MOSTRA 2014

Segunda é dia de últimas sessões

Equipe Cineweb

JIA ZHANGKE, UM HOMEM DE FENYANG
Em estreia mundial na 38ª Mostra, o documentário Jia Zhangke, Um Homem de Fenyang, de Walter Salles, tem apenas duas apresentações programadas, a última delas nesta segunda. Na primeira delas, no sábado (25), Salles definiu o chinês como “o cineasta que melhor capta o nosso tempo”. Ao longo de quase duas décadas, sua obra mostra-se realmente capaz de sintonizar com as transformações da China, e, ao mesmo tempo, refletir sobre o restante do mundo.
Salles e a diretora da Mostra, Renata de Almeida, contaram que o filme começou a ser pensado em 2007, quando o festival realizou uma retrospectiva completa do diretor chinês. O resultado, além do documentário, é um livro, que acaba de ser publicado, organizado por Salles e o crítico e pesquisador francês Jean-Michel Frodon, um dos maiores entusiastas e divulgador da obra de Jia. “Ao longo desses anos, cada vez que ele fazia um novo filme, nutria ainda mais o nosso desejo de continuar com esse documentário”, destacou o diretor brasileiro.
Jia, cuja obra inclui filmes como Plataforma (2000) e Still Life – Em Busca da Vida (2006), ganhador do Leão de Ouro no Festival de Veneza, e que colocou o cineasta definitivamente no mapa-mundi do cinema – contou que a primeira vez que se encontrou com Salles foi no Festival de Berlim, em 1998, quando ele apresentava Pickpocket, e o brasileiro, Central do Brasil, que sairia de lá com o prêmio principal. “Não convivemos muito ao longo desses anos, mas o cinema dele me deu confiança para aceitar participar deste documentário”, afirmou Zhangke.
No filme, Salles faz uma reconstrução da vida e carreira de Jia, e como estão interligadas e são reflexos das profundas transformações pelas quais a China passou nas últimas décadas. Começa com o diretor revisitando sua casa de infância, na cidade de Fenyang, e reencontrando figuras do seu passado, como a vizinha que lhe dá uma bronca porque ele já passou da hora de ter filhos (ele tem 44 anos).
Pessoas que passaram pela vida do cineasta chinês e de algum modo têm a ver com seu filme aparecem no documentário – como é o caso de seu primo Han Sanming – que atuou em Still Life, Plataforma e O Mundo (2004).
O documentário de Salles acompanha o diretor chinês por uma jornada ao seu passado, mas não busca explicar a obra por meio da vida – ou, em última instância, ilustrar uma fala de Jia no filme: “O cinema é público, mas também pessoal”. (Alysson Oliveira)
 
Indicação: livre
Duração: 100 min
 
CINE LIVRARIA CULTURA 1 - 27/10/2014 - 20:30 - Sessão: 1025 (Segunda)
 
