MOSTRA INTERNACIONAL DE SÃO PAULO

Um dia para olhar questões adolescentes, a arte de Hopper e Camões

Equipe Cineweb
Veja as sugestões de nossos críticos para esta quarta-feira (23):
 
 La Partida
Quando visitou pela primeira vez a capital de Havana, o diretor espanhol Antonio Hens se surpreendeu com a vida de adolescentes que se dedicavam à prostituição nas ruas da capital cubana. Não pela prática em si, mas sim pelo questionamento da masculinidade nessa sociedade machista.
As observações de Hens deram origem ao argumento central de La Partida, que está em competição de Novos Diretores. Afinal, elas reúnem dois eixos recorrentes da filmografia do espanhol: a temática gay e o que os ingleses chamam de “coming of age”, a transição da adolescência à idade adulta.
“O tema se refere a uma coerência industrial, em que cada diretor deve buscar seu nicho. Por ser gay, vou falar dos meus conflitos, do que eu conheço”, afirma o diretor, convidado a São Paulo pela Mostra. Já a motivação por essa etapa da vida se explica por ser um período de grandes mudanças, em que um está em busca de sua própria personalidade.
Nesse contexto, Hens mostra a relação de amizade e, mais tarde, amor entre Yosvani (Milton Garcia) e Reinier (Reinier Díaz). O primeiro mora com sua noiva e faz pequenos trabalhos para seu sogro, que o mantém. Enquanto isso, Reinier se prostitui à noite para sustentar sua namorada e o filho recém-nascido.
“São dois biotipos comuns em Cuba. Aquele que não trabalha ou estuda e, graças à desigualdade do país, por deitar-se com um estrangeiro recebe mais do que um médico durante um mês. E o que vive nas províncias, que encontra uma noiva com dinheiro para conseguir viver em Havana, o que não seria permitido”, explica.
O diretor cria assim uma realidade asfixiante. Não apenas o entorno dos personagens afeta essa relação, que se dá às escondidas, como a própria mentalidade de Reinier: um homossexual que luta contra a própria homossexualidade. “A homofobia não está tanto na sociedade quanto dentro da própria pessoa”.   
A intensidade desse relacionamento também é potencializada por se tratar idealmente do primeiro amor. “Eu gosto dessas histórias porque o primeiro amor é o único puro, desesperado e passional”, acrescenta Hens.
Com uma visão quase documental, A Partida é um exercício visual do cineasta espanhol. Segundo ele, poderia ter sido algo mais convencional, sobre costumes, com a descrição de uma sociedade concreta, ou um filme melodramático, com a destruição de um amor platónico. Mas o filme está construído de uma maneira crua,  fria, distante, sem música, sem mudanças de ponto de vista.
Ele acredita que, visto o cinema hoje, é um valor a busca da verdade e, ao mesmo tempo, neutralidade através das imagens. “Quando eu escrevo um roteiro, estou construindo uma realidade conforme o que eu quero. Neste caso, preferi simplesmente gerar situações onde os atores pudessem desenvolver conflitos dramáticos, mas sem intervir muito nelas para alcançar mais naturalidade e casualidade”.
Para ele, é um filme duro de se ver, no sentido de que não conta nada. Hens faz com que o espectador pense sobre o que acontece na tela e quais são realmente as relações entre os personagens. “O público deve, a partir das imagens muito reais, construir qual é a realidade asfixiante dos protagonistas”. (Rodrigo Zavala)
 
Indicação: 18 anos

CINE SABESP                             23/10/2013 - 19:40 - Sessão: 458 (Quarta)
CINE OLIDO                              24/10/2013 - 17:00 - Sessão: 584 (Quinta)
ESPAÇO ITAÚ DE CINEMA - FREI CANECA 4   25/10/2013 - 20:00 - Sessão: 638 (Sexta) 
 
