Bellocchio e versão restaurada de "Lavoura Arcaica" fecham repescagem

Prossegue retrospectiva Bellocchio e novidades de Cannes

Equipe Cineweb

 Irmãs jamais

Na cidadezinha de Bobbio, as irmãs Mai, Maria Luisa e Letizia, ficaram solteiras. A grande casa da família recebe sempre a visita dos sobrinhos, Pier Giorgio e Sara, sempre acolhidos em suas dificuldades pelas tias. A filha de Sara, Elena, acaba ficando com elas em Bobbio, enquanto a mãe vai tentar a sorte no teatro em Milão.
Leia a crítica de Neusa Barbosa e assista ao trailer

Cinearte 1  -  21/10 - 14:00 
Cinemark Cidade São Paulo -  31/10 - 21:30

 A bela que dorme

Senador italiano enfrenta um problema familiar ao passar pela dramática escolha de desligar os aparelhos que mantêm viva sua mulher, em coma. Ele recebe a oposição da filha, que se torna uma militante pró-vida, mas se apaixona por um rapaz que tem posições opostas.
Leia a crítica de Neusa Barbosa e assista ao trailer

CINEMATECA - SALA BNDES -  21/10 - 17:00
CINEARTE 1 -  22/10 - 16:00
CINEMARK CIDADE SÃO PAULO -  29/10 - 19:00

 Elle

Executiva de sucesso, comandando uma empresa de videogames, sofre um estupro em sua elegante casa. A partir do episódio, ela demonstra reações inesperadas, que têm origem em episódios traumáticos de seu passado familiar.
Leia a crítica de Neusa Barbosa e assista ao trailer

CINEARTE 1 –  21/10 – 21:40
CINEMARK CIDADE SÃO PAULO –  23/10 – 21:30
CINESESC –  25/10 – 15:00
ESPAÇO ITAÚ DE CINEMA - AUGUSTA 1 –  27/10 – 16:10

  A Garota desconhecida

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A ética, mais uma vez, ocupa o centro da nova história dos irmãos Dardenne, conduzida por uma médica, Jenny Danvin (a atriz francesa Adèle Haenel). O incidente desencadeador da trama é aparentemente banal e poderia ter acontecido em qualquer lugar. É noite quando toca a campainha do consultório de Jenny. Ela e seu assistente, Julien (Olivier Bonnaud), ainda estão ali dentro. Ele quer abrir, ela o impede. Passou da hora. No dia seguinte, eles descobrem que uma garota, jovem imigrante africana, apareceu morta ali perto.
Pode ter sido um acidente ou um assassinato. Mas Jenny, que é uma médica dedicada, passa a atormentar-se pela culpa. Sabe que, se tivesse aberto a porta, poderia ter salvo a vida dessa moça, cujo nome os policiais não conseguem descobrir. É uma das muitas imigrantes ilegais que se escondem nos submundos das cidades europeias (aqui, Liège), exploradas em atividades como a prostituição.
Obcecada por descobrir o nome dessa moça, cuja imagem foi gravada pela câmera de segurança do consultório, Jenny passa a investigar seus passos. Anda com a foto do rosto dela no próprio celular, mostrando a clientes, conhecidos. Nessa jornada, seu caminho se cruza com o de outras pessoas (interpretadas por dois atores-fetiche dos Dardenne, Olivier Gourmet e Jérémie Rénier), que também têm seu próprio quinhão de responsabilidade na trajetória da garota anônima, cuja história pode ser completamente apagada se não se encontrar ao menos um indício do que se passou em seus momentos finais. Como sempre, os Dardenne estão afinados com o momento político da Europa, sem afastar-se de sua permanente ligação com o que faz a essência da condição humana. Faz bem assistir a um filme assim. (Neusa Barbosa)
 
CINEMARK CIDADE SÃO PAULO –                           21/10 – 19:00
CINEARTE 1 –                                                                 25/10 – 16:00
CINE CAIXA BELAS ARTES S/1 VILLA LOBOS –    30/10 – 19:10
ESPAÇO ITAÚ DE CINEMA – FREI CANECA 1 –     31/10 – 13:30

