MOSTRA 2014

Fim de semana com tempero latino

Equipe Cineweb

Laurent Cantet e sua Cuba universal em "Retorno a Ítaca"
Em sua juventude, o cineasta francês Laurent Cantet (Entre os Muros da Escola) imaginava uma Cuba mítica, uma verdadeira Ítaca imaginária, idealizada. Anos depois, quando finalmente foi à ilha da América Central, percebeu que não era bem como tinha sonhado – mas a Cuba real era ainda melhor. Depois de várias viagens, acabou convidado para participar de um longa coletivo, composto por sete curtas, 7 Dias em Havana, e conheceu o escritor cubano Leonardo Padura, que também estava envolvido no projeto.
“Percebi que a história que queria contar não caberia num curta. Era para algo maior. Continuei em contato com o Padura e começamos a planejar um longa”, conta o diretor, que está em São Paulo para exibir o resultado dessa parceria na Mostra, Retorno a Ítaca. O filme retrata o reencontro de um grupo de amigos no topo de um prédio em Havana, quando um deles retorna depois de 16 anos em Madri.
“É uma situação extremamente cubana, mas, ao mesmo tempo, muito universal. Queria um apelo humanístico para retratar esses personagens de forma que o público de qualquer lugar do mundo pudesse se relacionar com eles. Afinal, os sonhos, desejos e anseios são os mesmos”, explica.
Com um elenco composto de atores locais – entre eles Jorge Perugorría e Néstor Jiménez – Retorno a Ítaca foi filmado em Havana em 20 dias, com uma equipe composta por cubanos, franceses e espanhóis, explicou o diretor, que tem bom domínio do espanhol, aliás. “Filmamos muito rapidamente, porque o orçamento era baixo, e tudo feito em locação. Quando enfrentamos alguns dias de fortes chuvas, não podíamos parar. Então trocamos o topo do edifício para dentro de um apartamento”. O filme todo se passa durante uma noite, quando os amigos se reencontram e descobrem que muito pouco de seus sonhos de juventude se tornaram realidade.
Para filmar em tão poucos dias, o diretor contou com muitos ensaios e leituras do roteiro com o elenco. “Como eles são cubanos, foi fundamental para que ajudassem também a trazer mais naturalidade aos diálogos”. O trabalho com Padura, corroteirista, foi feito ao longo de alguns anos, com muitas trocas de e-mails, e algumas viagens do diretor à Cuba, e do escrito à França. “Durante a pré-produção e filmagens mudamos poucas coisas, mais nas falas mesmo. A estrutura original, o perfil dos personagens permanecem intactos”.
Depois de sua estreia no Festival de Veneza, há pouco mais de um mês, de onde saiu premiado na mostra paralela Giornate degli Autori, o filme já participou de alguns outros, como Biarritz e Toronto. Mas o mais aguardado pelo diretor é o de Havana, que acontece em dezembro, quando o filme será exibido pela primeira vez em Cuba. “Os cubanos que já viram tiveram todos uma reação muito boa. Estou aguardando o que o público de lá irá achar”.
Ganhador da Palma de Ouro em 2008, por Entre os Muros da Escola, Cantet conta que no momento não tem nenhum outro projeto em vista – está trabalhando na divulgação e lançamento de Retorno a Ítaca, que deve estrear na França em dezembro, e no Brasil, no primeiro semestre do próximo ano. Ao ser indagado sobre a repercussão do prêmio no Festival de Cannes, cino anos atrás, o cineasta é categórico: “Na hora foi muito bom, ajudou a financiar meu filme seguinte. Mas, com o tempo, todo mundo esquece. E acho isso bom, diminui a pressão”. (Alysson Oliveira)
 
Indicação: 16 anos
Duração: 95 min
 
ESPAÇO ITAÚ DE CINEMA - AUGUSTA 1 -           25/10/2014 - 21:45 - Sessão: 871 (Sábado)
RESERVA CULTURAL 1 -                                        26/10/2014 - 19:15 - Sessão: 981 (Domingo)
FAAP -                                                                          27/10/2014 - 11:00 - Sessão: 1037 (Segunda)
 