AS MARAVILHAS
Nesta coprodução entre Itália e Alemanha, vencedora do Grande Prêmio do Júri em Cannes, desenrola-se o retrato delicado e não muito previsível de uma família um tanto fora do comum. O clã, formado pelos pais, quatro filhas e uma cunhada, mantém uma fazenda de produção de mel.
É um ambiente muito feminino, por mais que a figura do pai (Sam Louvyk) seja forte e corrosiva. A figura feminina predominante nem é a mãe (Alba Rohrwacher, irmã da diretora Alice Rohrwacher), e sim a filha mais velha de 13 anos, Gelsomina (Maria Alexandra Lungu). A menina conduz o negócio e a vida familiar, aparando as arestas entre o pai e a mãe, sempre prontos a explodir, cuidando das três irmãs menores. A tia (Sabine Timoteo) não é de grande ajuda. Eles vivem na Umbria, numa zona fronteiriça, perto da Alemanha. A família também é mista, alemã por parte do pai, italiana, da mãe.
O ponto de vista da história é o de Gelsomina, que está crescendo, virando adolescente e mirando num futuro além do sítio atrasado, do provincianismo, do machismo também. O pai ainda a enxerga como criança, querendo satisfazer um sonho antigo dela – um camelo -, o que destoa de qualquer senso de realidade.
O sonho de Gelsomina agora é entrar num concurso que premiará com dinheiro o melhor agronegócio da região, organizado por um programa chamado “Le Meraviglie” (as maravilhas). Monica Bellucci faz o papel da hostess do programa, Milly Catena, que aparece sempre fantasiada como uma espécie de fada, parodiando a irrealidade exibicionista e cafona desse tipo de programa de TV, que colocará os concorrentes, fazendeiros, vestidos como pastores da Idade Média na edição final que definirá o vencedor.
Este sim é um filme com várias camadas, que não reluta em correr riscos para seguir esta família em tumulto interno, ameaçada de romper-se a cada momento, recompondo-se através do hábito e do afeto. As Maravilhas é um filme sutil que, como sua protagonista, uma atriz natural, diz muito mais do que parece à primeira vista. (Neusa Barbosa)
 
Indicação: 16 anos
Duração: 111 min
CINESESC                                                 27/10/2014 - 20:00 - Sessão: 1050 (Segunda)
CINE LIVRARIA CULTURA 1                  28/10/2014 - 21:10 - Sessão: 1095 (Terça)
CINE SABESP                                          29/10/2014 - 15:40 - Sessão: 1174 (Quarta)
 
VENTOS DE AGOSTO
Premiado em Locarno,o novo filme de Gabriel Mascaro consolidou a investida mais decidida até aqui do cineasta pernambucano, diretor dos documentários Domésticas e Um Lugar ao Sol, no caminho da ficção. Mas, ao mesmo tempo, as fronteiras de gênero permaneceram deliberadamente fluidas neste filme que, se incorpora referências (assumidamente, Joris Ivens, por exemplo), não se curva a um estetismo excessivo.
Como em todo seu trabalho de cineasta até este momento, Mascaro se empenha em criar um filme orgânico, e consegue, no sentido de aliar um aceno ao naturalismo na fotografia (responsável por sua comparação a Barravento, de Glauber Rocha, por um crítico italiano em Locarno) e também no uso de atores amadores das próprias locações (na praiana Porto da Pedra de Alagoas) a uma tentativa de fabular, com o decisivo envolvimento dos moradores/atores.
Não que não houvessem alguns pontos de partida sinalizando esta viagem. Na coletiva do filme no Festival de Brasília, em setembro, Mascaro contou ter-se interessado por histórias relacionadas ao cemitério local que, por conta das fortes correntes marítimas causadas pelos ventos, fazem com que os esqueletos dos mortos sejam levados, muitas vezes, pelo mar, desencadeando um processo constante de ressepultamento.
Essa relação peculiar com a vida e a morte percorre todo o filme. Está no horizonte da jovem Shirley (Dandara de Morais), que veio de outra localidade para cuidar da avó, quase centenária – e que conta que vê seus pais todos os dias, em sonhos. Também ocupa, de certa maneira, o imaginário de Jeison (Geová Manoel dos Santos), que pensa muito na mãe que morreu. E que, mais tarde, mudará toda a sua rotina para tratar do destino de um morto, um forasteiro que chegou à ilha para estudar os ventos (interpretado pelo próprio Mascaro).
Só a organicidade explica como Mascaro conseguiu inserir, tão naturalmente, numa história à primeira vista tão minimalista, tantas questões como finalmente surgem na tela: o sexo, a vontade de fugir, o trabalho braçal, as relações familiares, as histórias sobre os mortos, o isolamento em relação à figura de um Estado ou autoridade – que, quando acontece, se dá num registro muito próximo ao realismo mágico, com um saudável toque de humor.
O humor, aliás, infiltra-se neste filme denso, que se amplia em significados quanto mais se pensa nele.  (Neusa Barbosa)
 
