Melhor ficção, com 10 prêmios, foi o longa carioca "Muitos Homens num só"

Cine PE começa internacional e focado em memória

Rodrigo Zavala, de Recife

Recife - O Cine PE – Festival Audiovisual, que teve início na noite de ontem, sábado (26), chega à maioridade, agora, internacional e focado no tema memória, como anunciou durante abertura o curador da mostra, o jornalista e crítico Rodrigo Fonseca. Nos sete dias de evento na capital pernambucana, o festival premia com o troféu Calunga o que julga melhor em curtas metragens (pernambucanos e nacionais) e longas-metragens (ficção e documentários internacionais).

Na primeira noite de projeções no Cine-Teatro Guararapes, em Olinda, foram exibidos alguns dos curtas que concorrem nas mostra local e nacional. Embora a qualidade dos filmes seja desigual, impressiona a forma com que essas produções conseguem conversar sob o mesmo mote de memória e, mais ainda, identidade social. Esse é o elemento chave de Rabutaia (foto), de Brenda Lígia, e Severo, de Danilo Baracho, dois destaques da noite.
 
Rabutaia é um documentário sobre a vida do advogado Gilson Silva (tio de Brenda), cujo humor envolvente contagiou o público. Vítima de preconceitos e limitações por sua origem pobre, a diretora o coloca como exemplo de alguém cuja realidade não o brutalizou. Embora a edição não seja seu forte, a produção acerta na escolha narrativa centrada em um personagem tão cativante.

Já com um olhar oposto, quando o cotidiano massacra o indivíduo, há a ficção apresentada por Danilo Baracho. Realizado em uma comunidade na periferia de Recife, o curta Severo faz um paralelo entre a preferência de uma mãe pelo filho que traz dinheiro para casa em relação ao que apenas estuda e uma sociedade desigual, que privilegia renda frente à educação. Dinâmico e acelerado pela trilha sonora com a música Sonhar, de Tom Zé (que liberou os direitos após ver o filme), o curtamuda o tom no final para uma mensagem política do próprio diretor. 
 
Curtas Nacionais
 
Na Mostra Nacional, foram destaques na programação de ontem os curtas No Movimento da Fé, dos paraenses Fernando Segtowick e Thiago Pelaes, e O Filho Pródigo, do paulistano Felipe Poroger. O primeiro, um tocante documentário sobre o Círio de Nazaré, uma das maiores procissões católicas do mundo, que mobiliza mais de 2 milhões de pessoas todos os anos em Belém (PA).
 

Trata-se de uma produção curiosa, que retrata o trabalho de organizadores, militares e voluntários por trás do evento sob uma linguagem de filmes de guerra. A fé move todos os envolvidos, que fazem do Círio uma espécie de missão divina para evitar que o povo se machuque.

O segundo destaque vai para o sóbrio e denso, O Filho Pródigo, inspirado na parábola bíblica homônima. Interpretado com eloquência por Geordette Fadel e Danilo Grangueia (reconhecidos por sua excelência no teatro), o curta mostra uma família ainda afligida pelo desaparecimento do filho mais novo, nove anos antes. Uma decisão financeira difícil está por vir, quando o pai tem problemas financeiros.

O Cine PE vai até o dia 2 de maio e fará ainda homenagens aos 50 anos de Deus e o Diabo na Terra do Sol, de Glauber Rocha, à atriz Laura Cardoso e ao ator, diretor e crítico de cinema José Wilker, morto neste mês.


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