Festival de Berlim 2014

Filmes chineses não entusiasmam a plateia do Berlinale Palast

Plínio Ribeiro Jr., de Berlim

O diretor chinês Lou Ye, figurinha carimbada no festival de Cannes (já teve três filmes ali em seleção oficial), faz sua estreia na Berlinale com o filme Blind Massage, baseado no livro homônimo escrito por Bi Feiyu. Tanto no livro quanto no filme, a trama passa-se em Nanjing, mais especificamente num centro de massagem gerenciado por cegos. A chegada do Dr. Wang (Guo Xiandong) e do Dr. Kong (Zhang Lei) representa o ponto de partida para a entrada nos bastidores deste mundo.
 
A rotina do local, no entanto, é relegada ao segundo plano pois o que Lou Ye pretende é concentrar-se no viés humano das relações que vão se tecendo, bem como na bagagem de vida, anseios e desejos, incluindo sexuais, que cada personagem carrega. Entre os cegos retratados, há tanto atores cegos quanto não-cegos - mas é preciso não esquecer que a cegueira serve como um atalho para que o diretor explore o aspecto mais instintivo dos sentimentos, afinal é necessário uma confiança literalmente cega requerida para a convivência neste microcosmo. Os movimentos da câmera oferecem a mesma hesitação ao percorrer partes do corpo dos atores indicando qual o caminho efetuado pela percepção.
 
O filme, no entanto, não apresenta a mesma consistência de obras anteriores do diretor, como Spring Fever (premiado como melhor roteiro no Festival de Cannes de 2009) e dificilmente terá uma chance em relação aos prêmios principais.
 
Outro filme chinês presente na competição, Black Coal, Thin Ice, do diretor Diao Yinan, é um thriller ambientado num vilarejo situado no norte da China. Uma série de crimes vêm sido cometidos e as investigações indicam que todas as vítimas tinham um envolvimento com Wu Zhizhen (Lun Mei Gwei), funcionária de uma tinturaria local.
 
Zhang Zili (Fan Liao), um policial aposentado por ter sido ferido cinco anos antes, é quem vai aproximar-se dela a fim de dar continuidade às investigações, o que fará com que ele comece a se apaixonar por ela.  O fato de ser um filme que transcorre longe das grandes cidades acentua as nuances desta relação ambígua em que Zhang corre riscos de tornar-se a próxima vítima desta presumida viúva negra.
 
 Haverá ainda um terceiro filme chinês na seleção oficial, No man’s land. E, mesmo que os dois primeiros tenham decepcionado, é inegável o crescimento do cinema chinês bem além de suas fronteiras.

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