MOSTRA 2014

Fantasia à Guédiguian e filmes de Almodóvar alegram a quinta na Mostra

Equipe Cineweb

 AU FIL D’ARIANE
 Difícil imaginar um filme mais criativo e plural, além de divertido, do que esta nova fantasia do diretor francês Robert Guédiguian (A Cidade Está Tranquila, Marie-Jo e seus dois amores) – que é também repleto de deliciosas referências cinematográficas.
O roteiro, assinado por ele mesmo e o também ator Serge Valletti, dá a partida com uma festa de aniversário. Uma mulher madura, Ariane (Ariane Ascaride, mulher e eterna musa do diretor), prepara um grande bolo. Mas, um atrás do outro, seu marido e filhos telefonam, alegando que não poderão chegar. Frustrada, ela pega seu carro e termina chegando a um restaurante.
Uma série de incidentes, como ter tido seu carro rebocado e a bolsa roubada, acabam forçando a permanência de Ariane, que se torna a nova garçonete do local, frequentado por hordas de turistas na terceira idade.
Esse tênue fio narrativo serve para desencadear uma série de aventuras, não só para a protagonista, cercada dos habituais atores do diretor (Gérard Meylan, Jean-Pierre Darroussin) e novos (Anaïs Demoustier e Youssouf Djaoro, de Um Homem que Grita), numa trama que alinhava referências cinematográficas  - a Jacques Tati, Jean Ferrat, Viver a Vida, de Jean-Luc Godard e também a Kurt Weill/Bertolt Brecht, inspiradores do ótimo número musical final. Mas há também homenagem a Federico Fellini e a inesquecível cena da fonte de A Doce Vida, alimentando de beleza uma história que une amores, solidões, obsessões, conduzidas por uma trupe que nunca cessa de nos entreter e surpreender. Não perca. (Neusa Barbosa)
 
Assista ao trailer
 
Indicação: 14 anos
 
Duração: 92 min
 
ESPAÇO ITAÚ DE CINEMA - AUGUSTA 1           23/10/2014 - 22:15 - Sessão: 670 (Quinta)
CINE LIVRARIA CULTURA 1                               26/10/2014 - 17:50 - Sessão: 954 (Domingo) 
  
 O RETORNO DE ANTÍGONA
O reconhecido vigor do novo cinema grego – que afronta com criatividade e contundência a terrível crise econômica que se abate sobre aquele país -, ganha este novo representante.
Ainda que este segundo filme do diretor Yorgos Servetas tenha bastante interesse, ele não é tão marcante, ou bem-realizado, quanto exemplares recentes, como Miss Violence e Dente Canino. Ainda assim, tem fôlego para sustentar uma narrativa reflexiva, em torno da protagonista, Antígona (Marina Symeou), que empresta o nome da célebre personagem rebelde de Sófocles.
Mulher na faixa dos 30 e poucos, ela volta para sua cidadezinha natal, desagradando inclusive seu tio (Giorgos Ziovas), que ficou – ele acha que o lugar nada tem a oferecer a ela, figura independente e assertiva. Mas Antígona sente que precisa de uma pausa, fugindo de uma situação, em Atenas, onde o que ganhava mal dava para sua sobrevivência.
Ela arranja emprego como professora de inglês e se envolve com um rapaz mais jovem, Nikos (Giorgos Kafetzopoulos). E mergulha numa realidade em que se confundem o crime organizado, a corrupção policial e relações pessoais completamente doentias – com a ligação entre Eleni (Marianthi Pantelopoulou), uma professora de inglês, e Nodas (Nikos Georgakis), homem casado que a humilha e espanca.
Paira uma espécie de pacto de medo e silêncio sobre estas pessoas, que parecem anestesiadas, perdidas. Antígona não – ela guarda uma capacidade de reação que os demais podem ter perdido. Talvez o diretor tenha pensado em encarnar nela um protótipo de vingadora que sacuda a letargia do país na crise atual, o país que é o berço da cultura ocidental recorrendo aos seus mitos ancestrais, como o teatro. (Neusa Barbosa)
 