Indicação: 16 anos
Duração: 77 min
 
CINESESC                                                                         27/10/2014 - 18:30 - Sessão: 1049 (Segunda)
ESPAÇO ITAÚ DE CINEMA - FREI CANECA 3             28/10/2014 - 14:00 - Sessão: 1073 (Terça)
 
JAUJA
Vencedor do prêmio da Fipresci (Federação Internacional dos Críticos) na seção Um Certo Olhar do Festival de Cannes, o novo filme do diretor argentino Lisandro Alonso (Los Muertos) é mais um trabalho de ritmo compassado e fôlego peculiar. Desta vez, um filme de época, roteirizado por Alonso e o jornalista e dramaturgo Fabián Casas, ambientado na Patagônia do final do século XIX, quando se lançava a chamada “Conquista do Deserto” – um eufemismo cínico para uma ampla expedição genocida de extermínio dos indígenas locais, chamados acintosamente de “cabeças de coco”.
Junto com os soldados, vem um engenheiro dinamarquês, Gunnar Dinesen (Viggo Mortensen, também co-produtor do filme e compositor de sua trilha) – um europeu deslocado num mundo selvagem que ele não compreende. Ele está acompanhado de sua filha adolescente, Ingeborg (Viilbjork Agger Malling), que desperta a cobiça de vários elementos da tropa, como o jovem soldado Corto. O pai percebe o perigo e tenta reprimir a filha. Mas ela simplesmente desaparece numa noite, junto com Corto.
O desaparecimento da garota lança o pai numa jornada arriscada pela desértica Patagônia adentro, em que cada vez menos seus recursos culturais, “civilizados”, lhe valerão, diante de uma natureza bruta e de singulares encontros com realidades extremas, até mesmo mágicas. Viggo Mortensen, mais uma vez, está impecável na pele deste homem perdido, num filme repleto de climas e possibilidades de leitura. (Neusa Barbosa)
 
Indicação: 16 anos
Duração: 108 min
 
ESPAÇO ITAÚ DE CINEMA - FREI CANECA 1        27/10/2014 - 22:10 - Sessão: 999 (Segunda)
CINESESC                                                                    28/10/2014 - 15:00 - Sessão: 1133 (Terça)
MIS - MUSEU DA IMAGEM E DO SOM                     29/10/2014 - 19:20 - Sessão: 1201 (Quarta)
 
UM POMBO POUSOU NUM GALHO REFLETINDO SOBRE A EXISTÊNCIA 
O diretor sueco Roy Andersson venceu o Leão de Ouro em Veneza este ano com esta obra plural, que constrói sua singularidade com uma mistura sutil de humor, ternura e também reflexão – a partir de seu imenso título. O filme fechou a trilogia formada por Canções do Segundo Andar (2000) e Vocês, os Vivos (2007) com mais uma série de pequenas histórias intercaladas, envolvendo a morte, o subemprego - de dois hilários, embora melancólicos, vendedores de "artigos para fazer rir", como sacos de risadas, máscaras e dentes de vampiro - e também comentários histórico-políticos, envolvendo guerras, colonialismo, genocídio e escravidão.
A maneira como Andersson é capaz de compor estes quadros é muito eficiente e particular, inclusive em termos estéticos, com um descoramento de cores de cenários, figurinos e personagens - o rosto de todos é pintado de branco, o que lhes dá um ar de clowns. É um universo que se assemelha às vezes ao do finlandês Aki Kaurismaki, mas tem o seu próprio tom.  O diretor sueco alinhava histórias, fragmentos, personagens, extraindo da alma deles uma estranha poesia, um humor peculiar e um sentido muito particular e crítico da História, e não só da Suécia. (Neusa Barbosa) 
 
Indicação: 16 anos
Duração: 102 min
 
CINESESC                                                            27/10/2014 - 22:15 - Sessão: 1051 (Segunda)
 