HERMOSA JUVENTUD
Há uma ironia óbvia no título deste filme de Jaime Rosales, que retrata a falta de perspectiva e a consequente desesperança da juventude espanhola, com a crise econômica mundial afetando sensivelmente seu país. Basta dizer que os índices de desemprego já alcançaram os 25% – hoje está abaixo dos 24% – entre os jovens (de 16 a 24 anos). Não é por menos que o longa começa apresentando a tediosa rotina de Natalia (Ingrid García-Jonsson), que, em seus 20 anos de idade, mora com a mãe, o irmão adolescente e a irmã pequena.
Ela não tem emprego e seu namorado, Carlos (Carlos Rodríguez), vive de bicos. Por isso, a notícia de que a moça está grávida dá uma reviravolta na rotina do casal. A narrativa, então, acompanha, quase em tom documental com a sua câmera na mão, as tentativas deles de superar as adversidades, enquanto procuram levar a vida como jovens. Mas a realidade se demonstra tão cruel para eles, que Natalia chega a cogitar novas perspectivas – mas será que são realmente novas? – em outro país; no caso, a Alemanha.
Como contraste à trama intimista que traz, o filme também mostra outro aspecto indissociável do cotidiano da juventude atual, que é sua relação com a tecnologia, mais especificamente com o celular. Além de colocar o aparelho como companheiro inseparável nas rodas de conversa, são apresentadas duas grandes sequências de inserções da tela dos smartphones dos personagens, mostrando mensagens do WhatsApp, jogos e fotos sendo passadas, sem o uso de música. Se o trabalho de Rosales não é brilhante, é contundente como crítica da situação socioeconômica da Espanha e, também, da atitude passiva de parte da população, tanto com o panorama político quanto com sua própria vida. (Nayara Reynaud)
                                                                                                          
Indicação: 16 anos
Duração: 102 min
 
ESPAÇO ITAÚ DE CINEMA - FREI CANECA 2      25/10/2014 - 23:59 - Sessão: 839 (Sábado)
CINECAIXA BELAS ARTES - SALA SPCINE          28/10/2014 - 17:30 - Sessão: 1142 (Terça)
 
AS HORAS FINAIS 
Prestigiado no tradicional Festival Sitges de Cinema Fantástico de Catalunha (Espanha) em 2014, onde o ator Nathan Phillips levou o prêmio de melhor ator, As Horas Finais é uma surpresa australiana na Mostra. Apocalíptico e, ao mesmo tempo, romântico, o filme do cineasta Zak Hilditch é um frenético road movie.  
Ambientado na Austrália, a história mostra o mundo em contagem regressiva para o seu fim. Nesse contexto, James (Phillips) deixa sua namorada grávida sozinha para passar suas últimas horas de vida em uma festa regada a drogas e sexo. No meio do caminho, encontra a pequena Rose, de oito anos, que está perdida de seu pai.     
Ele não sabe o que fazer com a menina, mas um repentino impulso ético o faz buscar um lugar seguro para ela, em meio ao caos nas vizinhanças da cidade Perth. Na viagem, James começa a reavaliar sua vida e, principalmente, o que quer conquistar nos minutos finais de existência. Daí o romance, que poderia ser menos agridoce.   (Rodrigo Zavala)   

Classificação Indicativa: 18 anos
Duração: 86 min
 
CINEMARK - METRÔ SANTA CRUZ - SALA 9             25/10/2014 - 19:00 - Sessão: 891 (Sábado)
 
O MEDO
O título pode dar a entender que este é um filme de terror – e é! Mas não um de criaturas sobrenaturais, monstros ou afins. Aqui, o terror é doméstico, um pai abusivo. Numa família de classe média alta espanhola, o pai (Ramon Madaula) espanca sistematicamente a mãe (Roser Camí) e aterroriza os filhos, o adolescente Manel (Igor Szpakowski), e a menina, Coral (Alícia Falcó). Escrito e dirigido por  Jordi Cadena o filme traça um retrato sem sentimentalismos, e um tanto seco de uma situação a caminho da tragédia.
Cadena cria a tensão pelo fato que se sabe logo nas primeiras cenas – por conta dos hematomas pelo corpo da mulher – e a ausência do pai, que pode chegar a qualquer momento. Manel pergunta à mãe: “Porque não vamos embora?”. E ela responde: “Vamos para onde ?”. Se, por um lado, essa paralisia da personagem soa quase inacreditável, é a quantidade de “histórias da vida real” tão parecidas com essa que injeta ainda mais tensão ao filme. (Alysson Oliveira)
 
