39ª Mostra de São Paulo

Fim de semana reúne premiados em Cannes e Berlim

Equipe Cineweb
O primeiro final de semana da Mostra tem programas para todos os estilos. Confira abaixo as nossas dicas:
 
 As 1001 Noites  1 e 2 
Misto de ficção e documentário, dividido em três partes, a nova obra de Miguel Gomes (Tabu) não é uma adaptação dos famosos relatos e sim um mergulho profundo na severa crise econômica de Portugal, intercalando depoimentos e personagens reais – como, na primeira parte, As 1001 Noites – Volume 1, O Inquieto, os empregados de um estaleiro em desmonte em Viana do Castelo, norte do país – e irônicas e corrosivas fábulas em torno de situações absurdas, tendo uma certa Sherazade como narradora, tal como ocorre nos livros originais.
A segunda parte de  As 1001 Noites – Volume 2, O Desolado abre-se com a história de Simão sem tripas (o estreante Chico Chapas, um ex-soldado e comerciante de pássaros), um criminoso foragido. Outras histórias se desenrolam num tribunal, presidido por uma juíza (Luísa Cruz) – um segmento que permite uma original superposição de casos e pontos de vista, além de um humor impagável – e também num condomínio suburbano, em que se sucedem histórias de fracasso, tristeza, sonho e também a posse de um cachorro, Dixie, por vários moradores. O cão, que se chama Lucky, na verdade, é um “ator”experiente, tendo aparecido em diversas produções espanholas, como Sombras de Goya, de Milos Forman.
Em que pese toda a ironia de Gomes, é visível que ele quer falar sério. O que está fazendo em As 100 Noites é uma crônica de tempos sombrios, carregada de um humanismo melancólico os portugueses dominam como poucos.
Na próxima semana, estes dois capítulos serão exibidos novamente, além do terceiro e último. É um dos melhores programas da seleção do festival deste ano. (Neusa Barbosa)
Indicação: 16 anos
AS MIL E UMA NOITES: VOLUME 1, O INQUIETO (125 min)
ESPAÇO ITAÚ DE CINEMA - FREI CANECA 3                24/10/2015 - 13:30 - Sessão: 226 (Sábado)
ESPAÇO ITAÚ DE CINEMA - FREI CANECA 2                31/10/2015 - 21:45 - Sessão: 842 (Sábado)
CINESESC                                                                               1/11/2015 - 15:00 - Sessão: 907 (Domingo)
ESPAÇO ITAÚ DE CINEMA - AUGUSTA 1                        3/11/2015 - 15:50 - Sessão: 1067 (Terça)
 
AS MIL E UMA NOITES: VOLUME 2, O DESOLADO (132 min)
CINESALA                                                                      24/10/2015 - 14:00 - Sessão: 197 (Sábado)
RESERVA CULTURAL 2                                             31/10/2015 - 16:30 - Sessão: 864 (Sábado)
CINESESC                                                                     1/11/2015 - 17:30 - Sessão: 908 (Domingo)
ESPAÇO ITAÚ DE CINEMA - FREI CANECA 3       2/11/2015 - 19:30 - Sessão: 1010 (Segunda)
 
 Armadilha
O diretor filipino Brillante Mendoza mergulhou fundo em um melodrama com forte cunho neorrealista, sempre com uma câmera muito documental, acompanhando os efeitos devastadores do tufão Hayan sobre a cidade de Tacloban, Filipinas.
Um ano depois da tragédia, os sobreviventes ainda se abrigam nos restos de suas próprias casas destruídas ou então em tendas precárias – uma delas pega fogo, matando os familiares do pescador Renato (Lou Veloso) que haviam escapado ao tufão.
Não há uma única família que não conte seus mortos. Dona de uma pequena lanchonete, Bebeth (Nora Aunor) perdeu três filhos e insiste para que o ex-marido, como ela, submeta-se a um teste de DNA para procurar localizar seus restos, entre os milhares que foram sepultados às pressas.
Focalizando também o apego a uma religiosidade cristã um tanto fanática, a luta contra a burocracia inepta e a pobreza onipresente, Mendoza faz de sua câmera um instrumento de engajamento, embora o filme não seja tão bem realizado quanto trabalhos anteriores, caso de Lola ou Kinatay. (Neusa Barbosa)
Duração: 97 min
Indicação: 16 anos
CINESALA                                                                        23/10/2015 - 14:00 - Sessão: 110 (Sexta)
ESPAÇO ITAÚ DE CINEMA - AUGUSTA 1                25/10/2015 - 14:00 - Sessão: 295 (Domingo)
RESERVA CULTURAL 2                                               28/10/2015 - 17:45 - Sessão: 589 (Quarta)
ESPAÇO ITAÚ DE CINEMA - FREI CANECA 3         29/10/2015 - 13:30 - Sessão: 655 (Quinta)
CINEARTE 1                                                                     1/11/2015 - 20:00 - Sessão: 886 (Domingo)
 