ALMAS NEGRAS
Concorrendo na competição principal do último Festival de Veneza, o diretor Francesco Munzio, supera as expectativas ao criar um drama forte sobre uma família criminosa na Calábria. De um lado, o diretor não poupa realismo, ao ambientar o filme na própria região do sul italiano, adotando o dialeto local - o que exigiu um esforço especial da maioria dos atores, para adquirir o domínio e a credibilidade necessários. Exceto alguns deles, como Marco Leonardi (o intérprete famoso de Cinema Paradiso), que é calabrês e interpreta Luigi, um dos três irmãos da família Carbone, o mais duro e violento deles.
Os outros dois são Rocco (Peppino Mazzota), que cuida das finanças, em Milão, enquanto o mais velho, Luciano (Fabrizio Ferracane), que se recusa a envolver-se no tráfico de drogas e armas, além dos acertos de contas, cuida da velha propriedade rural, das cabras e das vinhas. No entanto, seu filho, Leo (Giuseppe Fumo), é impulsivo e decide tomar o caminho do crime ao lado do tio Luigi, uma decisão que transforma radicalmente os destinos.
Uma igreja em ruínas e uma escola abandonada terminam por transformar-se em metáforas eficazes de um relato que valoriza, uma fusão entre o arcaico e o moderno, que termina por definir a situação da Itália - e não só desse país. (Neusa Barbosa)
 
Indicação: 12 anos
Duração: 102 min
 
ESPAÇO ITAÚ DE CINEMA - FREI CANECA 3        27/10/2014 - 17:50 - Sessão: 1007 (Segunda)
RESERVA CULTURAL 1                                             28/10/2014 - 22:10 - Sessão: 1132 (Terça)
 
AS NOITES BRANCAS DO CARTEIRO
O veterano diretor russo Andrei Konchalovsky, de 77 anos, que venceu um Grande Prêmio do Júri em Veneza há 12 anos com Casa dos Loucos, surpreendeu todo mundo com este docudrama cheio de frescor, filmado no norte da Rússia, utilizando-se quase exclusivamente de moradores locais da região próxima ao lago Kenozero. Ganhou um novo e merecido prêmio em Veneza este ano, desta vez de direção.
Com assumida inspiração no neorrealismo, Konchalovsky revela a vida cotidiana de moradores de uma comunidade isolada, reconstituindo seu dia-a-dia sem nenhuma interpretação teatral.  Suas vidas são unidas pela presença de um atencioso carteiro, que costuma trazer notícias, pensões e também apoiar os solitários e os bêbados. Um clima de realismo mágico tempera o filme, que se vale da participação de crianças, da aparição misteriosa de um gato e invoca lendas, como de uma bruxa da água. Mas o míssil que se vê de repente nos ceus numa cena, garantiu o diretor, é rigorosamente real – perto do lago há mesmo uma base militar de lançamento, o que serve como lembrete de belicosa presença russa na Ucrânia. (Neusa Barbosa)
 
Indicação: 18 anos
Duração: 110 min
 
CINE SABESP                             27/10/2014 - 16:15 - Sessão: 1019 (Segunda) 
 
RETORNO A ÍTACA
O diretor francês Laurent Cantet, já vencedor de uma Palma de Ouro em Cannes em 2008 por Entre os Muros da Escola, venceu o prêmio de melhor filme da seção paralela Giornate degli Autori em Veneza com este novo trabalho, em que se desloca agora a Cuba para realizar este drama intimista, falado em espanhol e com elenco encabeçado pelo carismático Jorge Perugorría (Morango e Chocolate). Partindo dos personagens do romance do escritor Leonardo Padura, La Novela de mi vida, Cantet atualiza o registro temporal, criando um rico painel de emoções e de revisão dos mitos pessoais e políticos de cinco amigos em Havana que se reencontram em clima de confissão. Todos na faixa dos 50 anos, confrontam suas diferentes escolhas na vida. Alguns ficaram em Cuba e suportaram diversas provações. Um deles se exilou em Madri, abandonou vários sonhos e agora quer voltar. (Neusa Barbosa)
 