Indicação: 14 anos
Duração: 73 min
 
RESERVA CULTURAL 1 - 24/10/2014 - 20:15 - Sesssão: 805 (Sexta)
 
CINE LIVRARIA CULTURA 1 - 25/10/2014 - 14:00 – Sessão: 862 (Sábado)
 
CINE SABESP - 26/10/2014 - 22:30 - Sessão: 948 (Domingo)

 
A MALA DO AMOR E DA VERGONHA
Um anúncio do e-Bay coloca à venda uma mala, com várias fitas de áudio dos anos 1960, mais uma série de pequenas lembranças. O detalhe é que as 60 horas de gravação em questão foram realizadas por um casal de amantes. Então, por que não comprar a oferta, intitulada como Suitcase of Love and Shame e transformar esse material em um documentário?
É daí que surge o longa de Jane Gillooly, totalmente experimental em sua forma. Neste trabalho, o áudio tem papel fundamental, pois é só a partir dele que o público vai conhecendo pouco a pouco a relação de Jeanne e Tom. As imagens, sem nenhuma relação direta com o que o casal viveu, foram captadas atualmente pela equipe e têm, portanto, função complementar à narrativa apresentada.
Gillooly, no entanto, faz com que seu filme sucumba à própria forma. O documentário se torna cansativo e alguns espectadores podem se espantar com o seu formato e rejeitá-lo. Mas o longa ganha fôlego na parte final, quando fica claro que os dois apaixonados são amantes e que o amor deles foi colocado em risco. (Nayara Reynaud)
                                                                                                          
Indicação: Livre (mas contém linguagem sexual)
Duração: 70 min
 
ESPAÇO ITAÚ DE CINEMA - AUGUSTA ANEXO 4                  24/10/2014 - 15:45 - Sessão: 772 (Sexta)
 
VENTOS DE AGOSTO
Premiado em Locarno,o novo filme de Gabriel Mascaro consolidou a investida mais decidida até aqui do cineasta pernambucano, diretor dos documentários Domésticas e Um Lugar ao Sol, no caminho da ficção. Mas, ao mesmo tempo, as fronteiras de gênero permaneceram deliberadamente fluidas neste filme que, se incorpora referências (assumidamente, Joris Ivens, por exemplo), não se curva a um estetismo excessivo.
Como em todo seu trabalho de cineasta até este momento, Mascaro se empenha em criar um filme orgânico, e consegue, no sentido de aliar um aceno ao naturalismo na fotografia (responsável por sua comparação a Barravento, de Glauber Rocha, por um crítico italiano em Locarno) e também no uso de atores amadores das próprias locações (na praiana Porto da Pedra de Alagoas) a uma tentativa de fabular, com o decisivo envolvimento dos moradores/atores.
Não que não houvessem alguns pontos de partida sinalizando esta viagem. Na coletiva do filme no Festival de Brasília, em setembro, Mascaro contou ter-se interessado por histórias relacionadas ao cemitério local que, por conta das fortes correntes marítimas causadas pelos ventos, fazem com que os esqueletos dos mortos sejam levados, muitas vezes, pelo mar, desencadeando um processo constante de ressepultamento.
Essa relação peculiar com a vida e a morte percorre todo o filme. Está no horizonte da jovem Shirley (Dandara de Morais), que veio de outra localidade para cuidar da avó, quase centenária – e que conta que vê seus pais todos os dias, em sonhos. Também ocupa, de certa maneira, o imaginário de Jeison (Geová Manoel dos Santos), que pensa muito na mãe que morreu. E que, mais tarde, mudará toda a sua rotina para tratar do destino de um morto, um forasteiro que chegou à ilha para estudar os ventos (interpretado pelo próprio Mascaro).
Só a organicidade explica como Mascaro conseguiu inserir, tão naturalmente, numa história à primeira vista tão minimalista, tantas questões como finalmente surgem na tela: o sexo, a vontade de fugir, o trabalho braçal, as relações familiares, as histórias sobre os mortos, o isolamento em relação à figura de um Estado ou autoridade – que, quando acontece, se dá num registro muito próximo ao realismo mágico, com um saudável toque de humor.
O humor, aliás, infiltra-se neste filme denso, que se amplia em significados quanto mais se pensa nele.  (Neusa Barbosa)
 
