"Exilados do vulcão" vence Festival de Brasília

Festival de Brasília elege “Exilados do Vulcão” como melhor filme

Nayara Reynaud
Festival de Brasília elege “Exilados do Vulcão” como melhor filme
A viagem sensorial de Paula Gaitán impactou o júri oficial no último dia de competição, que decidiu dar a Exilados do Vulcão o prêmio mais importante da 46ª edição do Festival de Brasília, além de agraciá-lo com o de melhor som (Fábio Andrade e Edson Secco). Ao subir ao palco do Cine Brasília, onde foi realizada a noite de premiação nesta terça (24), junto com sua equipe, a diretora enalteceu o fato de ter concorrido com pessoas que ela admira muito e declarou que dividia seu troféu de melhor longa-metragem com os companheiros de festival.
 
O destaque da coprodução entre Rio de Janeiro e Minas Gerais sobre uma mulher na busca por vestígios da memória do homem amado foi diluído em um ano marcado pela distribuição de prêmios e com produções nordestinas conquistando grandes vitórias. Esquecido pelos jurados, Os Pobres Diabos, do cearense Rosemberg Cariry, conquistou as plateias brasilienses, levando o Candango como melhor filme pelo júri popular. Além disso, o longa arrebatou a premiação de exibição na TV Brasil, recebida pela produtora e filha do cineasta, Bárbara Cariry.
 
Os filmes de Pernambuco e Bahia foram os que saíram com o maior número de troféus nesta edição, três para cada um. Confirmando a boa fase do cinema pernambucano, Amor, Plástico e Barulho, de Renata Pinheiro, ganhou pela direção de arte de Dani Vilela, atuação de Nash Laila como atriz coadjuvante e interpretação marcante de Maeve Jinkings (Som ao Redor) como melhor atriz - que, em discurso emocionado, disse que os “personagens e filmes são grandes pretextos para criar portas entre as pessoas”. O baiano Depois da Chuva, de Cláudio Marques e Marília Hughes, foi contemplado nas categorias de trilha sonora (Mateus Dantas, Nancy Viegas, Bandas Crac! e Dever de Classe), roteiro (Cláudio Marques) e ator para o adolescente Pedro Maia, em uma competição sem muitos personagens masculinos de grande destaque.
 
Os longas paulistas foram agraciados com prêmios póstumos, em homenagem ao cineasta Carlos Reichenbach e o fotógrafo Aloysio Raulino, em 2012 e 2013, respectivamente. O primeiro ganhou como ator coadjuvante em Avanti Popolo, cuja direção de Michael Wahrmann também foi premiada pelo júri e o longa foi escolhido pela Associação Brasileira de Críticos de Cinema (ABRACCINE), e o prêmio Saruê, conferido pelos jornalistas do jornal Correio Braziliense ao momento mais especial do festival, no caso, a empreitada do “Carlão” na atuação. Já Riocorrente foi o último trabalho de Raulino, o que fez o colega de equipe Paulo Sacramento, que venceu por melhor montagem, junto com Idê Lacreta, se emocionasse ao receber o troféu em nome do amigo. “Tudo que eu queria era dar um abraço nele aqui e agora”, confessou o diretor.
 
Entre aldeias e favelas
O grande vencedor entre os documentários foi O Mestre e o Divino, do mineiro radicado em Brasília Tiago Campos, que dominou os prêmios da categoria. A história contada de forma bem- humorada sobre dois cineastas em uma aldeia xavante, de um lado o missionário e de outro um índio, arrebatou merecidamente o prêmio de melhor longa-metragem documentário, mais o de melhor montagem, realizada pela esposa Amandine Goisbault, e trilha sonora para a produção pernambucana. Os troféus foram divididos com o carioca Morro dos Prazeres, retrato de uma favela pacificada feito por Maria Augusta Ramos, que ganhou como melhor diretora, além de som (Felippe Mussel) e fotografia (Leo Bitttencourt e Gui Gonçalves).
 