Indicação: 16 anos
Duração: 95 min
 
FAAP                                    27/10/2014 - 11:00 - Sessão: 1037 (Segunda)
 
CASA GRANDE
Dirigido por Fellipe Barbosa (Laura) a partir de um roteiro dele e de Karen Sztajnberg (também responsável pela montagem do longa), o filme faz um retrato que vai do ácido ao terno, passando pelo caricato e cômico, de uma classe alta, pautado pela tensão social.
A família de Jean (o ótimo estreante Thales Cavalcanti) mora numa casa gigantesca num condomínio de luxo, na Barra da Tijuca. O menino estuda num colégio só para rapazes, o São Bento, e é levado todos os dias pelo motorista, que, no fundo, assume o papel de figura paterna, uma vez que o pai de fato, Hugo (Marcello Novaes), está mais preocupado com a derrocada financeira da família – embora os parentes ainda não saibam. A mãe (Susana Pires) é uma dondoca que ganha algum dinheiro dando aula de francês em casa. Tudo é visto pelos olhos do jovem, cuja educação sócio-emocional é a bússola do filme.  
No Brasil, o filme teve sua première no Festival de Paulínia, em que venceu quatro prêmios: quatro prêmios: o Prêmio Especial do Júri, ator coadjuvante (Marcello Novaes), atriz coadjuvante (Clarissa Pinheiro) e roteiro (Fellipe e Karen Sztajnberg). Antes, exibido no exterior, saiu do Festival de Toulouse com três troféus: revelação da crítica francesa; da crítica internacional (Fipresci); e o prêmio de público. (Alysson Oliveira)
 
Indicação: 12 anos
Duração: 114 min
 
CINE LIVRARIA CULTURA 1                 27/10/2014 - 14:00 - Sessão: 1022 (Segunda)
 
SINFONIA DA NECRÓPOLE
Vencedor do prêmio de melhor trilha sonora no Festival de Paulínia (de onde saiu apenas com um prêmio de trilha sonora, o novo filme da diretora paulista Juliana Rojas é um musical ambientado num cemitério que fala da precarização do trabalho e especulação imobiliária – ou seja, nada mais atual. Acima de tudo, muito divertido, seja em seus personagens (especialmente o coveiro que não leva jeito para o trabalho) ou nas canções, compostas pela diretora e com melodia de Marco Dutra – parceiro dela na direção de diversos curtas e do longa Trabalhar Cansa.
Deodato (Eduardo Gomes) é um jovem aprendiz de coveiro (e ex-plantador de couves), que se sente mal toda vez que vê um enterro. Com a chegada de Jacqueline (Luciana Paes), funcionária responsável pela reestruturação do cemitério, sua rotina muda, e ele passa a assessorá-la na catalogação dos jazigos.
Há um lado lúdico, e um outro social no filme. O primeiro, por mais estranho que possa parecer, está ligado exatamente ao cemitério, à dialética da vida e da morte, às canções. O outro evoca o teatro épico da dupla Bertolt Brecht e Kurt Weill (autores de obras como A ópera dos três vinténs). É aqui que, de forma sutil mas impactante, Juliana fala de questões sérias. A reestruturação do cemitério se revela com um jogo de especulação imobiliária – arranjar as coisas de modo que o terreno possa render mais - disponibilizando espaço para novas sepulturas.
Em seu primeiro longa solo, Juliana está bastante segura de suas opções, e em momento algum titubeia. As músicas e suas coreografias – há um balé de mortos-vivos que é hilário – causam um estranhamento bem-vindo. O filme aponta para uma diretora a quem se deve prestar atenção. (Alysson Oliveira)
 
Indicação: 12 anos.
Duração: 85 min.
 