Indicação: 16 anos
Duração: 77 min
 
ESPAÇO ITAÚ DE CINEMA - FREI CANECA 1              25/10/2014 - 21:00 - Sessão: 832 (Sábado)
CINESESC                                                                       27/10/2014 - 18:30 - Sessão: 1049 (Segunda)
ESPAÇO ITAÚ DE CINEMA - FREI CANECA 3             28/10/2014 - 14:00 - Sessão: 1073 (Terça)
 
O PEQUENO QUINQUIN
A julgar por seus trabalhos anteriores, como A Humanidade, A Vida de Jesus e Camille Claudel, pouca gente poderia imaginar que o cineasta francês Bruno Dumont seria capaz de realizar uma comédia. Mas é exatamente dessa missão que ele se desincumbe com brilho nesta minissérie em três capítulos, produzida originalmente para a TV e apresentada em bloco tanto na Quinzena dos Realizadores de Cannes 2014 como agora na Mostra.
O protagonista é um garoto de 12 anos, Quinquin (Alane Delhaye), que mora com a família numa região rural do norte da França, nos arredores de Calais. Ele é o típico moleque, capaz de travessuras e fugindo da fúria dos pais em sua bicicleta. Sempre pode contar com sua turma, especialmente a amigona Eve (Lucy Caron).
A modorra desta vida campestre é subitamente rompida quando se encontra uma vaca morta num antigo bunker abandonado da II Guerra Mundial. Um mistério que vai esgotar as forças de uma impagável dupla de investigadores, o magrelo Carpentier (Philippe Jore) e seu chefe, o capitão Van der Weyden (Bernard Pruvost), figuraça de uma lógica plana e cheio de tiques físicos.
O Pequeno Quinquin acerta em cheio ao criar empatia para esta turma de garotos, cujas espertezas fazem qualquer um rir, assim como as patetadas da dupla de policiais. Aos poucos, com a sequência da trama de mistério, percebe-se que o diretor continua querendo falar das mesmas coisas de sempre, ainda que numa outra chave – ou seja, de como por trás da aparente simplicidade escondem-se grandes perversões. Aí, o humor negro transborda, num trabalho muito original e marcante. (Neusa Barbosa)
 
Indicação: 14 anos
Duração: 200 min
 
ESPAÇO ITAÚ DE CINEMA - FREI CANECA 3           25/10/2014 - 17:30 - Sessão: 842 (Sábado)
CINESESC                                                                    26/10/2014 - 17:20 - Sessão: 984 (Domingo)
FAAP                                                                             28/10/2014 - 15:00 - Sessão: 1111 (Terça)
RESERVA CULTURAL 1                                              29/10/2014 - 20:40 - Sessão: 1219 (Quarta)
 
JAUJA
Vencedor do prêmio da Fipresci (Federação Internacional dos Críticos) na seção Um Certo Olhar do Festival de Cannes, o novo filme do diretor argentino Lisandro Alonso (Los Muertos) é mais um trabalho de ritmo compassado e fôlego peculiar. Desta vez, um filme de época, roteirizado por Alonso e o jornalista e dramaturgo Fabián Casas, ambientado na Patagônia do final do século XIX, quando se lançava a chamada “Conquista do Deserto” – um eufemismo cínico para uma ampla expedição genocida de extermínio dos indígenas locais, chamados acintosamente de “cabeças de coco”.
Junto com os soldados, vem um engenheiro dinamarquês, Gunnar Dinesen (Viggo Mortensen, também co-produtor do filme e compositor de sua trilha) – um europeu deslocado num mundo selvagem que ele não compreende. Ele está acompanhado de sua filha adolescente, Ingeborg (Viilbjork Agger Malling), que desperta a cobiça de vários elementos da tropa, como o jovem soldado Corto. O pai percebe o perigo e tenta reprimir a filha. Mas ela simplesmente desaparece numa noite, junto com Corto.
O desaparecimento da garota lança o pai numa jornada arriscada pela desértica Patagônia adentro, em que cada vez menos seus recursos culturais, “civilizados”, lhe valerão, diante de uma natureza bruta e de singulares encontros com realidades extremas, até mesmo mágicas. Viggo Mortensen, mais uma vez, está impecável na pele deste homem perdido, num filme repleto de climas e possibilidades de leitura. (Neusa Barbosa)
 