 Chronic
Único latino-americano da competição oficial em Cannes 2015, em que venceu o troféu de melhor roteiro, o mexicano Chronic, de Michel Franco (Depois de Lucía), mergulha no universo solitário de um enfermeiro que cuida de doentes crônicos ou terminais, David (Tim Roth).
É um filme de narrativa mais sólida do que o seu anterior e Roth está empenhado até o último fio de cabelo no papel – ele até foi seu produtor executivo.
È uma atmosfera sempre sombria, já que o enfermeiro está envolvido com pacientes sem esperança – alguns até desejam que ele os ajude a morrer. Salta aos olhos sua dedicação a eles, já que ele não tem nenhuma vida pessoal fora desse trabalho. Há algo de misterioso nesta ligação dele com o que faz, o que nem sempre será visto com bons olhos. Essa dedicação cega também atrai suspeitas e acusações. E Franco caminha sobre uma linha dúbia na condução da história, deixando que o espectador decida o que pensar sobre este homem. O final é um tanto abrupto e desperta, mais uma vez – como acontecia com o premiado Depois de Lucía – uma certa dúvida sobre os reais talentos deste diretor. (Neusa Barbosa)
Duração: 92 min
Indicação: livre
CINESALA                                                                   22/10/2015 - 21:30 - Sessão: 27 (Quinta)
CINEARTE 1                                                               23/10/2015 - 17:15 - Sessão: 97 (Sexta)
RESERVA CULTURAL 2                                         24/10/2015 - 18:30 - Sessão: 247 (Sábado)
ESPAÇO ITAÚ DE CINEMA - FREI CANECA 3   25/10/2015 - 17:45 - Sessão: 317 (Domingo)
CINESESC                                                                  28/10/2015 - 19:45 - Sessão: 544 (Quarta) 
 
