREI CANECA 5 -  2/11/16 - 19:00
 
 O quarto homem
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Mais conhecido por filmes de ação como Robocop (1987) e pelo suspense Instinto selvagem, de 1992 (quem não se lembra da antológica cruzada de pernas de Sharon Stone?), o diretor holandês Paul Verhoven já possuía 14 filmes no currículo antes de rodar O Quarto Homem, em 1983, ainda em sua fase holandesa.
É um triller com generosas doses de humor negro envolvendo um escritor alcoólatra, Gerard Reve (Jeroen Krabbé), que se envolve com uma bela cabelereira ao participar de uma palestra em um clube literário em uma cidade do interior da Holanda. Católico, ele tem visões sobre crimes e começa a imaginar que está recebendo “recados” do além de que sua vida corre perigo naquela cidade.
Ao investigar o passado da cabelereira, descobre que ela tem muitos segredos, envolvendo outros três homens. As visões passam a ser mais frequentes, mas ele não quer perder o conforto e a rara segurança que a nova vida com a mulher misteriosa parece lhe acenar.
A cena inicial, com a câmera acompanhando o paciente trabalho de uma aranha, a envolver os incautos insetos que ficam aprisionados em sua teia, é a chave da história que será desvendada de forma metafórica no que vem a seguir. (Luiz Vita)
 
MIS - MUSEU DA IMAGEM E DO SOM - 2/11/2016 - 20:30
 
 Maquinaria Panamericana
Joaquín del Paso empresta o nome da empresa familiar, fundada por seu avô e que fechou em uma das crises econômicas no México, para seu primeiro longa, Maquinaria Panamericana. Trata-se de uma fábrica de maquinaria, que constrói tratores, empilhadeiras, escavadeiras e afins, cujo presidente morre e os funcionários, induzidos pelo contador, resolvem esconder o fato para que a empresa não vá à falência e eles percam tudo. Os computadores e máquinas da companhia são ultrapassados, mas esta sátira recheada de humor negro tem um tempo indefinido e não fica clara a época da trama. Até porque o cineasta opta por uma sequência de encenações que primam pelo absurdo, em uma narrativa em que é difícil o espectador embarcar.
Ainda assim, a obra tem a sua força nas leituras socioeconômicas do modo que representa a vida dos trabalhadores – o México é um dos países com a maior jornada de trabalho do mundo – tão integrada àquele espaço, de um modo tão tóxico quanto a bebida à base de gasolina, que se desassociar dali provoca esse processo de luto, quase fora da realidade neste caso. Por isso, é bem sintomática a cena final com o corpo do personagem corrupto sendo coberto pela bandeira mexicana, na crítica do diretor à situação de seu país. (Nayara Reynaud)
 
ESPAÇO ITAÚ DE CINEMA - AUGUSTA ANEXO 4        02/11 - 21:00
 
 A Menina Sem Mãos
No meio da onda atual de readaptações de contos de fadas em versões em live-action que tentam retomar o conteúdo adulto das histórias originais, A Menina Sem Mãos o faz através da animação, em uma oposição ao modelo estabelecido pela Disney há décadas. Baseado em um conto dos irmãos Grimm, o primeiro longa de Sébastien Laudenbach não tem medo de usar toda a violência e sexualidade embutida na jornada de resistência de uma moça a todos os ataques e assédios que buscam corrompê-la em sua pureza.
Para ficar rico, seu pai a vende ao demônio e não hesita quando o maligno lhe pede que corte as mãos da própria filha para que este possa possuí-la. Em sua pureza, ela consegue escapar e encontra ajuda de uma deusa da água no caminho e o amor de um príncipe. A figura principesca está presente como sempre, mas aqui ele é um homem que passa por uma trajetória de desgaste muito interessante enquanto personagem, assim como a Menina ganha uma construção muito forte: depois de ser vendida, cobiçada, rejeitada, mesmo que falsamente, ela decide tomar seu destino pelas mãos, em um viés de empoderamento diferente do final do texto original, com seu clássico “felizes para sempre”.
Esse tratamento dado à história, somado ao apuro visual da animação, são as razões de a produção ter levado o Prêmio do Júri em Annecy, o mais renomado festival do gênero. Na aparente despreocupação de seus traços minimalistas, lembra O Menino e o Mundo (2013), com a diferença de que a produção brasileira emulava desenhos feitos por crianças, enquanto o filme francês se assemelha a esboços traçados com canetinha, sobre papéis coloridos, que remetem, em alguns momentos, a pinturas japonesas com nanquim. A escolha estética de Laudenbach permite que ele ache soluções muito interessantes como os traços descontrolados que se expandem quando a garota está sob forte emoção, por exemplo, em uma forma de traduzir signos visualmente e evitar diálogos, que são bem contidos no longa. (Nayara Reynaud)
 
