MOSTRA 2014

Entre a literatura lusa e o humor negro de Bruno Dumont

Equipe Cineweb

 OS MAIAS
Transitando entre Mistérios de Lisboa, de Raul Ruiz, e A Inglesa e o Duque, de Éric Rohmer, Os Maias – Episódios da Vida Romântica, do português João Botelho, é a prova de que o romance de Eça de Queiroz se adapta melhor a uma série de televisão do que a um filme – dado o ritmo da narrativa e quantidade de tramas e personagens. Basta ver a adaptação televisiva de Luiz Fernando Carvalho, de 2000. Ainda assim, Botelho fez um trabalho bastante eficiente na transposição do romance de 1888.
A primeira parte, que narra o romance entre Pedro da Maia (Nuno Casanovas) e Maria Eduarda Runa (Ana Moreira), é rápida, sem entrar em detalhes, pois o interesse do filme está na segunda parte, quando o casal já se separou, o rapaz se matou, e seu filho Carlos Eduardo (Graciano Dias) vive com o avô, Afonso (João Perry), uma vida de aristocrata rico, cujas preocupações se limitam a mulheres e amigos.
A chegada de Maria Eduarda (a brasileira Maria Flor) em Lisboa transforma o rapaz, que se interessa pela moça, mãe de uma filha pequena e casada com um brasileiro que não veio com elas.  Com o tempo os dois se tornam amantes, mas um segredo do passado determina o destino desse romance trágico.
Com diversos cenários composto de pinturas – como no filme de Rohmer – Os Maias... é tecnicamente competente, e os atores, empenhados. Mas nem sempre a narrativa dá o tempo necessário para que as emoções e tramas se desenvolvam de forma orgânica, sem parecerem apressadas. Ainda assim, Botelho faz um bom filme. (Alysson Oliveira)
 
Indicação: 16 anos
Duração: 133 min
CCSP - SALA PAULO EMILIO -  28/10/2014 - 19:00 - Sessão: 1124 (Terça)
 
O SUL
Nesta crônica de uma família moradora do norte da Espanha, o diretor espanhol Victor Erice realiza uma nova investida em seu cinema lacunar, cheio de sugestões que o espectador é chamado a seguir. No centro, está a garota Estrella (Sonsoles Aranguren, quando menina; Icíar Bollaín adolescente), filha única, fixada na figura do pai, o médico Agustín Arenas (Omero Antonutti). É por seu olhar que se revelam as nuances da relação dos pais, que moram longe da família paterna, que vive no sul – uma espécie de paradigma de um lugar mais quente, mas também o território onde se oculta um conflito mal-resolvido entre Agustín e seu próprio pai, com quem rompeu.
A casca de felicidade plena atrás da qual Estrella enxerga a própria vida, num nicho muito fechado e afetivo, começa a romper-se quando ela descobre um papel na gaveta do pai em que ele escreveu o nome de uma mulher – Irene Rios. Isso e mais hábitos peculiares de isolamento dele semeiam novos sentimentos, que guiam Estrella em direção à descoberta das complexidades das pessoas, dela mesma também, uma sugestão de que a vida pode ser bem mais do que a sua vista alcança.  (Neusa Barbosa)
 
Indicação: 16 anos
Duração: 95 min
CCSP - SALA LIMA BARRETO                28/10/2014 - 17:00 - Sessão: 1126 (Terça)
 
 
ANTES DA NEVE
 
No centro da mídia por causa do avanço do grupo terrorista Estado Islâmico em seu território, a população curda sempre foi sufocada por aquelas que possuem oficialmente a terra, sejam iraquianos, turcos, sírios, entre outros. Por isso, apesar das falhas, não deixa de ser louvável o esforço cinematográfico de Hisham Zaman, um curdo radicado na Noruega, em sua estreia, realizada em 2013 – a Mostra também apresenta na programação, o novo filme do cineasta, Carta ao Rei (2014).
Ele traz à tela a história de Siyar (Taher Abdullah Taher), que, após a morte do pai, se transforma no chefe de sua família e se sente na obrigação de punir a irmã (Bahar Ozen) por fugir da aldeia, a fim de evitar um casamento arranjado para ela e poder viver com o seu amor. Para ir atrás dela, o jovem sai do Curdistão iraquiano rumo a Istambul. Depois, percorre a Europa até chegar a Oslo, tudo isso financiado pela família do noivo da irmã, que deseja vingança. Só que nesse caminho, além de se envolver com contrabandistas, o garoto conhece Evin (Suzan Ilir), que se torna sua companheira de viagem e desperta nele um sentimento desconhecido.
Embora seja uma produção de porte considerável – há curdos, noruegueses e alemães envolvidos –, com gravações em vários países, o filme tropeça no básico. O roteiro e o elenco são fracos, especialmente o jovem ator no papel do protagonista. No entanto, Zaman consegue, ao final, ecoar a questão da pressão das tradições naquelas aldeias e a opressão das mulheres frente à cultura de seu povo – ainda que seja algo que se repete em diversos pontos do planeta. (Nayara Reynaud)
                                                                                                          