 Aliança do Crime
Além de seu elenco estelar, ter feito parte da seleção dos festivais de Veneza e Toronto já confere apelo suficiente ao longa, que traz a história do homem que dominou Boston por mais de duas décadas. No entanto, Johnny Deep encarnando o chefe da máfia James "Whitey" Bulger é o principal chamariz do filme e tem razão de ser.
Sua performance como o lendário criminoso é a primeira em que o ator parece ter se livrado totalmente dos maneirismos do icônico Jack Sparrow, aparecendo transformado na tela. O trabalho de caracterização é ótimo, com as lentes azuis, o cabelo loiro quase branco todo para trás e toda a maquiagem. Mas é sua atuação, calcada em um controle e uma força que exala nos mínimos detalhes de um homem que não era muito forte, que mostra a frieza e complexa sociopatia do mafioso, clara logo no início, com os ensinamentos dele ao filho.
Através de relatos de ex-parceiros de Whitey no crime, a narrativa conduzida pelo roteirista estreante Mark Mallouk e Jez Butterworth, de No Limite do Amanhã (2014), acompanha como o chefe deles se tornou um informante oficial do FBI, apesar de dizer que era “aliado”, para que a instituição federal acabasse com a máfia italiana que dominava o norte de Boston. As operações eram conduzidas pelo agente John Connolly (Joel Edgerton), que crescera com os irmãos Bulger – curiosamente, o irmão de James era o então senador Billy Bulger (um excelente Benedict Cumberbatch) – e tinha um senso de lealdade das ruas que o levou a operar toda a máquina governamental em favor dos interesses da máfia irlandesa do sul da cidade.
Além do trabalho da equipe de arte e figurino na reconstituição de época durante as transições temporais da narrativa, somam-se a elegante e sóbria fotografia de Masanobu Takayanagi e a trilha orquestral de Junkie XL, às vezes suntuosa demais, outras, desesperadora na medida certa. O antes intérprete Cooper, que já demonstrou seu talento para a direção de atores em Tudo por Justiça (2013) e, especialmente, em Coração Louco (2009), novamente acerta neste quesito ao ter em mãos um excelente elenco: Kevin Bacon, Peter Sarsgaard e Rory Cochrane são alguns dos vários nomes de um forte cast masculino, que conta com a boa interpretação de Julianne Nicholson e participações de Dakota Johnson e Juno Temple.
Contudo, o cineasta consegue fazer um trabalho em tudo consistente em sua dissertação sobre como a corrupção dos altos escalões se misturou às extorsões, jogos ilegais e assassinatos das ruas de Boston, no final dos anos 70, tendo seu auge na década de 80, até a derrocada em 1994. Ao espectador acostumado aos ágeis filmes de máfia, como Os Infiltrados (2006), ou o hiperativo olhar do britânico Guy Ritchie sobre o submundo do crime, a aparente calma condução do diretor pode desagradar – e, há sim, certas quebras de ritmo, especialmente no terceiro ato. Apesar de se aproximar do justamente do cinema de Scorsese, na trilha e no off, ao mesmo tempo, corre para outro lado: Cooper não trata a máfia como espetáculo e sim na realidade de suas ações que ocorriam fria e cruelmente, muitas vezes à luz do dia.  (Nayara Reynaud)
Duração: 122 min
Indicação: 16 anos
CINESALA                                                                             24/10/2015 – 22:00 – Sessão: 201 (Sábado)
ESPAÇO ITAÚ DE CINEMA – FREI CANECA 1            27/10/2015 – 15:15 – Sessão: 469 (Terça)
CINEMATECA – SALA BNDES                                         29/10/2015 – 21:15 – Sessão: 625 (Quinta)
ESPAÇO ITAÚ DE CINEMA – AUGUSTA 1                    2/11/2015 – 22:00 – Sessão: 991 (Segunda)
 
 Body
O trabalhoque rendeu à polonesa Malgorzata Szumowska o prêmio de direção no Festival de Berlim – dividido com o romeno Radu Jude, de Aferim!, também na seleção da Mostra – é um filme de emoções contidas e momentos de estranhamento. A narrativa se concentra em três personagens: um investigador de polícia (Janusz Gajos), sua filha com anorexia, Olga (Justyna Suwala), e a terapeuta dela, Anna (Maja Ostaszewska ), que acredita ser capaz de se comunicar com os mortos.
O roteiro, assinado pela diretora e Michal Englert, acompanha as três perspectivas que, na verdade, pouco se complementam, o que, no fundo, evidencia o isolamento e a solidão de cada um desses personagens. Nenhum deles é feliz em sua vida, em suas escolhas – ou falta delas. O investigador lida com a morte todos os dias, a ponto de parecer ter perdido a sensibilidade. Quando um jovem colega começa a tremer numa cena de crime, o protagonista aconselha que ele precisa lidar com isso: “É o nosso trabalho”.
Anna é uma terapeuta esforçada, trabalhando com um grupo de jovens anoréxicas e tentando trazer um novo sopro de vida para elas. Quando Olga chega à clínica, ela precisa não apenas se adaptar ao grupo, como também aprender a lidar com seus próprios fantasmas. Nas horas vagas, quando não está passeando com seu enorme cachorro, Anna se comunica com os mortos, psicografando páginas e mais páginas aparentemente ditadas por espíritos.
Há um humor delicado, às vezes negro, vindo da ingenuidade dessas personagens. Mas o que predomina é um olhar cuidadoso da diretora sobre essas três figuras que, cada um a seu modo, está à margem, perdeu o gosto pela vida – seja pela anestesia de conviver diariamente com a morte, ou pelo simples fato de não ter expectativas para o futuro.
Ao mesmo tempo, o longa é um comentário sobre a Polônia contemporânea, cuja identidade está cindida – entre a modernidade e os valores do passado -, e onde a religião já não é mais capaz de dar respostas ou, ao menos, conforto. O que sobra é se agarrar ao místico, como Anna. (Alysson Oliveira)
Indicação:  16 anos
Duração: 90 min
CINE CAIXA BELAS ARTES - SALA SPCINE -                  23/10/2015 - 16:45 - Sessão: 104 (Sexta)
ESPAÇO ITAÚ DE CINEMA - FREI CANECA 4 -               27/10/2015 - 19:45 - Sessão: 515 (Terça)
ESPAÇO ITAÚ DE CINEMA - FREI CANECA 1 -               28/10/2015 - 20:15 - Sessão: 561 (Quarta)
CINEARTE 1 -                                                                           3/11/2015 - 17:45 - Sessão: 1041 (Terça)
ESPAÇO ITAÚ DE CINEMA - FREI CANECA 5 -               4/11/2015 - 15:30 - Sessão: 1172 (Quarta)
 