 Agarrando a Vida
À primeira vista, a produção canadense seria apenas um filme tipo Sessão da Tarde. A premissa remete a vários longas desse estilo. Após perder os pais em um acidente de carro, o garoto Michael é obrigado a se afastar do irmão mais novo, do avô e de sua cidade natal para viver com a sua tia Ellen e o marido dela, Ted.
Adolescente de personalidade forte, o protagonista entra em diversos conflitos, como o embate com o tio, que se revela um pai – e padrasto – rígido e autoritário, e as discussões com “valentões” da turma, até o momento que ele não suporta a pressão e foge do novo lar para Green Gardens, o local que seu pai iria apresentar a ele, nas férias. Nessa aventura, Michael leva junto seu calado primo, Curtis, personagem que, gradualmente, ganha destaque na obra, se tornando um grande alívio cômico na trama.
A abordagem do bullying e dos relacionamentos amorosos da juventude, mais a utilização da história da jornada como base da narrativa, compõem o que se espera de um filme voltado ao público infanto-juvenil Mas a recorrente câmera na mão e os planos gerais contemplativos mostram que Justin Simms não quis fazer do seu segundo longa um simples telefilme. A cena da ponte pênsil demonstra que Agarrando a Vida não fala somente das descobertas adolescentes, mas do desapego, da amizade e da necessidade de viver o momento. (Nayara Reynaud)
 
Indicação: livre
CCSP – SALA PAULO EMILIO 23/10/2013 – 19:00 – Sessão: 511 (Quarta)
MIS – MUSEU DA IMAGEM E DO SOM        24/10/2013 – 19:10 – Sessão: 595 (Quinta)
 
 Morro dos Prazeres
A documentarista brasileira Maria Augusta Ramos assina um retrato de uma comunidade carioca pacificada por uma UPP, o Morro dos Prazeres do título. Convivem ali policiais e moradores num estado que transita entre a simbiose (pouca) e a tensão (muita). O filme é um registro do cotidiano de ambos os lados, numa dinâmica pautada pela desconfiança. A diretora – que tem no currículo filmes como Juízo e Justiça – retrata essa relação com certo distanciamento, e mostra os vários lados da questão, embora, em certos momentos pareça privilegiar a visão policial. O filme tem previsão de estreia para o próximo mês. (Alysson Oliveira)
 
Indicação: livre
MORRO DOS PRAZERES (MORRO DOS PRAZERES), de Maria Augusta Ramos (90')
ESPAÇO ITAÚ DE CINEMA - FREI CANECA 4   23/10/2013 - 14:00 - Sessão: 449 (Quarta)
 
 Hopper Stories
A obra do pintor norte-americano Edward Hopper (1882-1967) é o ponto de partida para essa série de curtas franceses dirigidos por cineastas europeus. Como todo filme coletivo, há altos e baixos – aqui, predomina o segundo caso, excetuando-se o primeiro segmento e aquele dirigido pelo conhecido ator Mathieu Amalric. Ao todo, são oito filmes inspirados em alguns dos quadros mais famosos do pintor – como Morning Sun, A woman in the sun e Summer Evening.
Parece haver uma dificuldade dos diretores em materializar em narrativa as possibilidades oferecidas pelos quadros do pintor, cuja obra, aliás, é pautada pela melancolia, solidão e alienação. O primeiro segmento, de Sophie Barthes, incorpora tons woodyallenianos e traz uma musa que sai de dentro do quadro e interage com o pintor. Revoltada, ela não quer mais estar sozinha no quadro, e, enquanto andam pelas ruas de Nova York, discutem a relação.
Já Mathieu Amalric se vale de anúncios antigos de rádio e outros sons estranhos para investigar o jogo de luz e sombra em um quadro. O último episódio, no conjunto, um dos bons, é dirigido por Sophie Fiennes, tem como tema o quadro First Row Orchestra e apresenta as divagações na cabeça de uma mulher, enquanto uma orquestra se apresenta. (Alysson Oliveira)
 
Indicação: livre
HOPPER STORIES (HOPPER VU PAR), de Sophie Fiennes, Mathieu Amalric, Martin de Thurah
ESPAÇO ITAÚ DE CINEMA - FREI CANECA 3 -23/10/2013 - 18:00 - Sessão: 446 (Quarta)
CINESESC -24/10/2013 - 15:00 - Sessão: 580 (Quinta)
CINESESC -27/10/2013 - 20:50 - Sessão: 880 (Domingo)
CINE LIVRARIA CULTURA 1 - 29/10/2013 - 14:00 - Sessão: 1022 (Terça)
 