Indicação: 12 anos
Duração: 105 min
 
CINEMARK - SHOPPING VILLA-LOBOS - SALA 2 28/10/2014 - 19:00 - Sessão: 1146 (Terça)
 
FILMAR OBSTINADAMENTE, UM ENCONTRO COM PATRICIO GUZMÁN 
Autor de documentários fundamentais, como A Batalha do Chile e A Nostalgia da Luz, o cineasta chileno Patricio Guzmán aparece generosamente diante das câmeras do diretor francês Boris Nicot, que faz uma justa homenagem a um profissional que prima pela discrição, engajamento e originalidade, além do inegociável humanismo.
É muito fácil encantar-se por esse sereno septuagenário, sua fala firme detalhando o meticuloso processo de pesquisa de suas produções, pelas quais passa uma parte dramática da história de seu próprio país, onde ele não vive há décadas, desde a ditadura Pinochet, mas do qual ele tampouco se aparta.
O exílio francês, a esta altura voluntário, parece, ao contrário, dar-lhe uma perspectiva única diante das contradições de uma nação tão violentamente dividida ideologicamente, marcada pelas muitas cicatrizes da ditadura, como as execuções e desaparecimentos de milhares de opositores – um contingente que, por pouco, o próprio Guzmán não integrou, já que foi detido no Estádio Nacional, nos primeiros dias do golpe de 1973.
O melhor é acompanhar o ritmo compassado como ele reexamina a confecção de suas principais obras e a sabedoria com que pontifica que talvez leve 100 anos para o Chile superar a herança maldita do arbítrio. Uma atração à parte é conhecer os primeiros detalhes de um novo trabalho do cineasta, já em preparação. Guzmán é destas pessoas cuja simples existência torna o mundo inteiro melhor. (Neusa Barbosa
 
Indicação: 12 anos
Duração: 98 min
 
MATILHA CULTURAL                                                  28/10/2014 - 18:10 - Sessão: 1117 (Terça)
 
AS MARAVILHAS
Nesta coprodução entre Itália e Alemanha, vencedora do Grande Prêmio do Júri em Cannes, desenrola-se o retrato delicado e não muito previsível de uma família um tanto fora do comum. O clã, formado pelos pais, quatro filhas e uma cunhada, mantém uma fazenda de produção de mel.
É um ambiente muito feminino, por mais que a figura do pai (Sam Louvyk) seja forte e corrosiva. A figura feminina predominante nem é a mãe (Alba Rohrwacher, irmã da diretora Alice Rohrwacher), e sim a filha mais velha de 13 anos, Gelsomina (Maria Alexandra Lungu). A menina conduz o negócio e a vida familiar, aparando as arestas entre o pai e a mãe, sempre prontos a explodir, cuidando das três irmãs menores. A tia (Sabine Timoteo) não é de grande ajuda. Eles vivem na Umbria, numa zona fronteiriça, perto da Alemanha. A família também é mista, alemã por parte do pai, italiana, da mãe.
O ponto de vista da história é o de Gelsomina, que está crescendo, virando adolescente e mirando num futuro além do sítio atrasado, do provincianismo, do machismo também. O pai ainda a enxerga como criança, querendo satisfazer um sonho antigo dela – um camelo -, o que destoa de qualquer senso de realidade.
O sonho de Gelsomina agora é entrar num concurso que premiará com dinheiro o melhor agronegócio da região, organizado por um programa chamado “Le Meraviglie” (as maravilhas). Monica Bellucci faz o papel da hostess do programa, Milly Catena, que aparece sempre fantasiada como uma espécie de fada, parodiando a irrealidade exibicionista e cafona desse tipo de programa de TV, que colocará os concorrentes, fazendeiros, vestidos como pastores da Idade Média na edição final que definirá o vencedor.
Este sim é um filme com várias camadas, que não reluta em correr riscos para seguir esta família em tumulto interno, ameaçada de romper-se a cada momento, recompondo-se através do hábito e do afeto. As Maravilhas é um filme sutil que, como sua protagonista, uma atriz natural, diz muito mais do que parece à primeira vista. (Neusa Barbosa)
 
Indicação: 16 anos
Duração: 111 min
 
CINE LIVRARIA CULTURA 1                  28/10/2014 - 21:10 - Sessão: 1095 (Terça)
CINE SABESP                                          29/10/2014 - 15:40 - Sessão: 1174 (Quarta)
 