CINEMARK CIDADE SÃO PAULO               02/11 - 19:00
 
 São Jorge
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O português São Jorge é um filme de porradas – reais e metafóricas –, que recaem sobre a cabeça do seu protagonista, interpretado pelo ator Nuno Lopes. Ele, um boxeador com uma carreira que não deslancha, vivendo num país numa crise que parece não ter fim. O único emprego que consegue é em uma empresa que comprou dívidas dos bancos e agora cobra pessoalmente um a um seus devedores. Jorge, o personagem, está lá para “dar um susto” caso algum devedor se recuse a pagar. Mas os devedores estão numa situação tão ruim quanto a sua, sem perspectiva de saldar suas dívidas.
Morando com os pais e cuidando do filho pequeno, ele tenta reconquistar sua mulher brasileira – interpretada por Mariana Nunes (A Febre do Rato) –, faxineira noturna em empresas que pensa em voltar para o Brasil com o filho, para desespero de Jorge, que faz de tudo para impedir que isso aconteça.
Dirigido por Marco Martins – coautor do roteiro com Ricardo Adolfo – ,São Jorge é um filme que investiga como uma crise política no país pode desencadear uma crise moral, materializando esse encontro na figura de seu protagonista, um sujeito de bom coração, forçado a atitudes extremas e atormentado com seu papel nesse cenário.
Como mostrada na trilogia As 1001 Noites, do português Miguel Gomes, exibida na Mostra passada, a crise e a política de austeridade podem ser um campo frutífero para o cinema examinar a conjuntura. Este filme poderia ser um dos episódios daquele do ano passado, mas Martins opta por um realismo contundente, doloroso até – sem qualquer elemento cômico ou lúdico, como havia em durante boa parte da trilogia.
Muito do filme depende de seu protagonista e Lopes está presente em praticamente todas as cenas. Sua interpretação foi merecidamente premiada na mostra paralela Orizzonti, no Festival de Veneza deste ano. Ele é uma força da natureza, ao mesmo tempo em que também é acuado diante da impossibilidade de sair dessa estagnação. Um grande personagem, numa grande interpretação. (Alysson Oliveira)
 
RESERVA CULTURAL 2  - 2/11/16 - 17:10 
 
Corações cicatrizados
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Radu Jude é uma espécie de estranho no ninho do cinema romeno contemporâneo. Enquanto a filmografia do país pauta-se por dramas realistas, sombrios e muitas vezes minimalistas, em seus filmes, como Aferim!, exibido na Mostra em 2015 e premiado no Festival de Berlim, ele investiga a identidade do povo romeno por meio da história de um militar e seu filho transportando um escravo cigano, no século XIX.
Corações Cicatrizados é inspirado nos escritos e ilustrações (usadas nos créditos iniciais) do romeno Max Blecher. O protagonista é Emanuel (numa interpretação impressionante do estreante Lucian Tedor Rus), que passa o filme todo hospitalizado e imobilizado por gesso em dos ombros à cintura, para curar uma tuberculose nos ossos – algo que o escritor também enfrentou, morrendo jovem, com menos de 30 anos.
De forma episódica, o filme narra o cotidiano de Emanuel e colegas de confinamento, no final do anos de 1930, quando Hitler sobe ao poder. As cenas são entrecortadas por trechos do romance homônimo de Blecher que ajudam a compor um painel histórico e emocional acentuando a atmosfera do lugar, que, muitas vezes, parece parado no tempo.
Ganhador de diversos prêmios, entre eles o Especial do Júri, em Locarno, Corações Cicatrizados é constituído de uma narrativa fragmentada que dá conta mais de um processo de aquisição de experiência de seu protagonista, do que uma trama propriamente dita. Nesse sentido, são tão importantes e dolorosas as punções quanto a descoberta do amor (espiritual e físico) com outras pacientes do hospital. E as cenas em que eles tentam manter relações sexuais – apesar de ambos imobilizados com gesso – são tão ternas quanto engraçadas.
Trabalhando com o diretor de fotografia Marius Panduru (Polícia, Adjetivo), Jude opta por filmar numa tela quadrada e com câmera estática, o que traduz formalmente a imobilidade e limitações dos personagens naquela situação. Ao contrário de Aferim!, em preto e braço, aqui o diretor se vale de cores, muitas cores, e luz trabalhada, a ponto de compor imagens que parecem pinturas. (Alysson Oliveira)