 O Quarto Proibido
Há mais de dez anos, a obra do canadense Guy Maddin foi tema de uma retrospectiva completa na Mostra – na época, inclusive, ele lançava o filme que se tornou o mais famoso, A Música Mais Triste do Mundo. Dessa forma, o novo trabalho do cineasta (codirigido por Evan Johnson), O Quarto Proibido, não deve soar de todo inusitado ao público da Mostra – embora o filme seja extremamente estranho.
Há, aqui, o universo onírico e a fantasmagoria típicos da obra do cineasta, assim como a relação com formas de fazer cinema do passado – especialmente do momento em que conviviam os últimos filmes mudos e os primeiros falados. Ao centro, está um submarino com pouco oxigênio, condenando sua tripulação a poucas horas de vida.
O Quarto Proibido parece se dar na fissura dos vintages que fascinam Maddin – quando nem uma forma nem a outra é a hegemônica, e os filmes mudos lutam uma batalha perdida para terem uma sobrevida. Esse parece o destino de seus personagens aqui. Suas vidas são capturadas em diversos suportes – desde duas formas de película populares nos anos de 1930 e 1940, além de projeções, e momentos em que o filme (o objeto físico) parece desmanchar enquanto é exibido.
Maddin, que deve ser um dos sujeitos mais populares do mundo que faz filmes estranhos, consegue um elenco de estrelas europeias em papéis pequenos, mas que também parecem ter se divertido muito – como é o caso de Mathieu Amalric, Geraldine Chaplin, Maria de Medeiros e Charlotte Rampling, entre outros. E é, de certa forma, uma bobagem tentar sumarizar o filme numa sinopse, porque aqui pouco importa o que tem para contar, mas como os diretores contam o filme, o que o torna uma experiência quase sensorial. (Alysson Oliveira)
Indicação: 16 anos
Duração: 128 min
ESPAÇO ITAÚ DE CINEMA - FREI CANECA 3-                     23/10/2015 - 17:30 - Sessão: 142 (Sexta)
ESPAÇO ITAÚ DE CINEMA - FREI CANECA 6 -                    24/10/2015 - 21:15 - Sessão: 240 (Sábado)
ESPAÇO ITAÚ DE CINEMA - FREI CANECA 2 -                    28/10/2015 - 17:15 - Sessão: 565 (Quarta)
ESPAÇO ITAÚ DE CINEMA - AUGUSTA 1 -                            29/10/2015 - 21:40 - Sessão: 639 (Quinta)
CINEARTE 1 -                                                                                30/10/2015 - 16:45 - Sessão: 704 (Sexta)
 
