Cine PE Festival do Audiovisual

Laís Bodanzky sai consagrada com oito prêmios

Neusa Barbosa
RecifeAs Melhores Coisas do Mundo, de Laís Bodanzky (SP), foi o grande vencedor do Cine PE, arrebatando oito prêmios no encerramento do festival. Já em cartaz em diversos estados, mas não em Pernambuco, o drama sobre adolescentes garantiu os troféus de melhor filme, direção, ator (o estreante Francisco Miguez), direção de arte, edição de som, fotografia, roteiro (este, dividido com o documentário Sequestro) e o de melhor filme para a crítica. Uma premiação justa e nada surpreendente, diante da incontestável superioridade do filme diante de todos os demais concorrentes.
 
O segundo filme mais premiado foi o drama brasiliense O Homem Mau Dorme Bem, de Geraldo Moraes, que venceu o de melhor filme para o público, melhor ator coadjuvante (Bruno Torres, que também foi premiado no Festival de Brasília 2009, onde o filme teve sua première) e atriz coadjuvante para a estreante Mariana Nunes.
 
Dois outros filmes conquistaram dois troféus cada um: o musical Léo e Bia, de Oswaldo Montenegro, que levou os de melhor trilha sonora e melhor atriz (Paloma Duarte, e o documentário Sequestro, de Wolney Atalla, vencedor de melhor montagem e melhor roteiro (este segundo, o prêmio mais absurdo da noite).
 
Ao drama Não se pode viver sem amor, de Jorge Durán (RJ), coube apenas um prêmio especial do júri para o veterano ator Rogério Fróes. Além disso, o filme venceu um prêmio especial da Federação Pernambucana de Cineclubes, como “melhor filme para reflexão” na categoria longa. Entre os curtas, o premiado da Federação foi o pernambucano Faço de Mim o que Quero, de Sergio Oliveira e Petrônio Lorena, que acumulou também o prêmio aquisição do Canal Brasil.
 
O único entre os longas a passar em branco nas premiações foi o documentário Cinema de Guerrilha,de Evaldo Mocarzel (SP).
 
Curtas digitais
 
No formato digital, o curta mais premiado foi Áurea, de Zeca Ferreira (RJ), que levou o de melhor curta para o júri,para a crítica e melhor montagem. Ensaio de Cinema, de Allan Ribeiro, venceu melhor direção e um prêmio especial da Associação Brasileira de Documentaristas (ABD) em associação com a Associação Pernambucana de Cineastas (APECI).
 
O melhor roteiro ficou para Se meu pai fosse de pedra, de Maria Camargo (RJ), com menção honrosa para Sweet Karolynne, de Ana Bárbara Ramos (PB). A surpresa do formato foi o prêmio de público sair para Tanto, de Natalli Clay (SC) – um drama pesado, em preto e branco, sobre uma moça com incapacidade drástica de lidar com o fim de um romance.
 
Curtas 35 mm
 
O excepcional Recife Frio, de Kléber Mendonça Filho (PE), foi o mais premiado deste formato: levou quatro prêmios, incluindo direção, roteiro, direção de arte e prêmio aquisição do programa Zoom, da TV Cultura de São Paulo.
 
Entretanto, o troféu de melhor curta ficou para o paulista Bailão, de Marcelo Caetano, que só ganhou esse prêmio – muito merecido, aliás. Três prêmios foram para Geral, de Anna Azevedo (RJ): melhor edição de som, melhor curta para a crítica e Prêmio Especial do Júri; Duas outras produções conquistaram dois prêmios cada uma: a comédia gaúcha Amigos Bizarros do Ricardinho, de Augusto Canani, melhor ator e montagem; e A Noite por Testemunha, de Bruno Torres (DF), melhor fotografia (dividida com A Montanha Mágica, do cearense Petrus Cariry) e melhor curta para o público.
 
Ficaram com um troféu cada: o pernambucano Azul, de Eric Laurence, que levou o de melhor atriz (Zezita Matos); o mineiro Revertere ad Locum tuum, de Armando Mendz, melhor trilha sonora; o carioca Zé(s), de Piu Gomes, menção honrosa; e o paulista Circuito Interno, de Júlio Martí, Prêmio Especial do Júri.
 
O criativo Nego Fugido, de Cláudio Marques e Marília Hughes Guerreiro (BA), ficou apenas com o troféu ABD/APECI, que também foi atribuído ao secretário do Audiovisual Sílvio Da-rin, que está de saída do cargo – segundo ele mesmo lembrou ao receber o troféu, sua exoneração será publicada no Diário Oficial nesta segunda-feira, o que torna este festival sua última aparição pública no exercício do cargo (no qual foi substituído por Newton Cannito). Foi também uma espécie de desagravo ao agora ex-secretário, que foi bastante aplaudido nesta despedida, causado por desentendimentos com o ministro da Cultura, Juca Ferreira.

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