ESPAÇO ITAÚ DE CINEMA - FREI CANECA 2 - 02/11 - 21:20
 
 Ma’Rosa
Vencedor do prêmio de melhor atriz em Cannes para Jaclyn Jose, o novo drama do premiado diretor filipino Brillante Mendoza é, como sempre em sua obra, encharcado de simpatia por seus personagens vitimizados por condições sociais absurdas.
Neste caso, os protagonistas são os membros de uma família modesta, liderada por Ma’Rosa (Jaclyn Jose), que são donos de um pequeníssimo comércio. Sua renda, no entanto, é insuficiente para garantir o sustento de cinco pessoas, e Ma’Rosa e o marido traficam pequenas quantidades de drogas.
Um dia, o casal é levado preso pela polícia, com grande estardalhaço. Um episódio que serve à perfeição para que o diretor-roteirista revele os meandros de uma estrutura policial corrupta e violenta. A partir daí, retrata-se o pesadelo da mãe e de seus filhos para conseguir o dinheiro pedido pelos policiais para soltá-los. Um calvário conduzido entre a delegacia e as ruas congestionadas de Manila, amontoadas de gente, bicicletas, carros e tomadas por uma chuva intermitente, em que a ética, a solidariedade e mesmo a simples piedade têm dificuldades para existir. (Neusa Barbosa)
 
CINESESC – 2/11 – 15:00
 
O Plano de Maggie
Em seu novo longa, Rebecca Miller faz uma espécie de anticomédia romântica, em que o impulso da protagonista não é ficar com o herói no final, mas separar-se dele, porque ele não é bem o que ela pensou que era. A personagem central é Maggie (Greta Gerwig), que decide estar na hora de ter um filho; depois será tarde demais. O escolhido para fornecer o material para inseminação artificial é um antigo conhecido (Travis Fimmel). Mas, durante esse processo, ela conhece um professor na universidade onde ela também trabalha, e se apaixona por ele.
Trata-se de John (Ethan Hawke), um antropólogo aspirante a romancista, casado com uma mulher mais bem-sucedida do que ele, Georgette (Julianne Moore). Na verdade, o sucesso dela no mundo acadêmico o oprime levemente, a ponto de deixar se levar por Maggie, envolver-se com ela, deixando a mulher e filhos.
Alguns anos depois, os dois estão casados, e com uma filha pequena. Maggie se dá bem com o casal de filhos adolescentes de John, mas o marido ainda não acabou o tal romance, que já passa das 500 páginas. É nesse momento que Maggie percebe que nem tudo saiu como ela queria, que John poderia ser bem mais feliz com Georgette – e ela, Maggie, também poderia ser mais feliz sem ele. E arma um novo plano.
Rebecca, também autora do roteiro, coloca o mundo acadêmico – com suas pequenas guerras de egos disfarçadas – como cenário e faz uma comédia ácida sobre o estado da cultura e da teoria. Umas três pessoas sugerem a John, por exemplo, irem a um congresso no Canadá apenas porque Žižek vai estar lá, e ele vai. É também uma comédia sobre a fugacidade do desejo humano e a constante insatisfação que nos move. (Alysson Oliveira)
 