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Indicação: 16 anos
 
Duração: 90 min
 
CINE LIVRARIA CULTURA 1                 23/10/2014 - 17:45 - Sessão: 663 (Quinta)
 
 AS DUAS MEMÓRIAS
Escritor e roteirista consagrado pela participação em clássicos do cinema político dos anos 1960, como Z, de Costa-Gavras, e A Guerra Acabou, de Alains Resnais, o espanhol Jorge Semprún (1923-2011) realiza neste documentário seu único trabalho na direção, um volumoso levantamento crítico sobre a Guerra Civil espanhola.
Recorrendo a entrevistas de militantes dos dois lados, e também a atores, como María Casares (cujos pais participaram da luta) e Yves Montand (que atuou em A Guerra Acabou), Semprún promove um rico paralelo entre as posições conflitantes, mostrando como as divisões da esquerda tiveram papel  essencial em sua derrota, além de expor a mediocridade e crueldade dos vencedores franquistas. Tudo isso sem maniqueísmo, com direito a nuances e perspectiva histórica do tempo decorrido.
O filme, de 1974, circula numa cópia esplendidamente restaurada e vale por uma muito vívida aula de história, também contando com preciosos materiais de arquivo. (Neusa Barbosa)
 
Indicação: 14 anos
 
Duração: 141 min
 
ESPAÇO ITAÚ DE CINEMA - FREI CANECA 4          23/10/2014 - 16:00 - Sessão: 645 (Quinta)
CINE SABESP                                                           24/10/2014 - 14:00 - Sessão: 750 (Sexta)
 
O IDIOTA
Diretor e roteirista de uma nova geração russa, Yury Bykov assina este drama, que saiu de Locarno com o prêmio de melhor ator para seu dedicado protagonista, Artyom Bystrov. Sua entrega ao papel é de fato a melhor característica de um filme que, se tem um vinco realista, aspira mais a tornar-se uma espécie de alegoria de denúncia de crimes e pecados da Rússia contemporânea.
A sombra de Fyodor Dostoievski paira desde o título, impregnando-se cada vez mais nos dramáticos desdobramentos das escolhas de seu anti-heroi. Dima Nikitin (Bystrov) é um aplicado estudante noturno da Faculdade de Engenharia. Casado e pai de um filho pequeno, trabalha numa equipe municipal de manutenção de prédios, morando junto com os pais, devido ao aperto econômico geral.
Do pai, pobre porque nunca abriu mão de ser completamente honesto, Dima herdou a integridade a toda prova. Todo esse apego aos valores será testado diante de uma situação inesperada – numa noite, quando o inspetor de plantão não é localizado, Dima tem que dirigir-se a um enorme prédio popular, onde um marido abusivo e drogado bateu na mulher e estourou um encanamento de gás no seu banheiro. Um problema que nada tem de corriqueiro, já que Dima constata que o prédio todo, com mais de 800 moradores, está coberto de rachaduras de alto a baixo. Motivo pelo qual pode ruir a qualquer momento.
Se o edifício condenado é apresentado como uma amostra do povo russo – ali moram pessoas empobrecidas, aposentados e jovens sem perspectivas -, a burocracia estatal local, que Dima tentará convencer a uma pronta intervenção no edifício, é uma sinistra compilação de uma classe dirigente completamente corrupta e envilecida. Por vários momentos, o tom parece didático, ou excessivo. Mesmo Dima, em sua persistência, pode ser visto também como uma espécie de louco. De todo modo, o filme tem sua força como parábola. (Neusa Barbosa)
 
Indicação: 12 anos
 
Duração: 117 min
 
CINEMATECA - SALA PETROBRAS                                    23/10/2014 - 21:00  Sessão: 660 (Quinta) 
 
