CINE PE 2015

Apoio ao movimento Ocupe Estelita atinge Cine PE

Neusa Barbosa, do Recife

Foi uma noite 100% pernambucana, tanto na origem dos filmes como no engajamento aos protestos em defesa do movimento Ocupe Estelita que tem dominado as ruas do Recife nos últimos dias. A quarta noite competitiva do Cine PE assistiu cineastas, técnicos e atores dos filmes concorrentes levantando faixas no palco do cine São Luiz, manifestando-se contra a aprovação de um projeto pela prefeitura do Recife, na calada da noite de segunda, que libera a área, localizada no centro histórico da capital pernambucana, para outros fins que não o lazer e a moradia popular, objetivos do movimento, tornando o episódio mais uma batalha dentro da luta contra a descaraterização da cidade pela especulação imobiliária.
 
Manifestaram-se pelo movimento, por exemplo, as equipes dos longas Permanência, de Leonardo Lacca, O gigantesco imã, de Petrônio e Tiago Scorza, e do curta Bajado, de Marcelo Pinheiro.
 
Já exibida em outros festivais, a ficção Permanência retoma e alarga o tema de outro curta do diretor – Décimo-segundo (2007), também estrelado, como o longa, por Irandhir Santos. No enredo, o reencontro de um ex-casal, o fotógrafo Ivo (Irandhir), a desenhista Rita (Rita Carelli), que agora está casada com outro (Silvio Restiffe), em São Paulo.  
 
Ostentando uma produção extremamente bem-cuidada, o longa de Lacca explora tensões sufocadas entre os antigos amantes. Também incorpora como seu assunto alguns ambientes de São Paulo, como o mundinho das exposições de fotografias, fincando-se num universo esnobe de classe média alta. Há muito apuro e sutileza visual e os intérpretes Irandhir e Rita são especialmente talentosos. Apesar disso, a história se ressente de um certo distanciamento, quase frieza, um certo artificialismo nas relações que rouba energia a uma narrativa que fala de paixão.
 
O documentário O gigantesco imã apresenta uma figura ímpar, um octagenário inventor incansável, cuja curiosidade vai das armas e motores à asa-delta. Porém, mais uma vez, como aconteceu anteriormente, o som prejudicou o entendimento das falas. Ontem, os diretores do festival informaram que, após o evento, que se encerra nesta sexta com as premiações, o Cine São Luiz será fechado para reformas e o som estará entre uma das preocupações.
 
Curtas
 
Um certo artificialismo contaminou também o curta pernambucano Brócolis, em que a diretora Valentina Homem encena a história de uma mulher que perdeu uma filha e tenta reconstruir sua vida nos EUA (o curta é falado em inglês, com legendas).
 
Espontâneo, natural e rico de informações, o curta Bajado, de Marcelo Pinheiro, foi o contrário de tudo isso, apresentando de maneira criativa a figura ímpar do pintor olindense Bajado, fazendo bom uso de materiais em super-8 como suporte de arquivo.

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