 A Terra e a Sombra
Vencedor  do prêmio Caméra D’Or (ao qual concorrem todos os filmes de diretores estreantes exibidos no Festival de Cannes), o colombiano (coprodução com Brasil, Chile e Holanda) A Terra e a Sombra, de César Augusto Acevedo, é um filme que tem o tempo da narrativa bastante peculiar.
Algumas pessoas poderiam usar o termo reducionista “lento”, mas o longa é bem mais do que isso. O diretor, que também assina o roteiro, tenta capturar em imagens e narrativa a vida de personagens que se movem lentamente para o fim – assim como o mundo onde vivem.
Nesse sentido, não é de se espantar que o entorno de sua casa, numa região rural da Colômbia, seja consumido por fogo, e que a fumaça não apenas cegue os moradores como tenta asfixiá-los. A chegada de Alfonso (Haimer Leal) é apenas o ponto de partida. Idoso e distante da família há anos, ele volta para reencontrar o filho, Gerardo (Edison Raigosa), ex-cortador de cana-de-açúcar que tem uma doença pulmonar e pouco tempo de vida. Sua mulher (Marleyda Soto) trabalha nos campos de cana, assim como sua mãe (Hilda Ruizcuida), para sustentar a casa.
O que dita o tempo aqui, então, é a espera da inevitável morte de Gerardo, que parece, às vezes, adiada, mas da qual não se há como fugir. Uma agonia tal qual a do mundo onde vivem – que também parece com os dias contados. Trabalhando com o diretor de fotografia Mateo Guzman, Acevedo cria imagens que transitam entre o onírico e o realista, entre a esperança e o inevitável. Seus quadros são composições meditadas, das quais os personagens são, às vezes, acessórios – o que não deixa de refletir a existência melancólica deles. (Alysson Oliveira)
Indicação:  10 anos
Duração: 94 min
CINESESC-                                                                       24/10/2015 - 22:00 - Sessão: 205 (Sábado)
CINE CAIXA BELAS ARTES - SALA SPCINE -          25/10/2015 - 22:00 - Sessão: 282 (Domingo)
CINESALA -                                                                      1/11/2015 - 18:00 - Sessão: 904 (Domingo)
CINEARTE 1   -                                                                 3/11/2015 - 14:00 - Sessão: 1039 (Terça)
 
 Fome
Feita, alegadamente, com inacreditáveis R$ 15.000,00, sem recursos de editais, a ficção Fome, de Cristiano Burlan, repercutiu no Festival de Brasília, em setembro, como uma obra destinada a provocar discussões infinitas sobre forma, conteúdo, gênero, realidade, invenção e toda a gama de assuntos que percorre esta produção paulista.
Pela quarta vez, o crítico e teórico cinematográfico Jean-Claude Bernardet entra num filme de Burlan, na pele de ator – interpretando um ex-professor universitário de cinema que virou morador de rua em São Paulo por opção. Certamente, a persona real de Jean-Claude impregna cada plano de Fome. A biografia de Jean-Claude nunca é inteiramente deixada de lado e isso é proposital – senão o filme não dedicaria uma tão longa sequência a uma discussão do protagonista com um ex-aluno que o reconheceu (o crítico Francis Vogner), em que se trata de temas caros ao teórico, sobre o valor da atividade intelectual e do próprio cinema.
Esta cena foi uma das várias em que a improvisação (não havia diálogos definidos antes) foi desencadeada a partir do atrito entre a realização do filme e a própria história de Jean-Claude. E esta é uma das marcas da experimentalidade do filme, que atira em várias direções e se fragmenta em muitas intenções.
Fome traduz, sem dúvida, uma grande busca de Burlan e, dentro dela, registra momentos de grande beleza – como as cenas que mostram Jean-Claude carregando um outro morador de rua, seu amigo, dentro do carrinho de supermercado detonado onde carrega seus poucos pertences; em outra onde canta uma canção em francês e conversa com uma moça (Ana Carolina) numa praça; numa outra em que ele dança em câmera lenta; e, talvez a mais bonita, quando caminha lado a lado com um cantor pelo Minhocão vazio na madrugada.  Mas é, no todo, um filme que exige empenho do espectador. (Neusa Barbosa)
Duração: 90 min
Indicação: 10 anos
CINE CAIXA BELAS ARTES - SALA SPCINE                    23/10/2015 - 21:30 - Sessão: 106 (Sexta)
MATILHA CULTURAL                                                             24/10/2015 - 16:00 - Sessão: 255 (Sábado)
ESPAÇO ITAÚ DE CINEMA - FREI CANECA 1                 29/10/2015 - 15:15 - Sessão: 646 (Quinta)
 