 The handemaiden

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Duas vezes consagrado em Cannes – Grande Prêmio do Júri por Oldboy (2003) e Prêmio do Júri por Sede de Sangue (2009), o sul-coreano Park Chan-Wook entrou com força visual e narrativa novamente na corrida pela Palma de Ouro em 2016, com o requintado e muito sensual drama de época The Handmaiden (Agassi, no original). 
Curiosamente, o ponto de partida é um romance inglês, Fingersmith, de Sarah Waters, ambientado na Inglaterra vitoriana. Co-autor do roteiro, Chan-wook transporta a história para a Coreia dos anos 1930, dominada pelos japoneses, recriando um intoxicante jogo de perversões e mentiras em torno de uma rica mansão.
Ali vive uma rica jovem órfã, Hideko (Kim Min-hee), uma virtual prisioneira de um tio (Cho Jin-woong). Obcecado por relatos eróticos, ele mantém uma imensa biblioteca no tema e treina Hideko, desde menina, na leitura destas histórias, às quais nunca falta um tempero de perversão, para privilegiados ouvintes, participantes de um fechado clube aristocrático de senhores maduros.
Ali chega a camareira Sookee (Kim Tae-ri), uma ladra e vigarista com cara de anjo, para colocar em prática uma tramoia, que visa à sedução da rica Hideko por um falso conde (Ha Jung-woo). Consumada a fuga e o casamento de Hideko com o rapaz, Sooke deve receber dinheiro e ficar com as roupas e jóias da vítima.
Dividido em três partes, ao longo de enérgicas 2h25, o filme sobrepõe pontos de vista, deixando claro que ninguém falou a verdade desde o começo. Com essa gradativa revelação de planos, crescem o suspense e o erotismo, em cenas requintadamente filmadas, especialmente entre as duas garotas. O habitual gosto do diretor por violência e cenas de sangue é reservado para uma pequena parte final, em que o humor negro se infiltra poderosamente. Em todas as partes, transparece o alto quilate da produção técnica (a fotografia, figurinos, iluminação e montagem são primorosos) e a mão firme do diretor de 52 anos. (Neusa Barbosa)
 
ESPAÇO ITAÚ DE CINEMA – FREI CANECA 1 -    21/10 – 21:15
ESPAÇO ITAÚ DE CINEMA – FREI CANECA 2 –   27/10 – 21:10
CINE CAIXA BELAS ARTES S/1 VILLA LOBOS –  28/10 – 18:55
ESPAÇO ITAÚ DE CINEMA – AUGUSTA 1 –             2/11 – 14:00
 

 Arlette, a coragem é um músculo

O documentário suíço-alemão, dirigido por Florian Hoffman, retrata a trajetória de Arlette, uma garota da República Central Africana cuja vida foi drasticamente alterada pelas idas e vindas de uma interminável guerra civil. Menina ainda, ela foi atingida no joelho por estilhaços de uma bomba, o que lhe causa dores constantes, há alguns anos.
Depois que o documentarista filma seu drama, surgem patrocinadores alemães para uma viagem da menina para recuperar-se na Alemanha. Assim, a garota deixa, pela primeira vez na vida, sua aldeia e sua família para receber tratamento médico na Alemanha. O filme retrata essa jornada de observação desta adolescente muito viva e curiosa, que documenta tudo à sua volta com uma Polaroid. Sempre que possível, ela relata momentos desta viagem à sua família por meio do Skype.
Longe de esgotar-se neste choque cultural de Arlette com o Velho Continente, o filme capta a explosão de sua adolescência e novos problemas que vêm pelo caminho – quando ela vai voltar, eclodem outros conflitos políticos em seu país e ela é obrigada a permanecer na Alemanha. Seus pais lhe dizem para não voltar, mas ela também não tem lugar ali, pois nem mesmo tem status de refugiada. Exibido no mais importante festival de documentários do mundo, o IDFA da Holanda, além de Helsinque, Munique e do Visions du Réel, esta obra é um refinado mergulho na contemporaneidade, filtrado pela expressão de uma jovem africana, que merece, mas não encontra, seu lugar num mundo conturbado demais. (Neusa Barbosa)
 
