MOSTRA INTERNACIONAL DE SÃO PAULO

Mostra de São Paulo dá a largada com "Inside Llewyn Davis", dos irmãos Coen

Alysson Oliveira e Neusa Barbosa
Mais enxuta que nos anos anteriores, ainda assim, a 37ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo apresentará cerca de 370 filmes entre longas, médias e curtas. O evento começa nesta quinta (17), com exibição apenas para convidados de Inside Llewyin Davis – Balada de um Homem Comum, novo filme de Joel e Ethan Cohen, vencedor do Grande Prêmio do Júri, no Festival de Cannes 2013.
 
A partir já desta atração de abertura, a Mostra mantém a tradição de apresentar filmes premiados nos principais festivais internacionais do ano e inéditos no país, além de longas brasileiros inéditos na cidade de São Paulo. Fazem parte da seleção longas como Pais e Filhos, de Hirokazu Kore-eda (Prêmio do Júri em Cannes), o romeno Child’s Pose, de Calin Peter Netzer (ganhador do principal prêmio no Festival de Berlim), Cães errantes, de Tsai Ming-liang (Grande Prêmio especial do Júri em Veneza) e A mulher do policial, de Philip Gröning (ganhador do Prêmio Especial do Júri em Veneza).
 
Fora isso, é possível conhecer novas obras de diretores renomados, como O grande mestre, de Wong Kar-Wai, A gangue dos Jotas, de Marjane Satrapi, Ana Arábia, de Amos Gitai, Cortinas Fechadas, de Jafar Panahi e Kambuzia Patovi, Estrada para o Norte, de Mika Kaurismäki, Escudo de Palha, de Takashi Miike, O intrépido, de Gianni Amelio, Trem noturno para Lisboa, de Bille August, e Um toque de pecado, que rendeu a Jia Zhang-ke o prêmio de roteiro no último Festival de Cannes.  Também não faltam filmes protagonizados por atores famosos, como Ricardo Darin (O que os homens falam), James Gandolfini (em seu último trabalho no cinema, À procura do amor) e até River Phoenix, morto em 1993, está em Dark Blood, projeto que o cineasta George Sluizer começou a rodar nos anos de 1990, teve que abandonar com a morte do ator, só o retomando recentemente.
 
O cinema brasileiro é representado por 43 longas inéditos em circuito – apenas 3 deles participam da mostra competitiva – além de outros 37 divididos entre a Retrospectiva Eduardo Coutinho, Projeto Marcas e Memória e Vão Livre do MASP. Fazem parte da lista novos trabalhos de cineastas consagrados, como Julio Bressane (Educação Sentimental), Sergio Bianchi (Jogo das decapitações), Lina Chamie (Os Amigos e o inédito São Silvestre) e Paulo Sacramento (Riocorrente).  Alguns diretores brasileiros estreantes, porém, já chegam com prêmios de festivais pelo país, como Hilton Lacerda (Tatuagem), Renata Pinheiro (Amor, Plástico e Barulho) e Andradina Azevedo e Dida Andrade (Bruta flor do querer).
 
Retrospectivas
 
Sem dúvida, um dos maiores destaques da Mostra é a retrospectiva da obra de Stanley Kubrick. Serão exibidos quase todos os trabalhos do cineasta – exceto Medo e Desejo – desde seu primeiro curta, em 1951, Flying Padre, até A. I. Inteligência Artificial, projeto que iniciou mas foi tocado por Steven Spielberg, depois da morte de Kubrick, em 1999. Excetuando A morte passou por perto, os filmes do diretor serão exibidos em cópia digital restaurada. Além disso, já está em exibição no MIS – Museu da Imagem e do Som, uma exposição que traz objetos de cena, storyboards, roteiros não filmados e outras relíquias do acervo do diretor.
 
Outro homenageado do ano é Eduardo Coutinho. Um dos principais documentaristas em atividade, ele já fez algumas raras ficções que serão exibidas na Mostra, como o filme de cangaceiros Faustão e ABC do Amor (coprodução com Argentina e Chile, codirigido por Helvio Soto e Rodolfo Kuhn). Além de obras conhecidas como Cabra Marcado Para Morrer, Jogo de Cena e Um dia na vida (inédito no circuito), a seleção trará um curta inédito chamado Porrada, que será exibido em todas as sessões dessa retrospectiva.
 
Lav Diaz é um cineasta filipino cultuado, mas pouco conhecido no Brasil. Seus filmes, longos e exigentes, como Evolução de uma família filipina, de 660 minutos, ou Heremias Livro Um: A lenda da princesa lagarto, de 540 minutos, além de outros títulos, serão exibidos na Mostra. Diaz é também membro do júri este ano.
 
Além dos filmes, Coutinho e Kubrick serão homenageados com dois livros que serão lançados pela Cosac & Naify. Conversas com Kubrick, do francês Michel Ciment – um dos convidados esperados em São Paulo -, assina uma coletânea de críticas e textos analíticos sobre o cineasta americano. Já Eduardo Coutinho reúne textos do próprio cineasta, além de entrevistas e críticas de seus filmes.
 
Apresentações especiais
 
Umas das três sessões ao ar livre do festival, no Parque do Ibirapuera, será dedicada a um clássico do cinema mudo alemão, que esteve perdido por décadas e foi reencontrado em 1996. Trata-se de Nathan, o Sábio, de Manfred Noa, que adapta peça do poeta Gotthorld E. Lessing e trata de um conflito religioso entre cristãos, muçulmanos e judeus no século 12 e tem no ator Werner Krauss (O Gabinete do Dr. Calighari) o destaque do elenco. Haverá o acompanhamento pela Orquestra Petrobrás Sinfônica.
 
Outras duas sessões ao ar livre estão previstas para o Vale do Anhangabaú, uma para o filme O Circo, de Charles Chaplin, também com acompanhamento de orquestra, outra para o encerramento.
 
Mais apresentações especiais contemplam três filmes do diretor japonês Yasujiro Ozu (1903-1963), no ano de comemoração de seu 110º aniversário: Era uma vez em Tóquio, Flor do Equinócio e A Rotina tem seu Encanto.
 
Outros clássicos restaurados com sessões especiais previstas são Providence, de Alain Resnais; O Deserto dos Tártaros, de Valerio Zurlini; e O Sol por Testemunha, de René Clément.
 
Haverá também uma mostra especial de filmes coreanos, outra de filmes chineses, além de outro ciclo dedicado à cidade portuguesa de Guimarães, que em 2012 foi escolhida como a capital europeia da cultura.
 
Além disso, o diretor israelense Amos Gitai vem a São Paulo apresentar também 16 filmes por ele realizados na série Arquitetura em Israel – Conversa com Amos Gitai (2012), em que entrevista arquitetos, historiadores e políticos de seu país sobre o tema da construção residencial em Israel. Gitai também participa de um debate em parceria com a Bienal de Arquitetura, após a exibição desta série de filmes.
 
No Vão Livre do MASP, será exibidos filmes relacionados com a cidade de São Paulo, caso do inédito São Silvestre, de Lina Chamie, e títulos como São Paulo S.A., de Luiz Sérgio Person, Linha de Passe, de Walter Salles e Daniela Thomas, e Alma Corsária, de Carlos Reichenbach.

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