 Sex: speak
O surpreendente documentário alemão, dirigido por Saskia Walker e Ralf Hechelmann, é muito eficaz na escolha de seus personagens e na extraordinária sinceridade que obteve deles para falar de sua vida sexual. As idades variam entre 12 e 74 anos. E o garotinho de 12 anos é um dos depoimentos mais interessantes do filme. (Neusa Barbosa) 
Duração:  80 min
Indicação: 14 anos 
CINE OLIDO                                                                    23/10/2015 - 17:00 - Sessão: 93 (Sexta)
ESPAÇO ITAÚ DE CINEMA - FREI CANECA 6        24/10/2015 - 15:45 - Sessão: 237 (Sábado)
ESPAÇO ITAÚ DE CINEMA - FREI CANECA 5        25/10/2015 - 21:30 - Sessão: 324 (Domingo)
ESPAÇO ITAÚ DE CINEMA - FREI CANECA 3        3/11/2015 - 22:30 - Sessão: 1090 (Terça)
 
 10% minha filha
O filme israelense, de Uri Bar-On parece ter fundo autobiográfico, tal a sinceridade e o frescor que extrai de uma história simples, envolvendo o jovem estudante de cinema Nico, que ainda não conseguiu concluir seu filme de formatura, e Franny, a filha de sete anos de sua nova namorada divorciada.
Abordando um ritual de amadurecimento, tanto de Nico quanto da menina – que, a princípio, odeia o homem responsável pelo divórcio de seus pais – a história flui entre muitas emoções, alternando momentos dramáticos e bem-humorados. É o tipo do filme para todos os públicos, que se segue com interesse pela honestidade e falta de pretensão. É também bastante contemporâneo e nada piegas ao tratar de um relacionamento afetivo de uma família não convencional. (Neusa Barbosa)
Duração: 83 min
Indicação: 10 anos
ESPAÇO ITAÚ DE CINEMA - FREI CANECA 5                      23/10/2015 - 19:30 - Sessão: 148 (Sexta)
ESPAÇO ITAÚ DE CINEMA - FREI CANECA 4                      30/10/2015 - 15:30 - Sessão: 785 (Sexta)
CINEARTE 1                                                                                  2/11/2015 - 14:00 - Sessão: 961 (Segunda)
CCSP - SALA PAULO EMILIO                                                    4/11/2015 - 19:00 - Sessão: 1122 (Quarta)
 
 
Meu Amigo Hindu
 
“Meu Amigo Babenco” seria o melhor título para o projeto autobiográfico do diretor argentino radicado no Brasil, que se inspira no momento mais difícil de sua vida, quando sofreu um grave câncer, para criar a história de Diego Fairman, aqui vivido por Willem Dafoe. Não apenas por se voltar para sua própria vida, mas pela narrativa totalmente autocentrada, que torna o tal amigo hindu, assim como os outros coadjuvantes, apenas um acessório, o outro nome se adequaria melhor ao egocêntrico Meu Amigo Hindu (2015).
Ainda que a espécie de anti-herói que o cineasta cria para seu alter ego cative em alguns momentos por causa da interpretação de Dafoe, o roteiro instável apresenta sequências de acontecimentos de uma vida, sem se dedicar com verdadeira profundidade na maior parte delas. A apresentação inicial do protagonista é intermitente, sem amarras, e a trama só ganha corpo quando Diego vai se tratar nos Estados Unidos, apesar de seu sentimentalismo. Só que o menino hindu que também faz tratamento no hospital aparece somente na segunda metade do longa, e tão brevemente que o espectador passa o terceiro ato ansiando um final iminente a cada cena que aponta para esse caminho, mas acaba se frustrando.
Por fim, há ainda a escolha do inglês como idioma de um filme cuja história se passa, em sua grande maioria, em São Paulo. Ainda que seja uma adaptação da produção para se adequar à estrela internacional do elenco, de resto, repleto de atores brasileiros – Maria Fernanda Cândido, Reynaldo Gianecchini, Selton Mello, Bárbara Paz, Tuna Dwek e muitos outros –, não há desculpas narrativas para uma mulher começar a falar em inglês com o até então desconhecido personagem, sem saber que se trata de um estrangeiro por terras brasileiras. (Nayara Reynaud)
 
Indicação: 18 anos
Duração: 124 min
 
CINEARTE 1      25/10/2015 - 21:00 - Sessão: 272 (Domingo)

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