ESPAÇO ITAÚ DE CINEMA - FREI CANECA 1-               27/10 - 16:10 - Sessão: 996 (Segunda)
 
 
LAMENTO
 
O sueco Jöns Jönsson viajou para a Alemanha há dez anos e gostou tanto do país que permaneceu por lá, chegando a cursar uma faculdade de cinema em terras germânicas. E do seu trabalho final resultou esta produção alemã, filmada na Suécia, que foi exibida no Festival de Berlim. O filme acompanha o dia-a-dia de Magdalena (Gunilla Röör), em que ela faz de tudo para que se assemelhe a qualquer rotina normal, levando o neto à escola, por exemplo.
Aos poucos, o espectador vai percebendo as nuances desta máscara de aparente tranquilidade: a filha dela se suicidou, mas ela tenta fingir que está tudo bem. A senhora reafirma constantemente que Sara “está melhor agora” e que não podia obrigá-la a tomar os remédios, como se quisesse aliviar a culpa que sente. Enquanto isso, ela se agarra ainda mais ao cachorro que era da moça, como se quisesse transferir seu amor pela filha ao animal. Porém, a chegada do ex-namorado dela abala a segurança que mãe acreditava ter.
O jovem diretor revelou que sua intenção não era fazer um filme sombrio sobre um tema tão complicado. Ao mesmo tempo, ele consegue fugir do melodrama barato. No entanto, em seu esforço, Jönsson cria um clima, às vezes, tão hermético que, junto ao ritmo lento, dificulta o envolvimento do público com a história. Por outro lado, a atuação pungente de Gunilla Röör faz com a plateia não ouse desviar o olhar da tela. (Nayara Reynaud)
 
Indicação: 12 anos
Duração: 83 min
 
ESPAÇO ITAÚ DE CINEMA - FREI CANECA 1   27/10/2014 - 13:00 - Sessão: 994 (Segunda)
 
 
A VIDA PODE SER
 
Resultado da amizade de dois cineastas, a iraniana exilada em Londres Mania Akbari – que compõe o júri da Mostra neste ano – e o escocês Mark Cousins, este inusitado documentário apresenta a troca de cartas entre eles. Mas não aquelas velhas correspondências de papel e sim epístolas em áudio e vídeo que propõem a discussão sobre inúmeros assuntos, principalmente o cinema, embalada pelo poema de Forough Farrokhzad que dá título à produção.
Pelo filme, conhecemos Mania, atriz que surpreendeu a todos como protagonista de Dez (2002) de Abbas Kiarostami, e ainda mais quando resolveu investir na direção, com 20 Dedos (2004), primeiro de seus quatro longas antes deste. Quanto a Mark, somos apresentados mais à sua rotina entre quartos de hotéis pelo mundo e junk food, do que necessariamente seu trabalho como documentarista – The Story of Film: An Odyssey (2011) e curador, aos quais há apenas breves alusões. Por isso, é natural que a conversa entre eles, tanto no texto – na primeira carta, especialmente – quanto nas imagens, permeie questões referentes à sétima arte.
No entanto, o debate cinematográfico vai se esvaziando no decorrer da projeção, seja como conceito ou como estética, em particular em seu último segmento. Ele dá lugar a uma discussão, inicialmente, metafísica e cultural, sobre o corpo que, depois, degringola para um claro flerte na tela, um tanto quanto incisivo de Cousins, embora Akbari ainda consiga tratar poeticamente as mudanças corporais que sofreu decorrentes de um câncer de mama. Contudo, nem a poesia é capaz de abalar a percepção de que o filme poderia ter um melhor tratamento em um tempo de exibição menor. (Nayara Reynaud)
 
Indicação: 10 anos
Duração: 80 min
 
FAAP                                    27/10/2014 - 19:00 - Sessão: 1039 (Segunda)

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