CINE PE 2016

No Cine PE, "Danado de bom" faz justiça à grandeza musical de João Silva

Neusa Barbosa, do Recife

No Cine PE, "Danado de bom" faz justiça à grandeza musical de João Silva
O musical Danado de bom, de Deby Brennand (PE), é a grande atração desta noite do Cine PE, concorrendo na seção de longas. Nele, é apresentado – porque pouca gente realmente o conhece, uma injustiça – o compositor pernambucano João Silva, um parceiro constante de Luiz Gonzaga, que divide a autoria de alguns dos maiores sucessos do forró. Caso de Doutor do Baião, Deixa a tanga voar, Nem se despediu de mim, Aprendi com o rei, Chililique e o divertidíssimo Pagode Russo – que foi gravado inclusive por grupos pop. E, claro, de Tá Danado de bom, que dá nome ao documentário.
 
Natural de Arcoverde, João teve vida dura desde a infância. Abandonado pela mãe, criado pelo pai rígido, cresceu num sertão árido e duro, onde, em compensação, a música sempre foi fértil. Embebido de forró, xote, baião, cocó e outros ritmos, apaixonou-se pela música. Decidiu ser cantor e, ainda garoto, foi para o Rio. Queria conhecer Luiz Gonzaga, e conseguiu.
 
Sertanejos bicudos, os dois a princípio se estranharam. Mas logo a barreira se dissolveu, porque a afinidade musical era grande e rendeu frutos para toda a vida. O filme faz justiça à grandeza musical de João Silva, que se revela com uma sinceridade especial diante da câmera, mostrando emoções que matuto normalmente esconde. Pena que não viveu para ver pronto um filme tão belo sobre ele. João morreu em dezembro de 2013, aos 78 anos. Danado de bom faz justiça à sua memória.

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