Indicação: 16 anos
Duração: 108 min
 
RESERVA CULTURAL 1                                            25/10/2014 - 21:10 - Sessão: 902 (Sábado)
CINECAIXA BELAS ARTES - SALA SPCINE            26/10/2014 - 17:40 - Sessão: 989 (Domingo)
ESPAÇO ITAÚ DE CINEMA - FREI CANECA 1        27/10/2014 - 22:10 - Sessão: 999 (Segunda)
CINESESC                                                                 28/10/2014 - 15:00 - Sessão: 1133 (Terça)
MIS - MUSEU DA IMAGEM E DO SOM                    29/10/2014 - 19:20 - Sessão: 1201 (Quarta)
 
 
ELEPHANT SONG
 
Desta vez, o jovem cineasta Xavier Dolan, cujas obras provocam reações do tipo “ame ou odeie”, integra apenas o elenco desta produção canadense, dirigida por Charles Binamé. O apreço do menino prodígio e prolífico – foram cinco filmes em cinco anos, sendo quatro premiados em Cannes e um em Veneza – por relações maternas conturbadas deve ser a razão para o ator ter escolhido participar deste projeto. O início do longa já apresenta, como um prólogo, um menino que busca inutilmente a atenção da mãe, uma famosa cantora de ópera, durante sua passagem por Cuba, no ano de 1947.
Na sequência, uma autoridade da administração hospitalar (Guy Nadon) entrevista o Dr. Toby Green (Bruce Greenwood), diretor de um hospital psiquiátrico, e a enfermeira Susan Peterson (Catherine Keener) sobre o recente incidente ocorrido no local, em 1966. Só então é introduzido o cerne do filme: o instigante encontro de Green com o instável e inteligente paciente Michael Aleen (Xavier Dolan), para tentar arrancar dele informações sobre o sumiço do psiquiatra Lawrence, que se mostra, ao mesmo tempo, um jogo de xadrez mental e uma sessão de terapia mútua. O jovem usa convenientemente o que sabe sobre o passado do hospital e do diretor, a exemplo de sua relação com Susan, para desestabilizá-lo, enquanto o médico consegue tirar poucas confissões do rapaz - como o porquê de sua fascinação por elefantes, como demonstra o título.
Com a maioria de seus últimos trabalhos na televisão, o diretor, além de desperdiçar Carrie-Anne Moss na subtrama da atual mulher do psiquiatra, também peca ao não obter o resultado desejado nesta adaptação de uma peça do premiado dramaturgo Nicolas Billon, que assina o roteiro. A estrutura teatral do embate entre esses dois “médicos e loucos” contribui para as interpretações, excelentes por sinal, de Dolan, Greenwood e Keener; porém, põe em dúvida o ensejo cinematográfico de Binamé com este projeto. Por fim, apesar de tocante, o desfecho desperta no público a pergunta se o que ocorre seria justificativa suficiente para Michael realizar um joguinho tão perspicaz, que, mesmo com as falhas do longa, envolve o espectador. (Nayara Reynaud)
 
Indicação: 14 anos
Duração: 98 min
 
CINECAIXA BELAS ARTES - SALA SPCINE     26/10/2014 - 14:00 - Sessão: 987 (Domingo)
ESPAÇO ITAÚ DE CINEMA - FREI CANECA 1   29/10/2014 - 21:30 - Sessão: 1152 (Quarta)
 

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