 Obrigado Por Nada
Segundo Oliver Paulus, que assina a direção da co-produção suíço-alemã junto com Stefan Hillebrand, a ideia inicial para o filme era mostrar pessoas com necessidades especiais fazendo alguma coisa errada, algo que não se espera delas. Após a eliminação de algumas histórias, eles chegaram a esta de três deficientes físicos que planejam assaltar um posto de gasolina.
Quem tem a brilhante ideia é Valentin, que sofreu um acidente praticando snowboard nos Alpes Suíços e ficou paraplégico, mas não se conforma com sua situação. Por questões de trabalho, a mãe o leva para uma casa de apoio na Alemanha, onde ele apresenta um comportamento constante de revolta, egoísmo e amargura, já que foi abandonado pelos amigos e a antiga namorada depois do que aconteceu. O personagem diz sentir pena dos colegas tetraplégicos, com síndrome de Down e deficientes mentais e intelectuais, pois os considera em condições piores do que a dele, porém, é a pessoa mais triste e sozinha do lugar. Até que ele, finalmente, se abre para aquele novo mundo e começa a criar uma amizade com Titus e Lukas, além de se apaixonar pela bela terapeuta Mira, que se torna o motivo de Valentin querer roubar o posto de gasolina e arrastar os dois amigos nessa missão.
O roteiro foi feito com base nas conversas com os três atores principais, já que, exceto o Joel Basman, que interpreta o protagonista e é um ator bem conhecido na Suíça, os outros dois, Nikki Rappel, que faz o Lukas, e Bastian Wurbs, o Titus, são realmente tetraplégicos, mas não são profissionais em atuação. Isso não quer dizer que eles, de fato, assaltaram um posto de gasolina, mas as experiências cotidianas dos não-atores contribuíram muito e foram absorvidas no script, segundo Oliver. Além disso, o convívio com eles nas cinco semanas de filmagem da produção, que levou três anos para garantir seu financiamento, fez com que os diretores percebessem que os deficientes físicos ou mentais não são tão frágeis assim.
Justamente por isso, a aventura rende situações cômicas de arrancar gargalhadas da plateia, como nas cenas do rifle e do crucifixo. É uma dramédia que emociona o público por humanizar, sem ser piegas demais, e não tratar com pena as pessoas, tenham elas deficiência ou não. (Nayara Reynaud)
 
Indicação: livre
CINESPAÇO GRANJA VIANNA 1                     23/10/2013 – 21:30 – Sessão: 508 (Quarta)
FAAP         31/10/2013 – 19:00 – Sessão: 1239 (Quinta)
 
 8816 Versos
O documentário acompanha o ator português António Fonseca no último dos quatro anos que ele dedicou ao seu projeto de contar a narrativa épica dos Lusíadas. O intérprete não queria apenas encenar ou declamar a obra-prima de Luís de Camões, mas sim falar da história dos mais de 300 homens, simples vassalos a serviço dos nobres navegantes, que viram naquela viagem às Índias a oportunidade de mudarem de vida. Por isso, a atriz Sofia Marques, uma ex-aluna do artista, quis registrar esse momento para que a ideia não fosse esquecida.
Durante o longa, são mostradas tanto imagens do processo de estudo dos textos, com uma narração das suas impressões nesse projeto, quanto trechos da montagem de “Vermelho”, de John Logan, de que ele participa. As falas da encenação são colocadas propositalmente para reforçar a discussão sobre a arte que António, adepto de uma cultura menos elitista e de maior contato com o público, levanta.
A “Falação da Obra-Prima ‘Os Lusíadas’”, como foi denominada por eles, ocorreu em 9 de junho de 2012, em Vila Flor, na cidade de Guimarães, contou com a presença de 10 famílias para apresentar o Décimo Conto e é um dos pontos altos deste documentário, que tem o mérito de agradar aos fãs de Camões e instigar a curiosidade de quem ainda não conhece os versos do poeta. A diretora, durante um debate após a segunda exibição do filme na Mostra, afirmou que a apresentação foi, e ainda será, reprisada algumas vezes em outras cidades de Portugal e que há uma previsão de que o projeto tenha uma turnê no Brasil, para o próximo ano. (Nayara Reynaud)
 