ESPAÇO ITAÚ DE CINEMA – FREI CANECA 3 –  21/10/16 - 19:10
CINEARTE 1 –                                                               22/10 – 17:50
ESPAÇO ITAÚ DE CINEMA – FREI  CANECA 5 - 28/10 – 13:30
CINESALA –                                                                 30/10 – 14:00

 Onde está Rocky II?

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O documentário (cômico) parte de uma boa ideia para se perder em sua metalinguagem desnecessária e confusa, e desperdiça a oportunidade de fazer uma boa discussão sobre arte pós-moderna.  Rocky II, no título, não se refere ao segundo filme da série protagonizada por Sylvester Stallone, mas a uma escultura em formato de rocha feita por Ed Ruscha, no final dos anos de 1970, e deixada no deserto de Mojave (Califórnia), misturada com outras verdadeiras.
Ninguém sabe ao certo se a obra é real. E o diretor Pierre Bismuth (ganhador do Oscar de roteiro original por Brilho eterno de uma mente sem lembranças, divido com Charlie Kaufman e Michel Gondry) se pergunta isso, mas vai além: onde está a obra? Trabalhando com um xerife aposentado, o documentarista sai à procura da tal rocha. O filme se constrói, então, como um noir, interessante e até engraçado diante da busca inusitada.
Ele entra no mundo dos colecionadores que movimenta milhões de dólares por uma tela, uma peça.a Fala com marchands, colecionadores, amigos de Ruscha (esse, segundo o detetive profissional, deve ser o último a ser inquirido) na tentativa de localizar a obra (ou, ao menos, descobrir se realmente existe). Cerca de metade do filme é essa investigação, até que entram em cena dois roteiristas, D.V. DeVincentis (Alta Fidelidade) e Anthony Peckham (Invictus), escrevendo um filme sobre um investigador em busca da mesma rocha que, se a encontrar, destruirá a vida e carreira de um artista plástico ficcional. Cenas desse filme – protagonizado por Robert Knepper, Milo Ventimiglia, e Stephen Tobolowsky – também aparecem aqui.
Modernoso e vazio, Onde está Rocky II? quer ser mais do que poderia, mais do que tem energia para ser. E, no fim, é claro, não é nada a não ser um exercício vazio de metalinguagem, que, como é de costume no assunto, se torna uma piada interna dos envolvidos. A questão central é ambiciosa: a relação do criador (artistas plásticos, roteiristas, diretores) com suas obras, mas a capacidade de Bismuth de sair pela tangente e preencher a tela com obviedades torna-se frustrante. (Alysson Oliveira)
 
CINEARTE 2   -                                                           21/10 - 14:00
RESERVA CULTURAL 2 -                                        26/10 - 20:10
ESPAÇO ITAÚ DE CINEMA - FREI CANECA 5 -    1/11 - 21:15
CIRCUITO SPCINE OLIDO -                                       2/11 - 17:00 