ESPAÇO ITAÚ DE CINEMA - FREI CANECA 3   2/11/16 - 19:10 

The handemaiden
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Duas vezes consagrado em Cannes – Grande Prêmio do Júri por Oldboy (2003) e Prêmio do Júri por Sede de Sangue (2009), o sul-coreano Park Chan-Wook entrou com força visual e narrativa novamente na corrida pela Palma de Ouro em 2016, com o requintado e muito sensual drama de época The Handmaiden (Agassi, no original). 
Curiosamente, o ponto de partida é um romance inglês, Fingersmith, de Sarah Waters, ambientado na Inglaterra vitoriana. Co-autor do roteiro, Chan-wook transporta a história para a Coreia dos anos 1930, dominada pelos japoneses, recriando um intoxicante jogo de perversões e mentiras em torno de uma rica mansão.
Ali vive uma rica jovem órfã, Hideko (Kim Min-hee), uma virtual prisioneira de um tio (Cho Jin-woong). Obcecado por relatos eróticos, ele mantém uma imensa biblioteca no tema e treina Hideko, desde menina, na leitura destas histórias, às quais nunca falta um tempero de perversão, para privilegiados ouvintes, participantes de um fechado clube aristocrático de senhores maduros.
Ali chega a camareira Sookee (Kim Tae-ri), uma ladra e vigarista com cara de anjo, para colocar em prática uma tramoia, que visa à sedução da rica Hideko por um falso conde (Ha Jung-woo). Consumada a fuga e o casamento de Hideko com o rapaz, Sooke deve receber dinheiro e ficar com as roupas e jóias da vítima.
Dividido em três partes, ao longo de enérgicas 2h25, o filme sobrepõe pontos de vista, deixando claro que ninguém falou a verdade desde o começo. Com essa gradativa revelação de planos, crescem o suspense e o erotismo, em cenas requintadamente filmadas, especialmente entre as duas garotas. O habitual gosto do diretor por violência e cenas de sangue é reservado para uma pequena parte final, em que o humor negro se infiltra poderosamente. Em todas as partes, transparece o alto quilate da produção técnica (a fotografia, figurinos, iluminação e montagem são primorosos) e a mão firme do diretor de 52 anos. (Neusa Barbosa)
 
ESPAÇO ITAÚ DE CINEMA – AUGUSTA 1 –             2/11 – 14:00

Onde está Rocky II?
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O documentário (cômico) parte de uma boa ideia para se perder em sua metalinguagem desnecessária e confusa, e desperdiça a oportunidade de fazer uma boa discussão sobre arte pós-moderna.  Rocky II, no título, não se refere ao segundo filme da série protagonizada por Sylvester Stallone, mas a uma escultura em formato de rocha feita por Ed Ruscha, no final dos anos de 1970, e deixada no deserto de Mojave (Califórnia), misturada com outras verdadeiras.
Ninguém sabe ao certo se a obra é real. E o diretor Pierre Bismuth (ganhador do Oscar de roteiro original por Brilho eterno de uma mente sem lembranças, divido com Charlie Kaufman e Michel Gondry) se pergunta isso, mas vai além: onde está a obra? Trabalhando com um xerife aposentado, o documentarista sai à procura da tal rocha. O filme se constrói, então, como um noir, interessante e até engraçado diante da busca inusitada.
Ele entra no mundo dos colecionadores que movimenta milhões de dólares por uma tela, uma peça.a Fala com marchands, colecionadores, amigos de Ruscha (esse, segundo o detetive profissional, deve ser o último a ser inquirido) na tentativa de localizar a obra (ou, ao menos, descobrir se realmente existe). Cerca de metade do filme é essa investigação, até que entram em cena dois roteiristas, D.V. DeVincentis (Alta Fidelidade) e Anthony Peckham (Invictus), escrevendo um filme sobre um investigador em busca da mesma rocha que, se a encontrar, destruirá a vida e carreira de um artista plástico ficcional. Cenas desse filme – protagonizado por Robert Knepper, Milo Ventimiglia, e Stephen Tobolowsky – também aparecem aqui.
Modernoso e vazio, Onde está Rocky II? quer ser mais do que poderia, mais do que tem energia para ser. E, no fim, é claro, não é nada a não ser um exercício vazio de metalinguagem, que, como é de costume no assunto, se torna uma piada interna dos envolvidos. A questão central é ambiciosa: a relação do criador (artistas plásticos, roteiristas, diretores) com suas obras, mas a capacidade de Bismuth de sair pela tangente e preencher a tela com obviedades torna-se frustrante. (Alysson Oliveira)
 
