MOSTRA 2014

Romance coreano, cult espanhol e brasileiros originais

Equipe Cineweb

 DOIS AMANTES E UM GATO
Conhecido por sua potência e arrojo visual, o cinema coreano ganha aqui um representante intimista, assinado por uma diretora de segunda viagem, Ahn Seon-Kyoung.
Ela é autora também do roteiro, que acompanha os dilemas de um casal atribulado, formado por uma candidata a roteirista de cerca de 40 anos, e um jovem de 17. Os dois vivem pobremente, dedicando toda a sua renda e muito de suas atenções a seus gatos.
A doença de um dos animais catalisa o acirramento das contradições de sua situação que, apesar da paixão não esmorecer, enfrenta toda espécie de obstáculos. Como a necessidade de muito dinheiro para o tratamento desse gato, a perda de emprego de garçonete dela e pressões inúmeras, por parte das famílias de ambos.
Sem nada de propriamente original, a história de amor atravessa inúmeros climas e intempéries, na paisagem coberta de neve de um inverno que parece nunca terminar. Mas o enredo incorpora com sinceridade a sombra e a luz destas existências de um modo que permite a conexão com seus sentimentos e particularidades. (Neusa Barbosa)
 
Indicação: 16 anos
Duração: 97 min
 
CINE SABESP                             22/10/2014 - 17:30 - Sessão: 565 (Quarta)
 
 TSILI
Baseado no romance homônimo de Aharon Appelfeldt, o renomado diretor israelense Amos Gitai cria um relato de luta pela sobrevivência de judeus em meados da II Guerra Mundial.  A jovem Tsili escondeu-se nas florestas da Ucrânia, depois que sua família foi deportada para os campos de concentração. Ela ocupa todo seu tempo e energia em esconder-se, sempre que ouve algum rumor, e procurando avidamente qualquer coisa que sirva de alimento. Até o dia em que aparece um jovem, Marek, causando inquietação – afinal, quem é ele? Ela pode confiar nele?
Gitai cria uma narrativa com toque poético, rompendo com a linearidade a começar pela alternância de duas atrizes no papel da protagonista, Sara Adler e Meshi Olinski, e também recorrendo à voz de uma terceira, Lea Koenig. Através deste recurso, dá prioridade à evocação de sensações. (Neusa Barbosa)
 
Indicação: 14 anos
Duração: 88 min
CINESESC                                   22/10/2014 - 15:00 - Sessão: 610 (Quarta)
CINE SABESP                              28/10/2014 - 18:20 - Sessão: 1088 (Terça)
 
 O ESPÍRITO DA COLMEIA
Tudo começou quando o cineasta espanhol Victor Erice foi convidado para fazer um filme de Frankenstein. Como o orçamento era insuficiente, ele resolveu contar outra história e acabou criando uma das obras mais poderosas do cinema espanhol. 
Lançado em 1973, quando Erice tinha apenas 33 anos, o filme é um amálgama de temas e rimas visuais que se tornariam frequentes em sua obra – que ganha uma minirretrospectiva na 38ª Mostra. Encontram-se em O Espírito da Colmeia um dos dos temas-chave do diretor: uma comunidade destroçada por uma guerra civil, encerrada em suas próprias fantasias. A protagonista é a pequena Ana (Ana Torrent, que anos depois esteve em filmes como Cria Cuervos e A Outra), que fica impressionada ao assistir a Frankenstein (1931), estrelado por Boris Karloff, cuja performance marca profundamente a garota.
Ana tem em sua irmã, Isabel (Isabel Telleria), apenas poucos anos mais velha, a pessoa que lhe explica aquilo que não é capaz de compreender.  Quando encontram um soldado ferido num galpão, Ana tem um Frankenstein para chamar de seu.
O Espírito da Colmeia é, em sua essência, uma alegoria sobre a Espanha da ditadura de Franco. Já seu título como bem definiu o professor Marvin D’Lugo (especialista em cinema e literatura espanhola): “ É o símbolo de uma ordem social que, embora superficialmente unificada, é ainda assim marcada pelo isolamento radical de cada um de seus membros” – e esse é o preço das décadas de repressão. A única diversão que resta aos personagens é o cinema – o sopro de fantasia que torna a realidade minimamente suportável. (Alysson Oliveira)
 
Indicação: 16 anos
Duração: 97 min.
 