O grande trabalho de pesquisa de Outro Sertão, de Adriana Jacobsen e Soraia Vilela, que mostra a atuação do escritor João Guimarães Rosa como diplomata na Alemanha nazista, não foi esquecido e rendeu um prêmio especial do júri para a coprodução entre Espírito Santo e Minas Gerais. Plano B foi ignorado na Mostra Competitiva, sendo reconhecido apenas na Mostra Brasília, competição paralela apenas com filmes brasilienses, como melhor longa.
 
Entre os curtas do gênero, Contos da Maré, Douglas Soares, que relembra as lendas dos primeiros moradores do Complexo da Maré, grande conjunto de favelas do Rio de Janeiro, surpreendeu e saiu com o principal prêmio da categoria, melhor filme, e com o troféu de melhor trilha sonora (Fabio Baldo). O Canto da Lona, de Thiago Brandimarte Mendonça, levou as estatuetas pelos belos trabalhos de fotografia (André Moncaio) e som (Samuel Gambini), e O Gigante Nunca Dorme, pela montagem (Ivan Costa e a diretora Dácia Ibiapina). O júri oficial só concedeu o prêmio de direção para os paranaenses Rafael Urban e Terence Keller por A Que Deve a Honra da Ilustre Visita Este Simples Marquês?, mas o curta deles foi reconhecido como o melhor entre todos os gêneros pela ABRACCINE e ganhou o incentivo e aquisição do Canal Brasil.
 
Distribuição e aposta certa
A categoria dos curtas de ficção foi aquela em que o júri oficial fez a maior distribuição da premiação, agraciando todos os concorrentes com algum troféu. Lição de Esqui, dos cearenses Leonardo Mouramateus e Samuel Brasileiro, receberam o prêmio principal e o de melhor roteiro (Leonardo Mouramateus). O mineiro Tremor, de Ricardo Alves Jr., um dos favoritos, levou três: direção, fotografia (Matheus Rocha) e montagem (Frederico Benevides).
 
Au Revoir, de Milena Times, ganhou com Rita Carelli, como melhor atriz, e Thales Junqueira, pela direção de arte que simula um apartamento francês em pleno Recife. O melhor ator dos curtas também foi um adolescente, o jovem Miguel Arraes por Todos Esses Dias Em Que Sou Estrangeiro, produção carioca de Eduardo Morotó. Para Sylvia, filme do Paraná de Artur Ianckievicz, foi destinado o troféu de melhor som (Bruno Bergamo), e para outro filme carioca, Fernando que Ganhou um Pássaro do Mar, de Felipe Bragança e Helvécio Marins Jr., ficou a trilha sonora (Gustavo Floravante e O Grivo).
 
Entre os curtas animados, a aposta em Faroeste – Um Autêntico Western foi certeira. Mas além do prêmio da categoria, a animação surpreendeu ao também ser escolhida pelo júri popular como o melhor curta-metragem de todos os que concorreram na Mostra Competitiva.
 
Abaixo, está a lista dos premiados desta 46ª edição do Festival de Brasília:
 
PRÊMIOS DO JÚRI OFICIAL
 
FILME DE LONGA-METRAGEM FICÇÃO
Melhor filme - R$ 250 mil
Exilados do Vulcão, de Paula Gaitán
 
Melhor direção - R$ 20 mil
Michael Wahrmann, por Avanti Popolo
 
Melhor ator - R$ 10 mil
Pedro Maia, por Depois da Chuva
 
Melhor atriz - R$ 10 mil
Maeve Jinkings, por Amor, Plástico e Barulho
 
Melhor ator coadjuvante - R$ 5 mil
Carlos Reichenbach, por Avanti Popolo
 
Melhor atriz coadjuvante - R$ 5 mil
Nash Laila, por Amor, Plástico e Barulho
 
Melhor roteiro - R$ 10 mil
Depois da Chuva Cláudio Marques
 
Melhor fotografia - R$ 10 mil
Aloysio Raulino, por Os Pobres Diabos
 
Melhor direção de arte - R$ 10 mil
Dani Vilela, por Amor, Plástico e Barulho
 
Melhor trilha sonora - R$ 10 mim
Mateus Dantas, Nancy Viegas, Bandas Crac! e Dever de Classe, por Depois da Chuva
 