CIRCUITO SPCINE OLIDO -                                       2/11 - 17:00 

Eu, Olga Hepnarova
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Baseado numa história real, que aconteceu na Tchecoslováquia dos anos de 1970,  Eu, Olga Hepnarová é um estudo de personagem construído com um distanciamento frio, numa bela fotografia em preto e branco que parece congelar a imagem num passado distante. Mas o retrato da alienação emocional pode ecoar até hoje. A protagonista, interpretada por Michalina Olszanska, é uma jovem homossexual com um conflito interno severo, que parece refletir o contexto social do país onde mora.
Nascida no começo dos anos de 1950, ela teve uma vida curta e problemática. Ela é introduzida no longa, dirigido por Petr Kazda e Tomás Weinreb, como uma adolescente atormentada, que tenta o suicídio e fracassa. Sua mãe (Klára Melísková) decreta: “Até para se matar é preciso ser forte”. Isso parece atormentar a garota pelo resto de sua existência.
Incapaz de se matar e também de lidar com o peso de suas escolhas numa sociedade opressiva e opressora, Olga buscará uma morte infligida por outras mãos. Levada a um estado que beira uma zumbi, a moça quer se vingar do mundo que não se importa com ela. Isso culmina num ato extremo numa rua de Praga, em 1973, que é retratado de forma quase banal nas mãos dos diretores – esvaziando um tanto um impacto do horror daquilo que está acontecendo na tela (e aconteceu no mundo real).
Há um algo de mártir em Olga, uma Joana D’Arc alienada, que ganha vida na interpretação meditada de Michalina Olszanska, uma jovem atriz polonesa em ascensão. A vida da protagonista é destituída de qualquer tipo de alegria ou conforto. Nem nas cenas de sexo com as mulheres que deseja, ela parece feliz. É nessa infelicidade constante, nos olhos vagos, que a intérprete encontra a honestidade de sua intepretação que, em alguns momentos, é maior do que o filme. (Alysson Oliveira)
 
ESPAÇO ITAÚ DE CINEMA - FREI CANECA 1 -      2/11 - 13:30
 
Glory
 
Os cineastas búlgaros Kristina Grozeva e Petar Valchanov confirmam em Glory a predileção por explorar dilemas sociais. Lançado ano passado no Brasil, A Lição trazia uma professora prestes a perder a casa que, enquanto tentava remediar de qualquer jeito a situação, investigava um roubo acontecido em sala de aula. Se o questionamento ético era o cerne desse primeiro filme de uma trilogia de longas inspirados em notícias, este segundo capítulo opta por um caminho diferente. Por mais que pareça que o impasse deste conto moral sobre um controlador de ferrovia que encontra uma grande quantia em dinheiro nos trilhos e chama a polícia seja a entrega do montante, a verdadeira pergunta da obra é lançada apenas na última cena.
Antes disso, o funcionário Tsanko Petrov (Stefan Denolyubov) é exaltado como um herói nacional por um ministério dos Transportes em crise por conta de denúncias de corrupção. A diretora de relações públicas do departamento, Julia Staikova (Margita Gosheva, mesma atriz de A Lição), coordena as ações de mídia neste sentido, enquanto passa por um processo, junto com o marido, de fertilização e congelamento de embriões. Só que o velho relógio dele, uma das poucas coisas importantes de sua vida, some, fazendo o pacato e correto cidadão lançar-se em sua busca.
Exibido em Locarno, o filme, expoente do neorrealismo búlgaro, por confluência ao cinema romeno e influência dos Dardenne, destaca-se pela crítica à exploração da figura de indivíduo, sem que haja uma preocupação genuína por ele, não só por parte do governo, mas também da imprensa. E não seria diferente com o resto da população em tempos tão instantâneos de redes sociais. Trata-se de um intrincado panorama da Bulgária contemporânea, que se beneficia de seu humor involuntário para seu estudo humano. (Nayara Reynaud)
 