ESPAÇO ITAÚ DE CINEMA - FREI CANECA 5  -            22/10/2014 - 16:15 - Sessão: 560 (Quarta)
CINE OLIDO -                                                                 26/10/2014 - 15:00 - Sessão: 966 (Domingo)
MATILHA CULTURAL    -                                                28/10/2014 - 20:10 - Sessão: 1118 (Terça)
 
 WINTER SLEEP
O grande vencedor da Palma de Ouro em Cannes tem um perfume do teatro sutil do russo Anton Tchecov, ao apoiar-se nos dilemas interiores, que se desenvolvem revelando contundentes conflitos pessoais, familiares e sociais através do manejo afiado da arquitetura da palavra.
Não por acaso, o protagonista, o ator aposentado e hoteleiro Aydin (Haluk Bilginer), que vive num hotel ancorado no esplêndido cenário das montanhas geladas da Capadócia, está neste momento pensando em escrever uma grande história do teatro turco – que ele nunca começa.
O que se passa em suas conversas com a jovem mulher Nihal (Melisa Sözen) – de quem ele se distanciou –, a irmã divorciada, Necla (Demet Akbag), o imã Hamdi (Serhat Kiliç), o inquilino em atraso Ismail (Nejat Isler) e outros percorre esse grande teatro da vida, evocando situações de luta de classes, conflitos familiares, religiosos, dominação, machismo, acomodação, rebeldia, sentimento de fracasso. Não falta também um aceno ao huis clos das relações entre homens e mulheres que Ingmar Bergman visitou tão profundamente, mas aqui sob o acento mais ríspido do diretor turco Nuri Bilge Ceylan.
Diretor maduro e consagrado por filmes como Era uma vez em Anatólia, Distante, Três Macacos e Climas, Ceylan atinge um ponto de maturidade com este filme longo, mas muito envolvente. (Neusa Barbosa)
 
Indicação: 16 anos
Duração: 196 min
 
RESERVA CULTURAL 1                                         22/10/2014 - 20:30 - Sessão: 609 (Quarta)
CINE SABESP                                                        24/10/2014 - 20:30 - Sessão: 753 (Sexta)
 
3 BELEZAS
 
Ao lado do petróleo, um dos produtos nacionais venezuelanos mais reconhecidos internacionalmente é a beleza de suas mulheres. Desde que passaram a ser top no concurso Miss Universo, a partir dos anos de 1970, a estética feminina passou a ser obsessão nacional, em um país onde “la buena presencia” é sinônimo de virtude e trabalho duro.

A preocupação com a beleza, como em todo o mundo, foi acompanhada por um aumento dos procedimentos corretivos para chegar ao padrão: pernas longas, peitos vigorosos, bumbum empinado e uma cintura de vespa. Uma preocupação colocada em xeque pelo diretor e roteirista Carlos Caridad Montero, que em 3 Belezas faz um retrato ficcional caricato, mas fulminante sobre essa compulsão em seu país.

Para isso, dá voz a Perla, uma ex-miss nacional que faz de tudo para sua filha Carolina se tornar princesa de concurso de beleza, mesmo que isso crie problemas para seus outros dois filhos Estefanía e Salvador. Sem dinheiro, vende o que tem para realizar seu sonho, não compartilhado por ninguém em sua família.  