 
ALMAS NEGRAS
Concorrendo na competição principal do último Festival de Veneza, o diretor Francesco Munzio, supera as expectativas ao criar um drama forte sobre uma família criminosa na Calábria. De um lado, o diretor não poupa realismo, ao ambientar o filme na própria região do sul italiano, adotando o dialeto local - o que exigiu um esforço especial da maioria dos atores, para adquirir o domínio e a credibilidade necessários. Exceto alguns deles, como Marco Leonardi (o intérprete famoso de Cinema Paradiso), que é calabrês e interpreta Luigi, um dos três irmãos da família Carbone, o mais duro e violento deles.
Os outros dois são Rocco (Peppino Mazzota), que cuida das finanças, em Milão, enquanto o mais velho, Luciano (Fabrizio Ferracane), que se recusa a envolver-se no tráfico de drogas e armas, além dos acertos de contas, cuida da velha propriedade rural, das cabras e das vinhas. No entanto, seu filho, Leo (Giuseppe Fumo), é impulsivo e decide tomar o caminho do crime ao lado do tio Luigi, uma decisão que transforma radicalmente os destinos.
Uma igreja em ruínas e uma escola abandonada terminam por transformar-se em metáforas eficazes de um relato que valoriza, uma fusão entre o arcaico e o moderno, que termina por definir a situação da Itália - e não só desse país. (Neusa Barbosa)
 
Indicação: 12 anos
Duração: 102 min
 
RESERVA CULTURAL 1                                             28/10/2014 - 22:10 - Sessão: 1132 (Terça)
 
 
 HERMOSA JUVENTUD

A atriz Íngrid García-Jonsson, o grande destaque do drama espanhol Hermosa Juventud, é enfática ao argumentar sobre as perspectivas da juventude do país.  “A Espanha não é o melhor lugar para jovens estarem agora. Ninguém encontra trabalho. O desemprego nessa faixa chega a 80%”, critica em tom de preocupação.

Na pele de Natalia, uma jovem sem educação formal e trabalho que engravida do namorado com iguais problemas de vida, Íngrid quis fazer do seu personagem um retrato da juventude no país. “O filme fala sobre gente de minha idade, são pessoas próximas a mim. Me pareceu um grande oportunidade de dar voz a elas no cinema, onde elas não são contadas. E Natalia é um personagem fascinante”.

Sob a direção de Jaime Rosales, Hermosa Juventud é muito eficaz nessa visão. Embora tivessem um roteiro a seguir, Íngrid ressalta a liberdade concedida aos atores (todos amadores, com exceção da própria) de improvisar em todas as cenas. “Todos os diálogos foram criados na hora. Apenas sabíamos onde Rosales  queria chegar nas cenas”, lembra a atriz. Daí o revestimento genuíno do que se vê na tela. 
 
Entre a crítica à falta de perspectiva do jovem espanhol, o filme também é um acertado drama sobre uma pessoa cujo único sintoma de existência é a gestação de um filho. Usa também diferentes plataformas e mídias para se aproximar desse mundo (Whatsapp e Facebook, por exemplo) e se apropriar da linguagem a ser passada no filme.
 
Um trabalho, no fim, equilibrado mas extremamente pessimista, não sobre o jovem em si, retratado aqui como esperançoso e cheio de viço. Rosales e Íngrid encarnam um futuro muito triste e escuro de seu país e a cruel marca de quem está fadado a fracassar neste contexto. (Rodrigo Zavala)
 
Indicação: 16 anos
 
Duração: 102 min

CINECAIXA BELAS ARTES - SALA SPCINE     28/10/2014 - 17:30 - Sessão: 1142 (Terça)
 
 
 
A HISTÓRIA DA ETERNIDADE
Um dos últimos filmes da competição do Festival de Paulínia, logo de cara arrebatou a todo mundo – sendo, aliás, aplaudido em cena aberta, num dos momentos mais bonitos. Arrebatou tanto que levou os cinco principais prêmios: filme, diretor (Camilo Cavalcante), ator (Irandhir Santos), atriz (dividido entre Marcélia Cartaxo, Zezita Matos e Débora Ingrid) e o prêmio da Associação Brasileira de Críticos de Cinema, a Abraccine.  
O longa de estreia deste diretor se passa no sertão nordestino, onde três histórias se interligam tendo como ponto em comum o desejo e a decepção. É um lugar mítico, com figuras emblemáticas, como uma matriarca forte (Zezita Matos), uma espécie de avó coragem, que abriga em sua casa o neto que voltou do sudeste (Maxwell Nascimento).
A outra é uma garota que sonha com o mar (Débora Ingrid), cujos delírios rendem alguns dos melhores momentos do filme. Seu único amigo é o tio (Irandhir Santos), que tenta a protegê-la do pai abusivo (Claudio Jaborandy). O filme é organizado pelas histórias de suas personagens femininas. A terceira é uma mulher (Marcélia Cartaxo), cujo filho pequeno é enterrado na cena inicial, e agora precisa lidar com o luto.
Cavalcante, experiente e premiado diretor de curtas, encontra na forma meditada a materialização estética das emoções e experiências de seus personagens. A câmera se mantém fixa até certo ponto, numa bela cena envolvendo uma canção da banda Secos & Molhados – a partir daí, a câmera e a imagem voam. São opções arriscadas, mas muito bem pensadas e eficientes em compor uma obra que exala poesia sem nunca deixar de fazer um comentário sobre uma paisagem que mesmo árida está inserida no mundo globalizado. (Alysson Oliveira)
 