CINESALA    - 2/11 - 14:00
 
Sem Deus
Ganhador de diversos prêmios no Festival de Locarno – entre eles, filme, crítica e atriz para Irena Ivanova – Sem Deus é um estudo da crise financeira, política, emocional e, por fim, moral que assola a Bulgária, na pós-União Soviética. Para uns, pode ser mero misery porn, mas há algo de pungente no realismo da diretora estreante Ralitza Petrova, também autora do roteiro.
Irena interpreta Gana, uma enfermeira que, com seu namorado (Ventzislav Konstantinov), participa de golpes contra idosos. Enfermeira domiciliar, ela rouba identidades de pacientes idosos que visita, vendendo-as para um policial corrupto (Alexandr Triffonov), que as usa para esquemas criminosos. O casal vive uma vida medíocre, marcada pelo uso de morfina, que ela também rouba. A vida da protagonista só muda quando conhece um coral conduzido por um de seus pacientes, Yoan (Ivan Nalbantov).
Ralitza Petrova não se poupa de mostrar toda a miséria financeira e moral que envolve o mundo de seus personagens. A diretora não perde qualquer chance de enfatizar a sordidez desse ambiente, resultando num filme cruel, que parece dizer que nada mudou na Bulgária, mesmo depois da queda do ditador Todor Jivkov, há quase trinta anos.
Há uma recusa na obra em trazer uma luz de esperança, e a ausência de nuances nas personagens e situações talvez impeça o filme de ressoar como poderia. Nesse sentido, os vizinhos romenos da Bulgária encontraram uma forma mais eficiente de retratar os mesmos problemas. (Alysson Oliveira)
 
CINEARTE 2 - 2/11 - 21:30

 Zero Days
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A terceira guerra mundial será cibernética. Essa é a primeira conclusão a que se chega com o documentário Zero Days, de Alex Gibney – ganhador do Oscar em 2008 por Táxi para a Escuridão. O roteiro, também assinado pelo diretor, constrói a narrativa como um cyberpunk – um cyberpunk da vida real, o que é mais assustador e confere um tom apocalíptico ao filme.
Apesar da quantidade de nomes – de vírus, equipamentos, hackers, políticos etc –, o documentário é bastante compreensível a qualquer leigo pela forma simples como a narrativa é estruturada. O ponto de partida é uma espécie de vírus, apelidado de Stuxnet, que atacou uma instalação nuclear iraniana, em Natanz. Se tudo tivesse dado certo – o malware estava programado para sabotar as centrífugas de urânio –, ninguém teria se dado conta de sua existência, tamanha sua sofisticação. Mas, quando começou a atacar computadores do mundo todo, chamou a atenção de um especialista bielorusso e apareceu na capa do The New York Times.
Stuxnet, no entanto, tinha outro nome, o nome oficial de seus criadores: Jogos Olímpicos. Evidentemente, nenhum entrevistado pode falar abertamente sobre isso – toda a operação é cercada de acordos de confidencialidade. Ainda assim, Gibney encontra subterfúgios para dissecar a história contando com a participação do repórter David Sanger, do NY Times, que se tornou uma autoridade no assunto. Inclusive, um dia antes de première do filme no Festival de Berlim, em fevereiro passado, ele divulgou que esse malware faz parte de um plano bem maior que pretendia destruir toda a infraestrutura do Irã.
Depois de explorar com profundidade e clareza todo o caso, Gibney começa a o historicizar, retomando a trajetória das armas nucleares desde a Segunda Guerra, até chegar aos anos de 1980, com acordos entre EUA e URSS. O que irá, no fim das contas, chegar até a questão dos segredos de Estado, envolvendo privacidade na rede e geopolítica dos governos de George W. Bush e Barack Obama. Outra figura presente no documentário é a atual candidata Hilary Clinton, alegando que os EUA não tinham nada a ver com Stuxnet. E o filme fornece evidências bastante convincentes do contrário.
Criando um visual requintado, capaz de ilustrar e ajudar na compreensão de uma questão tão complexa, Gibney faz um filme potente e assustador sobre o estado do mundo com fronteiras (reais e cibernéticas) cada vez mais tênues, na qual ataques e guerras podem estar acontecendo sem que percebamos. O grande problema é que todos irão pagar a conta. Nesse sentido, o diretor fez um filme urgente e necessário – e um forte concorrente ao Oscar na sua categoria. (Alysson Oliveira)

