É Tudo Verdade

20º É Tudo Verdade abre com filme póstumo de Eduardo Coutinho

Alysson Oliveira
 Em sua 20ª edição, o Festival É Tudo Verdade, que começa na quinta (9) em São Paulo e sexta (10) no Rio, presta homenagem a dois grandes nomes do cinema documental brasileiro: Eduardo Coutinho e Vladimir Carvalho. Na sessão de abertura do festival, apenas para convidados, nas duas cidades, será exibido Últimas Conversas, filme póstumo de Coutinho, morto em fevereiro do ano passado, que foi concluído por Jordana Berg – montadora que trabalhou com ele em diversos documentários – e João Moreira Salles, seu produtor desde 2002. O filme ainda terá sessões no festival, antes de sua estreia, prevista para maio.
 
No longa, Coutinho entrevista jovens cariocas que estão terminando o ensino médio, e pergunta sobre suas perspectivas sobre o futuro e visões sobre família e religião, entre outras coisas. Além disso, o documentário é um epitáfio ao seu modo de filmar e conduzir diálogos com seus personagens.
 
 A retrospectiva Vladimir, 80 trará os principais longas do cineasta paraibano, que completou 80 anos em janeiro passado. São eles Conterrâneos Velhos de Guerra (1991), O Evangelho Segundo Teotônio (1984, foto ao lado), O Homem de Areia (1981) e O País de São Saruê (1971), além de dois documentários sobre o cineasta: Vladimir Carvalho: Conterrâneo Velho de Guerra, de Dácia Ibiapina, e Vladimir Carvalho, Um Olhar Solidário, de Walter Carvalho, que também é irmão do documentarista. Fora os filmes, será lançado Jornal de Cinema, livro que reunirá textos de Vladimir, produzidos ao longo de meio século.
 
A competição brasileira de longas traz uma combinação entre veteranos (e premiados no festival) e jovens cineastas: Eu sou Carlos Imperial, de Renato Terra e Ricardo Calil; Filme sobre um Bom Fim, de Boca Migotto; Orestes, Rodrigo Siqueira; A Paixão de JL, de Carlos Nader; Sete Visitas, de Douglas Duarte; Caminho de Volta, de José Joffily e Pedro Rossi; e Um Filme de Cinema, de Walter Carvalho.
 
 A competição internacional de longas e médias selecionou: Chamada de Emergência – Um Mistério de Assassinato, de Pekka Lehto, da Finlândia; Chamas de Nitrato, de Mirko Stopar, da Noruega e Argentina; O Conselho, de Yahya Alabdalla, da Jordânia e Emirados Árabes Unidos; A França é Nossa Pátria, de Rithy Pahn (foto ao lado), da França; Hora do Chá, de Maite Alberdi, do Chile e EUA; O Outro Homem: F. W. de Klerk e o Fim do Apartheid, de Nicolas Rossied, dos EUA; Pekka, de Alexander Oey, da Holanda; O Que Houve, Srta Simone?, de Liz Gabus, também dos EUA; Seguindo Nazarín: O Eco de Uma Terra em Outra Terra, de Javier Espada, coprodução Espanha e México; Seus Pais Voltarão, de Pablo Martínez Pessi, do Uruguai; A Visita, de Michael Madsen, da Dinamarca; e Tempo Suspenso, de Natalia Bruschtein, do México.
 
As duas décadas do festival serão celebradas com 20 documentários a serem exibidos aos pares, formados por ligações temáticas, e, assim, ampliando a discussão. Os programas são formados por: (1) A Casa da Rua Arbat, de Marina Goldovskaya, e No Buraco, de Juan Carlos Rulfo; (2) A Televisão e Eu, de Andrés di Tella, e Santiago, de João Moreira Salles; (3) Entrada Para a Paz Celestial, de Richard Gordon, e Fengming – Memórias de uma Chinesa, de Wang Bing; (4) Cidadão Boilesen, de Chaim Litewski, e Tropicália, de Marcelo Machado; (5) Santo Forte, de Eduardo Coutinho, e O Sicário – Quarto 164, Gianfranco Rosi; (6) Os Sem-Visão, de Miroslav Janek, e Primo de Segundo Grau, de Alan Berliner; (7) O Mar que Pensa, de Gert De Graaff, e Os Cinco Obstáculos, de Lars Von Trier e Jørgen Leth; (8) O Prisioneiro da Grade de Ferro, de Paulo Sacramento, e A Alma do Osso, de Cao Guimarães; (9) Porque Lutamos, de Eugene Jarecki, e Cinco Câmeras Quebradas, de Guy David e Emad Bornat; (10) Jasmine, de Alain Ughetto, e Tintin e Eu, de Anders Østergaard.
 
O centenário de nascimento do cineasta Orson Welles será lembrado com a exibição de duas obras documentais: F for Fake – Verdades e Mentiras, dirigida por ele e mostrada em cópia restaurada, e It’s All True – Baseado em um Filme Inacabado de Orson Welles, de Bill Krohn, Myron Meisel e Richard Wilson, um documentário sobre o documentário interrompido que o americano filmava no Brasil, em 1942 (e cujo nome batiza o próprio festival).
 
A seção Programas Especiais reúne filmes de cineastas como Laura Poitras, vencedora do Oscar de documentário este ano com Citizenfour, retratando encontro com o ativista Eduwrad Snowden; Les Blank (Como Cheirar uma Rosa: Uma Visita com Ricky Leacock à Normandia), Robert Drew (Dois Homens e Uma Guerra), Robert J. Flaherty (Moana Sonoro), e a brasileira Lucia Murat (A Nação que Não Esperou por Deus). O Estado das Coisas terá filmes de cineastas como Pedro Asbeg e Renato Martins (Geraldinos), Claudia Lisboa (A Revolução de Nada) e Pavel Kostomarov (O Termo).
 
O Foco Latino traz filmes inéditos no país e produzidos em países como Panamá  e Argentina  (Invasão, de Abner Benaim), Colômbia (O Retorno, de Juan Pablo Rios) e Peru (Tempestade nos Andes, de Mikael Wiström). Em parceria com o BNDES, o É Tudo Verdade apresenta dois ciclos, um deles parte da homenagem a Vladimir Carvalho, com curtas e médias – como  A Pedra da Riqueza (1975) e Vila Boa de Goyaz (1974) –, e o outro integrado por filmes da seção O Estado das Coisas, como Estrada dos Sonhos, de Pedro von Krüger, e Jaci – Sete Pecados de uma Obra Amazônica, de Caio Cavechini e Carlos Juliano Barros.
 
Além da coletânea de Vladimir Carvalho, o Festival lançará outro livro, A Verdade de Cada Um, em parceria com a Cosac Naify, que reunirá ensaios escritos por cineastas renomados de diversos países, como Robert Flaherty, Moreira Salles e Jia Zhang-Ke. Ao todo, serão 32 textos de “documentaristas que também pensam o cinema”, nas palavras do diretor do É Tudo Verdade, Amir Labaki. Ele completa que o livro tem a intenção de “mostrar o percurso do documentário a partir de seus realizadores”.
 
Em São Paulo e no Rio de Janeiro, o festival acontece até 19 de abril, exibindo 109 filmes de 31 países. Depois disso, parte da seleção fará uma itinerância por Belo Horizonte (29 de abril a 4 de maio), Santos (7 a 10 de maio) e Brasília (27 de maio a 01 de junho). As sessões do Festival são todas gratuitas. Para mais informações sobre os filmes, e a programação completa, acesse http://www.etudoverdade.com.br/br/home/

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