Indicação: livre
MATILHA CULTURAL 23/10/2013 – 14:00 – Sessão: 501 (Quarta)
CINEMATECA – SALA PETROBRAS    31/10/2013 – 18:50 – Sessão: 1207 (Quinta)
 
Solo
Apesar do baixo número de lançamentos anuais, o cinema uruguaio se tornou bastante conhecido por sua diligência na qualidade do que entrega. E o diretor estreante em longa-metragem Guillermo Rocamora (assistente de produção do premiado Whisky), veio à Mostra com um bom motivo para manter essa promessa. 
O seu vigoroso Solo, vencedor do prêmio do júri do Festival de Filmes de  Miami, conta o drama vivido pelo músico Nelson Almada (Enrique Bastos). Depois de duas décadas trabalhando como trompetista na banda das forças armadas uruguaias e de ser abandonado pela mulher, ele percebe que sua vida não lhe trouxe qualquer glória. 
Nessa introspecção em sua vida, lembra das músicas que compôs quando jovem e decide participar de um concurso de rádio para novos autores, onde se sai muito bem. Porém, Nelson está escalado para uma viagem oficial à Antártida pelas forças armadas, que coincide com as datas do concurso. Assim, ele deverá eleger entre sua vida e seu sonho. 
Com uma interpretação contida e ao mesmo tempo contagiante de Bastos, o filme de Rocamora é direto e espontâneo, numa narrativa simples. Também coopera o fato de que todos os demais personagens das forças armadas são militares reais, injetando mais realismo nas cenas. (Rodrigo Zavala).
 
Indicação: 14 anos.
CINE LIVRARIA CULTURA 2        23/10/2013 - 16:00 - Sessão: 470 (Quarta)
ESPAÇO ITAÚ DE CINEMA - AUGUSTA ANEXO 5      24/10/2013 - 20:00 - Sessão: 614 (Quinta)
 
 A Montanha Matterhorn
O promissor primeiro longa do diretor holandês Diederik Ebbinge investe na composição firme dos personagens, a partir do protagonista, Fred (Ton Kas), homem solitário, ensimesmado, preso numa teia que envolve rotina, religião e moral extremamente rígidas, represando sentimentos e prazeres.
A aparição de um estranho, Theo (René van’t Hof), com aparentes problemas mentais, desafia a rigidez do arranjo. Fred é forçado a sair de sua zona de conforto – que é, na verdade, um território de medo e repressão – para proteger um homem que mal fala e tem a compreensão de uma criança pequena.
Entre os dois forma-se uma interação complexa, em que, num determinado momento, parece haver algum indício de exploração, mas em que o afeto infiltra-se aos poucos. A sugestão de homossexualismo entra na equação e o filme acolhe este aspecto de maneira sensível.
Não é propriamente um filme gay, no sentido de que não tem como objetivo primeiro advogar pela tolerância – embora também o faça por caminhos inesperados.
O roteiro, também assinado pelo diretor Ebbinge, interessa-se mais por investigar de que maneiras as pessoas podem romper círculos viciosos, pessoais ou sociais, a partir de interações cujos padrões não seguem nenhuma cartilha. Como a própria vida
 
Indicação: Livre.
 
ESPAÇO ITAÚ DE CINEMA - FREI CANECA 4   23/10/2013 - 22:30 - Sessão: 453 (Quarta)
FAAP     29/10/2013 - 15:00 - Sessão: 1053 (Terça)
 
 Miss Violence
O drama do jovem diretor Alexandros Avranas foi um dos filmes mais impactantes do último Festival de Veneza, do qual saiu com dois prêmios, melhor direção e melhor ator, para Themis Panou. Poderia, com méritos, ter levado o Leão de Ouro. 
Trata-se de um drama forte, rigoroso, estética e dramaticamente bem construído em torno de uma família altamente disfuncional. Há um clima nelson-rodriguiano nesta história de um clã marcado pelo incesto e a exploração sexual por parte de um patriarca (Themis Panou), que vive com a mulher, a filha e quatro crianças – seus netos? Seus filhos?
Aparentemente, é uma família normal, moradora de um apartamento de classe média, onde os moradores fazem suas refeições, as crianças vão à escola, desempenham à risca os rituais do cotidiano. A máscara de normalidade começa a ruir quando ocorre o suicídio de uma das meninas, de 11 anos, em pleno dia de seu aniversário, e o serviço social vem investigar o fato. 
A câmera e o tom das interpretações – dessensibilizadas, quase como se todos fossem meio robotizados – criam um clima estranho, que funciona perfeitamente para dar conta desse estado de mal-estar permanente, desse horror contido pela dominação do status quo, das instituições apodrecidas, que se mantém pela intimidação. É mais um bom exemplo do duro e instigante cinema que estão produzindo os novos cineastas da Grécia. A economia do país pode estar em crise, mas essa nova geração de realizadores está sendo capaz de expressar o que há de podre na antiga morada dos deuses do Olimpo. (Neusa Barbosa)
 