RHINO SEASON
O diretor iraniano de origem curda Bahman Ghobadi – presentemente exilado de seu país por razões políticas – é um velho conhecido do público da Mostra, que já apresentou seus trabalhos Tempo de Embebedar Cavalos e Exílio no Iraque (ele mesmo já veio a São Paulo mais de uma vez).
Mais uma vez, ele traduz sua experiência direta com a opressão ao recriar a história de um poeta curdo, Farzhan Sahel (Behrouz Vossoughi), preso por 30 anos assim que deflagrada a Revolução Iraniana de 1979 – por ter feito versos “contra o Islã e o regime”. Não foi a única vítima – sua mulher, Mina (Monica Bellucci), filha de um coronel que servia ao regime do Xá deposto, Reza Pahlevi, também foi condenada a 10 anos.
Fugindo do naturalismo, Ghobadi opta por recriar esta história trágica de uma forma visualmente interessante, que procura reconstituir parte do martírio do poeta na prisão – que sofre torturas ainda mais duramente porque está por trás de seu castigo um homem que tem um problema pessoal com este casal. Trata-se de Akhbar Rezai (Yilmaz Erdogan), um antigo motorista da família de Mina, que foi espancado pelos capangas do pai dela quando se descobriu que estava apaixonado pela moça.
A ênfase nesta história de ciúme e vingança termina se impondo um pouco além do conveniente sobre o filme, esvaziando de certo modo o conteúdo político – ainda que, na abertura, o cineasta o dedique a “todos os presos políticos do mundo”. De todo modo, Rhino Season provoca emoções e tem potência visual. E registra uma das mais delicadas interpretações de Monica Bellucci. (Neusa Barbosa)
 
Indicação: 18 anos
 
Duração: 88 min
ESPAÇO ITAÚ DE CINEMA - FREI CANECA 1   23/10/2014 - 14:30 - Sessão: 630 (Quinta)
 
ALMODÓVAR – ONTEM E HOJE
Era o começo dos anos de 1980 quando o jovem Pedro Almodóvar – com apenas 31 anos – começou a se tornar cult com seu segundo longa, Pepi, Luci, Bom e Outras Coisas de Montão, uma comédia anárquica e despudorada, que trazia no elenco alguma das atrizes que se tornariam sua marca registrada, como Carmen Maura e Cecilia Roth. Mas também já se apontava ali que seu cinema lida com o exagero: uma jovem é estuprada, o que frustra os seus planos de vender sua virgindade. Para se vingar, depois de espancar o homem errado, resolve que fará a esposa do policial abandoná-lo.
Essa história tresloucada, retrata de uma Madri pulsante com sangue jovem, no começo da penúltima década do século passado, não anunciava o cineasta delicado e sutil, tão capaz de compreender da alma feminina (algo já apontado em A Flor do Meu Segredo, por exemplo) que viria a florescer nos últimos anos do século XX e começo do XXI com sua trilogia: Tudo sobre minha mãe, Fale com ela e Volver – suas obras-primas. À luz disso tudo, e de uma carreira de quatro décadas, a Mostra oferece a chance de uma releitura da obra do cineasta.
Os filmes recentes merecem ser (re)vistos, mas são os antigos que os põem em perspectiva. Mulheres à beira de um ataque de nervos, de 1988, foi o filme que colocou Almodóvar de vez no mapa. Almas doidas e desencontradas povoam o filme, cujo gaspacho “batizado” com maconha se tornou icônico, e Antonio Banderas, um astro de nível internacional. Juntos, já haviam feito Matador (1986), mas foi em Mulheres... que o ator, com 28 anos na época, se estabeleceu, mudando-se para os EUA. Os dois – com as carreiras bastante estabelecidas – foram se reencontrar apenas em 2011, com A Pele Que Habito, uma mistura de melodrama com trash, num filme que parece uma ruptura da linha seguida até ali pelo diretor – cujo trabalho anterior foi o melodrama Abraços Partidos (2009).
O trabalho mais recente do diretor, Os Amantes Passageiros, é uma comédia anárquica, distante de suas grandes obras, mas não desprovido de valor ao aproximar-se de seus primeiros filmes. Passou meio batido quando estreou no circuito, e agora ganha uma segunda chance de ser visto no cinema – embora já exista em DVD e Blu Ray. (Alysson Oliveira)
 
