Festival de Brasília 2014

"Ela volta na quinta" encerra competição em Brasília; prêmios saem hoje

Neusa Barbosa
"Ela volta na quinta" encerra competição em Brasília; prêmios saem hoje
A mistura visceral entre ficção e documentário que marcou a 47ª edição do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro – cujas premiações serão conhecidas nesta noite – atingiu uma nova marca no último longa concorrente, Ela Volta na Quinta (foto), do mineiro André Novais Oliveira.
 
Premiado por curtas como Pouco Mais de um Mês, em que retratava meio documentalmente o início de seu namoro com Elida Silpe – que novamente comparece no elenco deste longa -, Novais escala como elenco a própria família, seus pais e irmão, a namorada e a cunhada, para viver na tela um drama familiar.
 
Ao usar a própria família para viver situações que envolvem a separação dos pais, uma traição e mudanças sentimentais na vida do irmão, além de aparecer o tempo todo em cena, interagindo com eles, o diretor tira o espectador de sua zona de conforto e evoca a suspeita – até que ponto esta história toda tem um fundo de verdade e os personagens a estão reencenando ? Ou se trata apenas de uma mera ficção, em que o dado realista fica por conta do parentesco verídico entre os retratados?
 
Andando nessa linha fina, o filme pretende construir aí sua originalidade, fechando uma seleção do festival que procurou novos caminhos, sem sombra de dúvida. Os demais concorrentes entre os longas, o documentário Sem Pena, de Eugênio Puppo, e as ficções Ventos de Agosto, de Gabriel Mascaro, Brasil S/A, de Marcelo Pedroso, Branco Sai, Preto Fica, de Adirley Queiroz, e Pingo D’Água, de Taciano Valério, todos eles também fixaram na tela percursos de risco e experimentações que, independentemente dos prêmios, podem ser férteis em apontar caminhos e firmar novos nomes do cinema brasileiro.
 
Curtas
Não andou tão bem a seleção de curtas este ano, com poucos títulos realmente marcantes. Uma exceção positiva foi o pernambucano Sem Coração, de Nara Normande e Tião, que deu conta de tratar de tantos temas, da descoberta da sexualidade ao machismo desde a adolescência, com rara delicadeza e profundidade, além de empenho estético. E também a animação gaúcha Castillo y El Armado, de Pedro Harres, uma densa e criativa produção do gênero.
 
Outros dois curtas, coincidentemente exibidos na última noite competitiva, na segunda, também merecem menção. São eles o documental La Llamada, de Gustavo Vinagre, filmado em Cuba, que focaliza a figura do velho Lázaro Escarze, um veterano apoiador da Revolução Cubana, hoje à frente de uma cooperativa de comercialização de legumes e verduras, no momento em que vai receber seu telefone. O outro foi a ficção paulista Estátua!, de Gabriela Amaral Almeida, retratando a tensão que se instala entre uma babá grávida (Maeve Jinkings) e uma menina de 9 anos (Cecília Toledo), um tanto sinistra. Foi um bom exemplar de filme de gênero, assinado por uma diretora, aliás, que já realizou outro curta excelente neste universo, A Mão que Afaga (2012).

Deixe seu comentário:

Imagem de segurança