Este primeiro longa-metragem de Montero é repleto de humor negro, tornando o filme uma tragicomédia exagerada, mas agilíssima em sua crítica sobre a ideia que beleza é perfeição, a forte ligação entre os concursos e cirurgia plástica. (Rodrigo Zavala)  

Indicação: 14 anos
 
Duração: 97 min
 
CINEMARK - METRÔ SANTA CRUZ - SALA 9    22/10/2014 - 19:00 - Sessão: 600 (Quarta)
CINEMATECA - SALA BNDES                 23/10/2014 - 21:00 - Sessão: 657 (Quinta)
RESERVA CULTURAL 1                      24/10/2014 - 14:00 - Sessão: 802 (Sexta)
ESPAÇO ITAÚ DE CINEMA - FREI CANECA 1   29/10/2014 - 15:15 - Sessão: 1149 (Quarta)
 
CASTANHA
Exibido em diversos festivais, como Berlim e Paulínia, Castanha transita entre o documentário e a ficção, revisitando a trajetória do ator gaúcho João Carlos Castanha, que “interpreta”  a si mesmo. O diretor, Davi Pretto, acompanha o dia-a-dia do protagonista, em sua casa  com a mãe, Celina, e suas apresentações no circuito LGBT da cidade.
Entre um show e outro – a cena local é bem retratada, aliás – João Carlos precisa lidar com um sobrinho viciado em crack, dono de um temperamento violento, que vive em atrito com o tio e a avó, a quem trata na base das ameaças. Então surge o jogo de cena da realidade, da reconstrução do passado e a ficção pura. O filme tem previsão de estreia para 20 de novembro. (Alysson Oliveira)
 
Indicação: 16 anos
Duração: 95 min
 
CINESESC   -                                             22/10/2014 - 16:45 - Sessão: 611 (Quarta)
MIS - MUSEU DA IMAGEM E DO SOM  -    26/10/2014 - 20:00 - Sessão: 971 (Domingo)
 
 ELA VOLTA NA QUINTA
A mistura visceral entre ficção e documentário que marcou a 47ª edição do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, em setembro, atingiu uma nova marca no último longa concorrente, Ela Volta na Quinta, do mineiro André Novais Oliveira.
Premiado por curtas como Pouco Mais de um Mês, em que retratava meio documentalmente o início de seu namoro com Elida Silpe – que novamente comparece no elenco deste longa -, Novais escala como elenco a própria família, seus pais e irmão, a namorada e a cunhada, para viver na tela um drama familiar.
Ao usar a própria família para viver situações que envolvem a separação dos pais, uma traição e mudanças sentimentais na vida do irmão, além de aparecer o tempo todo em cena, interagindo com eles, o diretor tira o espectador de sua zona de conforto e evoca a suspeita – até que ponto esta história toda tem um fundo de verdade e os personagens a estão reencenando ? Ou se trata apenas de uma mera ficção, em que o dado realista fica por conta do parentesco verídico entre os retratados?
Andando nessa linha fina, o filme pretende construir aí sua originalidade, requisitando de seus espectadores um particular envolvimento para concretizar sua viagem. (Neusa Barbosa)
 
Indicação: livre
Duração: 108 min
 
CINESESC                                                                  22/10/2014 - 21:00 - Sessão: 613 (Quarta)
ESPAÇO ITAÚ DE CINEMA - FREI CANECA 3            24/10/2014 - 18:20 - Sessão: 739 (Sexta)
ESPAÇO ITAÚ DE CINEMA - FREI CANECA 1            29/10/2014 - 13:00 - Sessão: 1148 (Quarta)
 