CINE CAIXA BELAS ARTES  Sl 1 Vila Lobos - 2/11/16 - 14:00

O Rei Dave
Assistir a O Rei Dave é um exercício de paciência que pode ser recompensador para alguns, mas não para todos – isso é certo. Estruturado num falso plano-sequência de 100 minutos, o longa tem como protagonista o personagem-título, interpretado por Alexandre Goyette (de Mommy), também autor do roteiro. É uma exposição de ego dele, que aparece o tempo todo e não para de falar por um segundo.
Rebelde, ele sai pelas ruas de Quebec em busca do homem que dançou com sua namorada. Baseado numa peça do próprio Goyette, o filme é um samba de uma nota só, cujo exibicionismo técnico nunca é justificável. É bem verdade que depois de um tempo torna-se suportável, e é possível ter alguma pena do protagonista, tamanha a sua falta de noção. Mas, para muitos, isso pode vir tarde demais. (Alysson Oliveira)
 
CINESESC   - 02/11 - 22:10
 
Cinema Novo
Vencedor do prêmio Olho de Ouro, como melhor documentário no Festival de Cannes 2016, Cinema Novo, de Eryk Rocha, concretiza um diálogo de gerações e um olhar profundo sobre o passado do cinema e da inquietação política no Brasil.  O longa é apresentado em conjunto com o curta Improvável encontro, de Lauro Escorel, que resgata a parceria e amizade entre José Medeiros e Thomaz Farkas.
Falando de cinema, fotografia, cultura, renovação, procura de novos caminhos, os dois documentários dialogam intensamente entre si. O curta de Escorel apresentando os muitos pontos de contato entre vida e obra de dois fotógrafos que se encaminharam para o cinema: o piauiense José Medeiros e o húngaro radicado no Brasil Thomaz Farkas. E o longa de Eryk lançando o olhar de uma nova geração sobre o trabalho inovador da turma do Cinema Novo, que inclui seu pai, Glauber Rocha, além de Nelson Pereira dos Santos, Cacá Diegues, Joaquim Pedro de Andrade, Gustavo Dahl e muitos outros.
 O tema da paternidade, literal e figurado, percorre, aliás, a belíssima profusão de imagens do longa, valorizadas pela montagem qualificada de Renato Vallone. Vallone e Eryk buscaram um sentido na organização de 500 horas de material, incluindo os filmes dessa geração iluminada de cineastas e materiais de arquivo diversos, nacionais e internacionais, alguns deles inéditos, como alguns pertencentes ao INA francês. Foram consumidos 9 meses na montagem e outros três na edição de som, num projeto iniciado 9 anos atrás. (Neusa Barbosa)
 
CINESALA – 2/11 – 20:20
 
The Fits
Em seu début em longas de ficção, Anna Rose Holmer faz um filme único, capaz de provocar vários sentimentos no público, especialmente nas espectadoras, difíceis de serem verbalizados depois da sessão.
O interesse do indie norte-americano The Fits é exclusivo na quieta Toni (Royalty Hightower, precisa em seu naturalismo), em sua rotina em um centro comunitário do subúrbio de Cincinnati, mas traz significados amplos em questões geracionais e de gênero. No lugar, há treinos de boxe, que ela pratica com o irmão (Da'Sean Minor), e aulas de dança do grupo Leonas, com que a menina se encanta e passa a praticar, junto com a também novata Beezy (Alexis Neblett) – ótima, seja a atriz mirim ou a personagem, servindo de leve alívio cômico na tensão. Com a protagonista passeando entre as duas turmas, fica claro como as representações do “masculino” e “feminino” atuam neste momento de formação da garota.
Só que, uma a uma, as meninas da turma são acometidas por ataques inexplicáveis, embora uma diretora, a exceção branca e adulta em um elenco totalmente negro e jovem que a cineasta – também branca – traz, tente fazer suposições. As convulsões sugerem várias alegorias, como a passagem da adolescência para a vida adulta, a transformação em um corpo feminino, provavelmente vítima de opressão, ou resultado de uma histeria coletiva que Freud explicaria... Tentar explicar é complicado e, ao que parece, nem é essa a intenção de Holmer, que busca significados mais abstratos em sua obra.
O filme, aliás, tem um ritmo próprio, assim como sua protagonista que luta para acompanhar as colegas na dança. Na direção “climática” de Holmer, planos estáticos, frontais e centralizados, estão ao lado da steadycam em slow motion que confere uma atmosfera onírica à fotografia, somada a uma trilha sonora que vai da pulsão percussiva a uma histeria do jazz. (Nayara Reynaud)
 
