VENEZA 2013

Italiano "Sacro GRA" surpreende e leva o Leão de Ouro em Veneza

Neusa Barbosa, de Veneza
Veneza - No final, depois de dias de especulações e apostas, o Leão de Ouro do 70º. Festival de Veneza foi um choque e uma decepção, ficando para o documentário italiano Sacro GRA, de Gianfranco Rosi. É a primeira vez nos 70 anos da história do festival que um documentário leva o Leão. Desde 1998 a Itália não conquistava o prêmio principal, então vencido pelo drama político Assim Eles Riam, de Gianni Amelio – que este ano concorreu de novo com L’Intrepido e  foi o único dos três candidatos italianos a ficar sem nada.
 
Não que Sacro GRA seja um mau filme – não é. Tem seu valor ao acompanhar o cotidiano de alguns personagens escolhidos a dedo e que vivem em torno de um grande rodo-anel ao redor de Roma. Mas não reunia méritos suficientes para superar dois fortes concorrentes que abordaram com coragem, contundência e inovação estética o tema da violência doméstica: o alemão The Police Officer’s Wife, de Philip Gröning, que ficou com o Prêmio Especial do Júri; e o grego Miss Violence, de Alexandros Avranos, que conquistou dois merecidos troféus, o Leão de Prata de melhor direção e a Copa Volpi de melhor ator para o impressionante Themis Panou, que interpreta o patriarca de uma família disfuncional, dominada pelo incesto.
 
Sacro GRA também era definitivamente bem inferior ao sublime concorrente sino-francês Jiaouyou/Stray Dogs, de Tsai Ming Liang, a quem se destinou o Grande Prêmio do Júri, o que se considera uma espécie de segundo lugar na competição. Compondo com imagens indeléveis a crônica de uma família despossuída em Taipei, Tsai, vencedor de um Leão de Ouro em 1994 por Vive L’Amour, merecia muito mais o prêmio máximo.
 
Documentário por documentário, podia-se pensar em premiar o potente norte-americano The Unknown Known, do experimentado Errol Morris, que não foi lembrado para nada.
 
Esnobando “Philomena”
Outra verdadeira patriotada do júri presidido pelo honorável Bernardo Bertolucci – ou será que tudo foi resultado de uma severa divisão interna? - foi conceder o prêmio de melhor atriz a Elena Cotta, por outro concorrente nacional, Via Castellana Bandiera de Emma Dante. Ainda que reconhecendo o talento da veterana Elena, a inglesa Judi Dench, de Philomena, de Stephen Frears, merecia esse prêmio como nenhuma outra intérprete de um festival em que, a bem da verdade e contrariando o que ocorre habitualmente, houve diversas interpretações femininas marcantes.
 
Philomena, favorito de bolsas de apostas, no final teve que se contentar com a premiação (justa) de melhor roteiro para Steve Coogan e Jeff Pope – que nem estavam mais aqui e sim em Toronto, um festival que está cada vez mais disputando espaço com Veneza.
 
O cinema americano, que esteve representado com cinco filmes, no final também levou só um prêmio de consolação, o troféu Marcello Mastroianni para ator emergente, dado ao talentoso jovem Tye Sheridan, coadjuvante no drama Joe, de David Gordon Green.

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