PEPI, LUCI, BOM E OUTRAS GAROTAS DE MONTÃO (PEPI, LUCI, BOM Y OTRAS CHICAS DEL MONTÓN), de Pedro Almodóvar (82'). ESPANHA. Falado em espanhol. Legendas em português. Indicado para: 18 anos.
 
FAAP -23/10/2014 -      15:00 - Sessão: 681 (Quinta)
ITAÚ CULTURAL -       24/10/2014 - 20:00 - Sessão: 822 (Sexta)
 
A LEI DO DESEJO (LA LEY DEL DESEO), de Pedro Almodóvar (102'). ESPANHA. Falado em espanhol. Legendas em português. Indicado para: 16 anos.
 
ITAÚ CULTURAL         -   23/10/2014 - 20:00 - Sessão: 719 (Quinta)
FAAP     -                         29/10/2014 - 19:00 - Sessão: 1197 (Quarta)
 
TUDO SOBRE MINHA MÃE (TODO SOBRE MI MADRE), de Pedro Almodóvar (101'). ESPANHA, FRANÇA. Falado em espanhol, catalão. Legendas eletrônicas em português. Indicado para: 14 anos.
 
AUDITÓRIO CTR - ECA USP-                                    24/10/2014 - 19:00 - Sessão: 823 (Sexta)
CINEMARK - SHOPPING VILLA-LOBOS - SALA 2-      25/10/2014 - 19:00 - Sessão: 916 (Sábado)
ESPAÇO ITAÚ DE CINEMA - FREI CANECA 1 -        26/10/2014 - 15:00 - Sessão: 922 (Domingo)
RESERVA CULTURAL 1  -                                         27/10/2014 - 18:15 - Sessão: 1045 (Segunda)
CINEMARK - METRÔ SANTA CRUZ - SALA 9 -          28/10/2014 - 19:00 - Sessão: 1120 (Terça)
 
FALE COM ELA (HABLE CON ELLA), de Pedro Almodóvar (112'). ESPANHA. Falado em espanhol. Legendas eletrônicas em português. Indicado para: 14 anos. 
 
SESC OSASCO - CINE CHAPARRAL-                  25/10/2014 - 20:00 - Sessão: 915 (Sábado)
CINE LIVRARIA CULTURA 1  -                             27/10/2014 - 16:15 - Sessão: 1023 (Segunda)
ESPAÇO ITAÚ DE CINEMA - FREI CANECA 2 -   28/10/2014 - 13:00 - Sessão: 1068 (Terça)
CCSP - SALA PAULO EMILIO  -                            29/10/2014 - 15:00 - Sessão: 1210 (Quarta)
 
A FLOR DO MEU SEGREDO (LA FLOR DE MI SECRETO), de Pedro Almodóvar (103'). ESPANHA, FRANÇA. Falado em espanhol, francês. Legendas eletrônicas em português. Indicado para: 18 anos.
 