Melhor som - R$ 10 mil
Fábio Andrade e Edson Secco, por Exilados do Vulcão
 
Melhor montagem - R$ 10 mil
Idê Lacreta e Paulo Sacramento, por Riocorrente
 
FILME DE LONGA-METRAGEM DOCUMENTÁRIO
Melhor filme - R$100 mil
O Mestre e o Divino, de Tiago Campos
 
Melhor direção - R$ 20 mil
Maria Augusta Ramos, por Morro dos Prazeres
 
Melhor fotografia - R$ 10 mil
Leo Bittencourt e Gui Gonçalves, por Morro dos Prazeres
 
Melhor trilha sonora - R$ 10 mil
O Mestre e o Divino
 
Melhor som - R$ 10 mil
Felippe Mussel, por Morro dos Prazeres
 
Melhor montagem - R$ 10 mil
Amandine Goisbault, por O Mestre e o Divino
 
PRÊMIO ESPECIAL DO JÚRI DOCUMENTÁRIO
Pelo trabalho de pesquisa do filme Outro Sertão, de Adriana Jacobsen e Soraia Vilela
 
FILME DE CURTA-METRAGEM FICÇÃO
Melhor filme - R$ 20 mil
Lição de Esqui, de Leonardo Mouramateus e Samuel Brasileiro
 
Melhor direção - R$ 5 mil
Ricardo Alves Jr., por Tremor
 
Melhor ator - R$ 5 mil
Miguel Arraes, por Todos Esses Dias Em Que Sou Estrangeiro
 
Melhor atriz - R$ 5 mil
Rita Carelli, por Au Revoir
 
Melhor roteiro - R$ 5 mil
Leonardo Mouramateus, por Lição de Esqui
 
Melhor fotografia - R$ 5 mil
Matheus Rocha, por Tremor
 
Melhor direção de arte - R$ 5 mil
Thales Junqueira, por Au Revoir
 
Melhor trilha sonora - R$ 5 mil
Gustavo Floravante e O Grivo, por Fernando que Ganhou um Pássaro do Mar
 
Melhor som - R$ 5 mil
Bruno Bergamo, por Sylvia
 
Melhor montagem - R$ 5 mil
Frederico Benevides, por Tremor
 
FILME DE CURTA-METRAGEM DOCUMENTÁRIO
Melhor filme - R$ 20 mil
Contos da Maré, de Douglas Soares
 
Melhor direção - R$ 5 mil
Rafael Urban e Terence Keller, por A Que Deve a Honra da Ilustre Visita Este Simples Marquês?
 
Melhor fotografia - R$ 5 mil
André Moncaio, por O Canto da Lona
 
Melhor trilha sonora - R$ 5 mil
Fabio Baldo, por Contos da Maré
 
Melhor som - R$ 5 mil
Samuel Gambini, por O Canto da Lona
 
Melhor montagem - R$ 5 mil
Ivan Costa e Dácia Ibiapina, por O Gigante Nunca Dorme
 
FILME DE CURTA-METRAGEM DE ANIMAÇÃO
Melhor filme - R$ 20 mil
Faroeste – Um Autêntico Western, de Wesley Rodrigues
  
PRÊMIOS DO JÚRI POPULAR
Melhor filme de longa metragem - R$ 30 mil
Os Pobres Diabos, de Rosemberg Cariry
Melhor filme de curta metragem - R$ 20 mil
Faroeste – Um Autêntico Western, de Wesley Rodrigues

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