 Eu, Olga Hepnarova

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Baseado numa história real, que aconteceu na Tchecoslováquia dos anos de 1970,  Eu, Olga Hepnarová é um estudo de personagem construído com um distanciamento frio, numa bela fotografia em preto e branco que parece congelar a imagem num passado distante. Mas o retrato da alienação emocional pode ecoar até hoje. A protagonista, interpretada por Michalina Olszanska, é uma jovem homossexual com um conflito interno severo, que parece refletir o contexto social do país onde mora.
Nascida no começo dos anos de 1950, ela teve uma vida curta e problemática. Ela é introduzida no longa, dirigido por Petr Kazda e Tomás Weinreb, como uma adolescente atormentada, que tenta o suicídio e fracassa. Sua mãe (Klára Melísková) decreta: “Até para se matar é preciso ser forte”. Isso parece atormentar a garota pelo resto de sua existência.
Incapaz de se matar e também de lidar com o peso de suas escolhas numa sociedade opressiva e opressora, Olga buscará uma morte infligida por outras mãos. Levada a um estado que beira uma zumbi, a moça quer se vingar do mundo que não se importa com ela. Isso culmina num ato extremo numa rua de Praga, em 1973, que é retratado de forma quase banal nas mãos dos diretores – esvaziando um tanto um impacto do horror daquilo que está acontecendo na tela (e aconteceu no mundo real).
Há um algo de mártir em Olga, uma Joana D’Arc alienada, que ganha vida na interpretação meditada de Michalina Olszanska, uma jovem atriz polonesa em ascensão. A vida da protagonista é destituída de qualquer tipo de alegria ou conforto. Nem nas cenas de sexo com as mulheres que deseja, ela parece feliz. É nessa infelicidade constante, nos olhos vagos, que a intérprete encontra a honestidade de sua intepretação que, em alguns momentos, é maior do que o filme. (Alysson Oliveira)
 
CINEMARK CIDADE SÃO PAULO -                        21/10 - 21:30
ESPAÇO ITAÚ DE CINEMA - FREI CANECA 2 -   22/10 - 17:20
CINESALA -                                                                  25/10 - 17:40
ESPAÇO ITAÚ DE CINEMA - FREI CANECA 1 -      2/11 - 13:30
 

 El olivo

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Atriz, roteirista e diretora, a espanhola Icíar Bollaín – mulher do roteirista escocês Paul Laverty, parceiro constante de Ken Loach – compõe neste drama matizado um retrato tanto de uma figura feminina, a jovem Alma (Anna Castillo), quanto da eterna luta entre a defesa dos próprios valores e individualidade e o assédio do poder econômico para tudo comprar, conquistar e não raro destruir.
O centro da história é a relação de Alma com seu avô Ramón (Manuel Cucala), a criatura a que ela é mais ligada afetivamente no mundo. Ela distanciou-se do pai (Javier Gutiérrez) por um episódio no passado que o filme, oportunamente, trará à tona. Decidida e independente, a moça trabalha na granja da família e leva sua vida como quer. Tem um flerte com Rafa (Pep Ambrós) mas não permite que ninguém amarre sua vontade e lhe diga o que fazer.
Quando o avô para de falar e recusa-se a comer, cria-se um impasse dentro da família – que administra a granja e cujos desejos em relação ao futuro são conflitantes. O silêncio do avô parece ter relação com um episódio de passado recente em que a vontade dele foi contrariada – a venda de uma enorme e belíssima oliveira, cuja idade foi estimada em cerca de 2000 anos e acabou sendo removida da propriedade e vendida a uma empresa por um preço que a maior parte da família achou irrecusável.
Diante do risco de vida que o avô passa a correr, Alma decide que é preciso fazer o impossível para levá-lo a reagir. Convencida de que a perda da oliveira é a causa de sua depressão, Alma resolve ir até a Alemanha para buscar a árvore, que foi colocada nas dependências de uma grande empresa.
O projeto é maluco, quixotesco, e Alma nem mesmo procura aliados – dispõe-se a ir sozinha mesmo. Mas ganha a adesão de Rafa (que “empresta” um caminhão do patrão) e de seu próprio pai. O road movie até a Alemanha, que é bem-humorado e muito saboroso, coloca em questão os conflitos do trio e incorpora inúmeros incidentes pelo caminho – como o de que a luta pela oliveira ganha fãs, que abrem uma página no Facebook. Realista e sincero, o filme é um presente para quem gosta de unir reflexão e diversão. (Neusa Barbosa)
 
CINEARTE 1                                                               21/10 -   16:00
ESPAÇO ITAÚ DE CINEMA - FREI CANECA 1    22/10 –  15:50
SESC BELENZINHO                                                 29/10 -    20:00
CINE CAIXA BELAS ARTES  Sl 1 Vila Lobos         1/11 -    21:50 

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