 BRANCO SAI, PRETO FICA
A repressão policial a um baile black na Ceilândia, em 1986, forneceu o rastilho que percorre o filme Branco Sai, Preto Fica, em que o cineasta Adirley Queiroz (A Cidade é uma Só) revisita seu estilo e temáticas habituais de maneira contundente e original. Mais uma vez, como é a marca registrada desta edição, transgredindo fronteiras entre gêneros. Além de incorporar elementos marcadamente documentais, o trabalho transita entre o drama e a ficção cientifica, com surpreendente fôlego e boa resolução.
Já exibido e multipremiado, em Brasília e Tiradentes, o filme se energiza com sua própria liberdade, concretizando uma reflexão política sobre exclusão social, repressão policial e racismo com bastante propriedade. Seus personagens principais são encarnados por homens negros da Ceilândia, como Marquim da Tropa e Shockito, que carregam na carne as marcas da repressão policial – Marquim, que é músico, ficou paraplégico e Shockito, jogador de futebol, usa uma prótese no lugar de uma perna amputada depois de uma perseguição por policiais a cavalo.
Essas cicatrizes visíveis somam-se a outras, como o isolamento desses homens numa periferia desassistida, em que eles cultivam também uma raiva e um projeto de vingança anarquista contra Brasília, o símbolo do poder que os oprime.
A ficção científica se insere em detalhes, como a exigência de um passaporte para que os moradores das chamadas “cidades-satélite” entrem em Brasilia – documento que se torna naturalmente objeto de um mercado negro  - e também nas intervenções de um enviado do futuro, Dimas Cravalança, que veio ao passado buscar provas contra o Estado brasileiro por crimes cometidos. E aí, certamente, também se infiltra o humor cáustico da história. Um filme denso e original. (Neusa Barbosa)
 
Indicação: livre
Duração: 93 min
 
ESPAÇO ITAÚ DE CINEMA - AUGUSTA 1            22/10/2014 - 19:50 - Sessão: 576 (Quarta)
ESPAÇO ITAÚ DE CINEMA - FREI CANECA 2     23/10/2014 - 15:45 - Sessão: 635 (Quinta)
ESPAÇO ITAÚ DE CINEMA - FREI CANECA 1     28/10/2014 - 14:50 - Sessão: 1064 (Terça)
 
NA PIOR DAS HIPÓTESES
 
Franz Müller queria fazer um longa sobre uma família que vai para a Polônia e se sente superior. No entanto, quatro semanas antes do início das filmagens, o projeto foi cancelado. Uma das atrizes, Laura Tonke, lhe recomendou manter de pé a viagem, que fariam à Copa da UEFA de 2012 no país, e também na Ucrânia, para, talvez, aproveitar e fazer um documentário. O diretor, porém, desejava fazer uma ficção. Pensou, então, em fazer uma sobre a produção de um filme em que tudo que pode dar errado acontece. Para isso, contou com Laura, a única do elenco original que permaneceu até o final do processo, e com outros amigos cineastas, que ajudaram na equipe e no cast.
E assim, do acaso, surge Na Pior das Hipóteses, exercício metalinguístico que apresenta a dura empreitada de Georg (Samuel Finzi) para tentar realizar seu filme e tentar lidar com Olga (Eva Löbau), de quem se separou recentemente. Quando a produtora desiste do projeto, pois comédias não a interessavam – parece que um argumento semelhante foi usado com Franz, na vida real –, vários atores desistem, mas ele mantém a ida ao camping de Danzig, onde tenta arranjar, entre os visitantes e na região, novos nomes para o seu elenco. Contudo, a saída gradual de membros da equipe e as dificuldades financeiras e de comunicação, por conta da língua – sim, os atores poloneses realmente não falavam alemão e fugiram do controle de Müller –, torna a viabilização da produção cada vez mais impossível.
Quem já participou de um filme de baixo orçamento sabe que situações decorrentes da precariedade da produção, a exemplo da espera para que o barulho do helicóptero seja silenciado, acontecem. Entretanto, para qualquer um da plateia, esses momentos e certos diálogos levam ao riso. Mesmo assim, o longa prova de seu próprio veneno, já que o roteiro “expresso”, feito em 5, 6 dias, se mostra falho na tarefa de manter o ritmo da narrativa, pois a comicidade vai perdendo o vigor pouco a pouco. (Nayara Reynaud)
                                                                                    
Indicação: 14 anos
Duração: 82 min
 
FAAP                                    22/10/2014 - 19:00 - Sessão: 589 (Quarta) 

 

 

 


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