CINE CAIXA BELAS ARTES Sl 1 Vila Lobos      2/11 - 16:10
 
Heartstone
Talvez o calor do verão em uma terra gélida como a Islândia tenha colocado em ebulição este já efervescente momento de descobertas sexuais que é a adolescência, em Heartstone. Gudmundur Arnar Gudmundsson, já em seu primeiro longa, ganhou o Queer Lion, prêmio oferecido a filmes de temática LGBT, no Festival de Veneza deste ano.
Nesta coprodução com a Dinamarca, o cenário é uma pequena vila do país insular, que vive entre a pesca e a pecuária, onde os amigos Thor (Baldur Einarsson) e Christian (Blær Hinriksson) tentam aproveitar o verão brincando com os outros meninos, destruindo ainda mais os carros largados em uma espécie de ferro velho e se aproximando das garotas. Só que, enquanto o pré-adolescente Thor começa a se apaixonar por Beta (Diljá Valsdóttir), Christian, aparentemente mais velho que ele, passa a descobrir novos sentimentos pelo amigo.
Não bastasse isso, cada um enfrenta seus dilemas familiares: o primeiro é criado, junto com as irmãs que zoam o caçula, só pela mãe (Nína Dögg Filippusdóttir) e não aceita que ela esteja saindo com outros homens; o outro sofre com um pai alcóolatra, violento e, o pior para ele, homofóbico – um preconceito, não só dele, frisado nas cenas inicial e final com a metáfora do peixe-pedra rejeitado e massacrado.
Longo, com 129 minutos de duração que são sentidos, apesar da pungência do terceiro ato, o filme até apresenta um ritmo rápido para padrões islandeses, tentando captar a energia desses adolescentes, vividos por um elenco que traz performances fortes, capazes de exprimir as aflições que essas descobertas sobre a própria identidade podem gerar. Gudmundsson extrai certa delicadeza no meio daquela rígida paisagem natural e social, mas coloca a neve como prenúncio do fim de um verão e, simbolicamente, da adolescência e a chegada da vida adulta e seus problemas, criando um clímax devastador. (Nayara Reynaud)
 
CIRCUITO SPCINE VILA DO SOL          2/11/16 - 15:40
CIRCUITO SPCINE JAMBEIRO                        2/11 - 15:40
CIRCUITO SPCINE MENINOS                         02/11 - 15:40
CIRCUITO SPCINE TRÊS LAGOS                     2/11 - 15:40
CIRCUITO SPCINE JAÇANà                          2/11 - 15:40
CIRCUITO SPCINE BUTANTà                        2/11 - 15:40
CIRCUITO SPCINE CAMINHO DO MAR            2/11 - 15:40
CIRCUITO SPCINE ARICANDUVA          2/11- 15:40
CIRCUITO SPCINE QUINTA DO SOL               2/11 - 15:40
CIRCUITO SPCINE PARQUE VEREDAS             2/11 - 15:40
CIRCUITO SPCINE PERUS                    2/11 - 15:40
CIRCUITO SPCINE SÃO RAFAEL                     2/11 - 15:40
CIRCUITO SPCINE PAZ                                 2/11 - 15:40
CIRCUITO SPCINE VILA ATLÂNTICA               2/11/16
CIRCUITO SPCINE FEITIÇO DA VILA              2/11 - 15:40

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