Indicação: 16 anos
Duração: 120 min
 
RESERVA CULTURAL 1-                                                  28/10/2014 - 19:50 - Sessão: 1131 (Terça)
 
 
 
O PEQUENO QUINQUIN
A julgar por seus trabalhos anteriores, como A Humanidade, A Vida de Jesus e Camille Claudel, pouca gente poderia imaginar que o cineasta francês Bruno Dumont seria capaz de realizar uma comédia. Mas é exatamente dessa missão que ele se desincumbe com brilho nesta minissérie em três capítulos, produzida originalmente para a TV e apresentada em bloco tanto na Quinzena dos Realizadores de Cannes 2014 como agora na Mostra.
O protagonista é um garoto de 12 anos, Quinquin (Alane Delhaye), que mora com a família numa região rural do norte da França, nos arredores de Calais. Ele é o típico moleque, capaz de travessuras e fugindo da fúria dos pais em sua bicicleta. Sempre pode contar com sua turma, especialmente a amigona Eve (Lucy Caron).
A modorra desta vida campestre é subitamente rompida quando se encontra uma vaca morta num antigo bunker abandonado da II Guerra Mundial. Um mistério que vai esgotar as forças de uma impagável dupla de investigadores, o magrelo Carpentier (Philippe Jore) e seu chefe, o capitão Van der Weyden (Bernard Pruvost), figuraça de uma lógica plana e cheio de tiques físicos.
O Pequeno Quinquin acerta em cheio ao criar empatia para esta turma de garotos, cujas espertezas fazem qualquer um rir, assim como as patetadas da dupla de policiais. Aos poucos, com a sequência da trama de mistério, percebe-se que o diretor continua querendo falar das mesmas coisas de sempre, ainda que numa outra chave – ou seja, de como por trás da aparente simplicidade escondem-se grandes perversões. Aí, o humor negro transborda, num trabalho muito original e marcante. (Neusa Barbosa)
 
Indicação: 14 anos
Duração: 200 min
 
FAAP                                                                             28/10/2014 - 15:00 - Sessão: 1111 (Terça)
RESERVA CULTURAL 1                                              29/10/2014 - 20:40 - Sessão: 1219 (Quarta)
 
 
AMIGOS DA FRANÇA
 
O título do primeiro longa do casal de montadores, Anne Weil e Philippe Kotlarski, incorpora o código que os jovens protagonistas usavam para poder entrar em contato com os refuseniks, judeus perseguidos dentro da União Soviética e que pediam asilo em Israel e outros países. A coprodução entre França, Alemanha, Rússia e Canadá tem como cenário a Odessa de 1979, cidade – cujas escadarias ficaram famosas no clássico O Encouraçado Potemkin (1925), de Sergei Eisenstein –com uma grande comunidade judaica que foi perseguida pelo regime comunista.
Para falar do tema, o roteiro segue a viagem dos primos Carole e Jérôme, na faixa dos 19 anos, para o local, por meio de uma excursão de turistas franceses, na qual se disfarçam como um casal que acabara de noivar. Foi a maneira que encontraram de levar suprimentos, produtos e livros proibidos aos judeus da região, já que a vigilância do regime é tamanha que microfones são colocados nos quartos do hotel e nas residências para espionar a população. Se a jovem tem o idealismo político e social como motor desta aventura, o rapaz só se engaja nesta arriscada jornada para estar ao lado dela.
Além do suspense das ações às escondidas que eles fazem, o longa segue alimentando no público a dúvida se a moça irá ou não ceder à paixão do primo, enquanto ambos se envolvem com jovens judeus da região. Pela escolha de dar mais foco à trama romântica, a narrativa acaba negligenciando o viés político do filme, ainda que a abordagem do tema seja suficiente para gerar no espectador o interesse por mais esse triste capítulo da História. No mais, Amigos da França é um filme instigante que só perde seu ritmo no final, com um prólogo, dez anos depois dos acontecimentos centrais da história. (Nayara Reynaud)
 
Indicação: 16 anos
Duração: 100 min
 
CINE SABESP                             28/10/2014 - 20:10 - Sessão: 1089 (Terça)
ESPAÇO ITAÚ DE CINEMA - AUGUSTA 1       29/10/2014 - 18:30 - Sessão: 1185 (Quarta)

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