CINE OLIDO  -                                       24/10/2014 - 19:15 - Sessão: 779 (Sexta)
CINEMATECA - SALA PETROBRAS -    25/10/2014 - 17:00 - Sessão: 860 (Sábado)
CCSP - SALA LIMA BARRETO -            28/10/2014 - 15:00 - Sessão: 1125 (Terça)
MATILHA CULTURAL -                          29/10/2014 - 19:50 - Sessão: 1206 (Quarta)
 
ANTES DA NEVE
No centro da mídia por causa do avanço do grupo terrorista Estado Islâmico em seu território, a população curda sempre foi sufocada por aquelas que possuem oficialmente a terra, sejam iraquianos, turcos, sírios, entre outros. Por isso, apesar das falhas, não deixa de ser louvável o esforço cinematográfico de Hisham Zaman, um curdo radicado na Noruega, em sua estreia, realizada em 2013 – a Mostra também apresenta na programação, o novo filme do cineasta, Carta ao Rei (2014).
Ele traz à tela a história de Siyar (Taher Abdullah Taher), que, após a morte do pai, se transforma no chefe de sua família e se sente na obrigação de punir a irmã (Bahar Ozen) por fugir da aldeia, a fim de evitar um casamento arranjado para ela e poder viver com o seu amor. Para ir atrás dela, o jovem sai do Curdistão iraquiano rumo a Istambul. Depois, percorre a Europa até chegar a Oslo, tudo isso financiado pela família do noivo da irmã, que deseja vingança. Só que nesse caminho, além de se envolver com contrabandistas, o garoto conhece Evin (Suzan Ilir), que se torna sua companheira de viagem e desperta nele um sentimento desconhecido.
Embora seja uma produção de porte considerável – há curdos, noruegueses e alemães envolvidos –, com gravações em vários países, o filme tropeça no básico. O roteiro e o elenco são fracos, especialmente o jovem ator no papel do protagonista. No entanto, Zaman consegue, ao final, ecoar a questão da pressão das tradições naquelas aldeias e a opressão das mulheres frente à cultura de seu povo – ainda que seja algo que se repete em diversos pontos do planeta. (Nayara Reynaud)
                                                                                    
Indicação: 12 anos
Duração: 105 min
 
CINEMATECA - SALA BNDES                 23/10/2014 - 19:00 - Sessão: 656 (Quinta)
CINE SABESP                             24/10/2014 - 16:45 - Sessão: 751 (Sexta)
CINEMARK - SHOPPING VILLA-LOBOS - SALA 228/10/2014 - 19:00 - Sessão: 1146 (Terça)
 
 
ROMÃS VERDES
Um dos 15 representantes iranianos nesta edição da Mostra, o primeiro longa de Majid Reza Mostafavi é um clássico melodrama, com o tom da cinematografia local. Segundo o diretor, que esteve presente nas primeiras sessões de seu filme em São Paulo, o objetivo de sua obra era debater o esvaziamento dos conceitos de solidariedade e humanidade no mundo atual, em que as pessoas cada vez mais perdem o respeito pelos outros.
O jovem cineasta apresenta a história do casal Ensi (Ana Nemati) e Zabih (Pejman Bazeghi): ela, cuidadora de uma idosa com Alzheimer; ele, soldador da construção civil, que trabalha em grandes alturas. Os dois têm um ótimo relacionamento e o único empecilho no casamento deles é o fato de ainda não terem um filho, para a angústia dela. No entanto, a rotina da protagonista sofre uma reviravolta quando, além da sua patroa correr o risco de ser despejada de casa, o seu marido sofre um grave acidente.
Como explicado pelo próprio diretor, se o barulho do trem – aqui, um símbolo de passagem – que passa ao lado de sua casa trazia sofrimento à personagem, depois do turbilhão de acontecimentos, ele a acalma. A atriz Ana Nemati tem uma vasta experiência no teatro, e também no cinema, fato que explica o porquê ela está um tom acima em algumas cenas. E apesar de tocar alguns espectadores, os erros de iniciante são visíveis na direção de Majid, que, ainda assim, se mostra como uma nova voz do cinema iraniano. (Nayara Reynaud)
                                                                                    
Indicação: 16 anos
Duração: 90 min
 
ESPAÇO ITAÚ DE CINEMA - FREI CANECA 3   23/10/2014 - 22:20 - Sessão: 643 (Quinta)

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