Indicação: 18 anos
 
ESPAÇO ITAÚ DE CINEMA - FREI CANECA 3   23/10/2013 - 14:00 - Sessão: 444 (Quarta)
CINE SABESP   31/10/2013 - 18:20 - Sessão: 1198 (Quinta)
 
 Double Play: James Benning e Richard Linklater
Nascido em São Paulo, mas estabelecido nos EUA, o diretor Gabe Klinger coloca frente a frente dois cineastas e amigos, o experimental e pouco famoso James Benning e o conhecido Richard Linklater (Antes do Amanhecer,Antes do Pôr-do-Sol e Antes da Meia-Noite).
Investido de seu conhecimento do cinema (é professor e pesquisador), Klinger coloca os dois amigos frente a frente, evidenciando a relação de mestre e discípulo que iniciou o relacionamento entre os dois anos atrás e criando um ambiente para que ambos conversem sobre suas próprias ideias sobre a arte em que exercem, cada um a seu modo, uma forma de independência.
Para quem conhece apenas Linklater, é uma boa oportunidade de encontrar seu mestre, que muito o influenciou. E encontrar Linklater muito à vontade, batendo papo com este divertido Benning, de quem felizmente se mostram trechos de seus trabalhos, bastante originais e distintos do mainstream de Hollywood. (Neusa Barbosa)
 
Indicação: Livre.
CCSP - SALA PAULO EMILIO                23/10/2013 - 17:00 - Sessão: 510 (Quarta)
ESPAÇO ITAÚ DE CINEMA - FREI CANECA 3   24/10/2013 - 16:00 - Sessão: 536 (Quinta)
ESPAÇO ITAÚ DE CINEMA - FREI CANECA 1   27/10/2013 - 22:30 - Sessão: 824 (Domingo)
ESPAÇO ITAÚ DE CINEMA - FREI CANECA 4   30/10/2013 - 21:50 - Sessão: 1094 (Quarta)
 
 Nada de mau pode acontecer
Baseado em uma história verídica ocorrida em Hamburgo, Alemanha, Nada de Mau pode Acontecer é um pungente relato de fé e violência. Escrito e dirigido pela alemã Katrin Gebbe, o filme mostra o sofrimento vivido pelo jovem Tero (Julius Feldmeier), integrante da corrente cristão The Jesus Freaks, grupo que prega uma vida coletiva de adoração e contemplação.
Logo após o seu batismo, Tero acaba consertando o carro da família de Benno (Sascha Alexander Gersak) supostamente com o poder da fé, conquistando sua amizade. Como não tem casa fixa, aceita passar um tempo com seus novos amigos, em uma barraca no quintal. 
Não passa muito tempo até ele perceber as falhas graves no caráter desta nova família. Impotente por sua fé na crença na justiça divina, não consegue impedir os abusos de Benno a sua enteada, tal como a si próprio: é feito de empregado, passa fome, é espancado, humilhado e até prostituído pelo dono da casa. 
Participante da Competição Novos Diretores da Mostra internacional de Cinema de São Paulo, esta produção vai ao limite ao mostrar a aterradora violência física e mental sofrida pelo personagem. Bem-executado e interpretado, em especial por Feldmeier, pode parecer incômodo, mas imperdível. (Rodrigo Zavala)

Indicação: 18 anos
 
Dia 23/10 - 17:50 - ESPACO ITAÚ DE CINEMA - AUGUSTA 1
Dia 25/10 - 23:20 - ESPACO ITAÚ DE CINEMA - FREI CANECA 3
 
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Outras informações no site da Mostra

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